BLOG

Goleiro Bruno - um caso de hipocrisia social

15/03/2017
Goleiro Bruno - um caso de hipocrisia social

Caros amigos, o goleiro Bruno, que fora preso por assassinato e ocultação de cadáver, foi solto em liberdade condicional. Bruno apresentou bom comportamento e conquistou o direito de, sob vigilância, voltar a ver sol nascer redondo. Bem, nada absolutamente ilegal. Acontece, porém, que o clube mineiro Boa Esporte resolveu contratar o rapaz. Desde então, um inferno tem se montado no clube mineiro, que disputa a série B do Campeonato Brasileiro. Aparentemente, mesmo pessoas que nada tiveram a ver com o caso do crime cometido por Bruno, se sentiram muito ofendidas com sua contratação. Mulheres se manifestaram e prometeram trabalhar duro para que o goleiro saia do clube. Patrocinadores e investidores também estão se retirando. A pressão é intensa.

Trata-se de um fenômeno sociológico. Muita gente se sentiu agredida ou horrorizada mesmo com os detalhes tétricos da morte de Eliza Samúdio. É como se um cérebro social dirigisse as pessoas a rejeitar tudo que estiver relacionado ao rapaz. De repente, a figura de Bruno faz então despertar os sentimentos mais repugnantes na sociedade. Bem, então Bruno não pode ter uma segunda chance? Aqui começam as perguntas.

Sem segunda chance, o que Bruno deveria fazer? Sem dúvida o sistema prisional brasileiro é catastrófico. 85% dos presos, em média, voltam para a vida do crime. Então vai aparecer alguém defendendo a reinserção do ex-presidiário em sociedade. Ora, então não deveríamos apoiar o goleiro Bruno? Acontece que discursar é bonitinho, mas na hora que o crime toma rosto, quando sabemos dos detalhes, aquele cérebro social custa perdoar.

Repentinamente muita gente gostaria que houvesse prisão perpétua e que Bruno fosse para lá e nunca mais saísse. Entretanto, os mesmos critérios não são utilizados quando votamos em políticos corruptos - que matam, pelas armas ou pela fome, ou pelo desvio de dinheiro que poderia e deveria ser investido em infraestrutura. O critério de severidade não é utilizado com o guarda quando somos pegos na rodovia. COSTUMAMOS TER UM SENSO DE VINGANÇA BASTANTE SELETIVO.

Se Bruno cumpriu com sua obrigação diante da sociedade, não seria desejável que fosse reabsorvido? Então o Boa Esporte deveria receber uma medalha por ser "cristão" o bastante para acolher o goleiro. Perdão? Só para mim, para os outros, as moscas. É lamentável que Bruno seja liberto e ninguém pergunte para ele sobre futebol. Seu passado vai lhe atormentar por quanto tempo? Certo, essa é uma consequência de seus atos. Talvez, de certa forma, Bruno viva numa prisão. Será sempre lembrado de seu crime. Quem olhar para ele, talvez sempre se lembre do lado negro do seu passado ao invés do brilhante arqueiro que defendia a meta flamenguista. Essa, de fato, será uma perpétua prisão para sua mente.

COMENTÁRIOS

Nínive Bovo - 16/03/2017

É a vontade de prevalecer o \"olho por olho ...\"

Etienny de Brito - 16/03/2017

Acredito que o sistema penitenciário brasileiro tem como uma das soluções a busca real da reinserção dos condenados na sociedade. Bruno, no entanto, apesar do exemplo de bom comportamento e contrato com o Boa, não reflete uma tendência social. Parece me que o goleiro só é mais uma atração de olofotes para o time da série B. Custo a acreditar que não existam goleiros melhores e sem antecedentes que possam ser contratados. É mais uma ocasião em que o dinheiro se sobrepõe aos valores. Não acredito que o time tenha sido o cristão que perdoou, mas sim uma empresa que desconsiderou o peso do feminicídio frequente e impune que existe neste país. Queria eu que fosse regra que um detento em condicional tivesse sempre contratos a sua espera ao ser solto.