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A versão e o fato

19/03/2015
A versão e o fato

Observando como a História é construída, é possível produzir a História da História. Normalmente os fatos são construídos para criar uma imagem que favoreça a seus hábeis artesãos. Há alguns anos uma revista de circulação nacional publicou uma série de quadros brasileiros que vendiam suas versões dos fatos como este ao lado. Abaixo estão algumas observações à imagem e em seguida faremos nossas próprias aplicações.

1) A maioria dos bandeirantes não era branco, mas mameluco - fruto da mestiçagem de portugueses com índias. Por isso, eram parecidos com os índios.
2) Essa roupa de gala só era usada em ocasiões de festas muito especiais, nunca no meio da selva, como o quadro retrata. Os bandeirantes andavam descalços e com roupas para lá de estropiadas – e não com roupas e botas de couro limpinhas. Tinham armaduras de couro de anta e camisas de algodão cru. Botas eram artigo de luxo, no máximo para os chefes das expedições: os desbravadores andavam descalços, usando chapéu e colete de couro de anta para se protegerem das flechas. Colares e penas índigenas se misturavam a crucifixos.
3) Os bandeirantes manuseavam tão bem o arcabuz, sua arma de fogo, quanto arco e flecha – destreza que aprenderam com os índios. Mas a faca que Domingos Jorge Velho aparece segurando na imagem é fina demais para cumprir seu papel de abrir espaço na mata fechada.
4) É muito pouco provável que ele fosse robusto e gordinho quanto retratado. Acostumados a longas caminhadas, os bandeirantes eram magros. Em alguns casos, quase desnutridos: na selva, comiam pouco e, não raro, passavam fome.
5) A serra retratada ao fundo da imagem é uma fantasia. A visão mais comum para os desbravadores era um mar de árvores, que tinha de ser aberto a golpes de facão.

No dia 12 de julho deste ano, a presidente Dilma Roussef afirmou na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que "Uma grande nação tem que ser medida por aquilo que faz por suas crianças e adolescentes, e não pelo Produto Interno Bruto". Certíssimo diga-se de passagem. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) avalia melhor o desenvolvimento de um país do que o Produto Interno Bruto (PIB). Isso porque o IDH leva em consideração educação, saúde e renda, enquanto o PIB apenas faz a distribuição per capita das riquezas do país.

Bem, "por tuas palavras serás condenada oh presidente"... Hoje, 11 de setembro, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou que o Brasil é o país com maior disparidade salarial entre graduados e não graduados. Mas, o que me chamou a atenção no dado publicado pela BBC foi que de fato houve um aumento no investimento da educação básica mas que no plano geral isso representa apenas incríveis 5,5% do PIB em investimento na educação. Quando se trata de ensino superior então o assunto fica muito pior. O Brasil ocuparia a 23ª posição em uma lista de 29 países da OCDE.

Falar é fácil cara presidente. Mas, é como diz o provérbio: "Façam o que digo, mas não façam o que faço."

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