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Imagine: a intolerância de John Lennon

08/03/2017
Imagine: a intolerância de John Lennon

Caros amigos, interpretação de texto é algo bastante subjetivo. Por isso, fiquei muito tempo pensando na letra de "Imagine", música bastante conhecida na voz de John Lennon. Você pode conseguir facilmente e letra e a tradução dessa música na internet. Minha ideia aqui, no entanto, é levantar uma lebre, a ideia de que a música símbolo da paz e tolerância, é, na verdade, um manual anarquista.

Antes de continuar, gostaria de esclarecer que, a única religião que permite hipócritas, é o cristianismo. Isso mesmo. O cristianimso está cheio de hipócritas, até por uma questão lógica. Afinal, quanto maior a religião, maior a chance de você encontrar alguém fazendo bobagem. Mas, não é por isso que o cristianismo compreende hipócritas. Trata-se do fato de o cristianismo simplesmente receber as pessoas como são. Sim, a ideia é a de que o ser humano vai a Cristo tal como é, mas o processo de transformação leva uma vida. Assim, é fácil ver um cristão que saiba o que é certo, agir da maneira errada. Não vai ser uma transformação imediata. Claro, que pra quem olha de fora, se você diz que é cristão, a sensação é de que você deveria ser perfeito. Mas, para não fugir do assunto, só estou fazendo essa observação pois "Imagine" ataca de maneira muito especial o cristianismo. Para encerrar esse raciocínio de introdução, alguém que julga que Deus é uma construção ou que ele é, em si mesmo seu próprio deus, só pode ser uma pessoa acima da média. Escuto ateus como Karnal dizerem que só lhes cabe ser o melhor ser humano que puderem ser. Desses eu espero perfeição, pois se julgam seu próprio deus, ou desmerecem a necessidade de um Ser Superior. Assim sendo, dos ateus eu espero uma conduta irrepreensível, o que me admira, pelo menos em alguns, que chegam até mais ou menos perto disso.

Bom, todo mundo que conhece um pouco da vida de John Lennon sabe que o camarada era fã de movimentos Nova Era. Usava heroína e, ao contrário do que muita gente diz, foi seu vício que destruiu o grupo - Beatles - e não as transgressões musicais (na opinião do próprio Lennon) de Paul McCartney. Lennon, que batia nas duas mulheres que teve, custou a reconhecer a paternidade de um filho e acabou sendo um pai muito distante. Sendo assim, um camarada que prega na música, o amor, a paciência, é, em essência, um tremendo hipócrita. Para um camarada que se dizia deus - ou alguém aé esqueceu das frases "somos mais populares que Jesus Cristo" e "o cristianismo vai acabar" - os deslizes pessoais de Lennon fariam dele uma divindade do mal.

Mas, o músico que defende o fim das fronteiras parece ser um mito da política não é mesmo? Não mesmo! Lennon defende o fim das fronteiras em sua música. Mas o pobre músico se esquece que as fronteiras existem muito mais por uma razão cultural do que militar. As fronteiras foram construídas sim, muitas vezes com guerras, mas determinam o respeito ao modo de se viver de um povo dentro de um determinado espaço. O fim da cultura seria o fim da humanidade, afinal, até um antropólogo ou um cientista social são obrigados a admitir que cultura só é produzida por seres humanos e a padroniza;cão da mesma seria uma imposição desonesta - que o digam os críticos da globalização. Então amigo Lennon, ainda bem que existem fronteiras. A questão chave então não seria o fim das fronteiras, mas a melhoria do diálogo entre os povos. Transformar tudo em fumaça parece mesmo a solução pregada por um cara que fumava muita maconha e viu na fumaça a solução para os problemas do mundo.

Nem me venha com essa de acabar com a riqueza! Lennon gostava do dinheiro e morava num apartamento de luxo num hotel refinado de Nova York. Além disso, andava de limusine para todo o lado e não se sabe de alguma doação que haja feito para entidades de caridade - com exceção do suspeito Black Panthers, grupo de resistência violento.

Foi Lennon, que era seguidor da Nova Era que pregou o fim da Religião. Mas, olha só, ele mesmo achava que era uma divindade, tal como, honestamente, julgam os seguidores da Nova Era. Mas, o músico não estava de todo errado. De fato, eu o chamaria de sonhador. Mas o único jeito de ser como ele seria fumar a droga que ele estava usando.

Me pergunto se Lennon morreria, voluntariamente por suas ideias. Honestamente acho que não, afinal seu assassino, Mark Chapman, alegou que foi a hipocrisia de Lennon que o estimulou a eliminar o ex-Beatle. Logo, se Lennon acreditava tanto nas ideias de "Imagine", ele seria capaz de morrer por elas. Se sim, encontramos mais um ato hipócrita na música. Afinal, é Lennon que canta que o mundo seria um lugar melhor se não houvesse "pelo que morrer". Se Lennon não fosse capaz de morrer pelo que acreditava, então talvez nem fosse tão bom assim né Lennon.

Por fim, se alguém, obstinadamente tentar defender a licença poética da música, afinal, "é apenas uma música, só poesia, não pode ser levada ao pé da letra", ou ainda "é só música, não tem efeito prático", apresentaria a Escola de Frankfurt, afim de mostrar que ideias são vendidas de toda maneira, inclusive nas músicas. Não existe mensagem sem intenção, quem diz, concorda com o que diz, defende nas músicas, propagandas, filmes e etc, aquilo que crê. Afinal de contas, nunca vi Lennon cantar músicas cristãs, talvez ele achasse uma perda de tempo.

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