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Os Muros - do bem ou do mal?

30/01/2017
Os Muros - do bem ou do mal?

Caros amigos, essa história de muro entre Estados Unidos e México está mesmo dando o que falar. Mas, resolvi fazer o papel do advogado do inimigo e colocar um pouco de gasolina nessa fogueira. Ora, de repente o mundo todo está chateado com o muro que Trump quer construir entre Estados Unidos e México? Na Inglaterra, um grupo grande de manifestantes se reuniu na rua para protestar contra a política de Trump. A proibição de imigrantes e a perspectiva de expulsar estrangeiros ilegais também parece motivo de estardalhaço pelo mundo todo. Sim, num primeiro momento parece trágico um governante agir de tal forma, mas, como a cabeça das pessoas tende ao esquecimento, reuni aqui alguns fatores que podem ser importantes para apontar algumas hipocrisias da humanidade.

- Os britânicos acabaram de votar pelo Brexit, ou seja, acabaram de se retirar da União Europeia pois julgam que a aliança não lhes é favorável. Há, no entanto, questões mais profundas como controle da imigração para a Inglaterra na raiz dos motivos que levaram muitos britânicos a desejarem o fim da União com o restante da Europa. Então é de se esperar que o governo britâncio fique calado com relação às políticas de Trump.

- O México, que se negou a enviar o presidente do país para uma visita a Trump, uma forma de resistência à política do novo presidente estadunidense, adivinhe, também já estudou enrijecer o controle de sua fronteira com a Guatemala. Em alguns trechos da fronteira dos dois países o controle é mais rigoroso, mas, em sua maior parte, a travessia entre os dois países não chega a ser um problema. O volume de estrangeiros que, entretanto, entram no México com o objetivo de chegar aos EUA acaba se tornando um problema para as autoridades mexicanas pois, não raro, esses imigrantes morrem no caminho, portanto, em território mexicano.

- Construir muro para impedir a entrada de imigrantes ilegais é algo legítimo se o presidente americano acredita que isso é um problema. Estupidez dele é achar que o muro vai impedir a chegada de imigrantes ilegais, afinal, muita, mas muita gente entra ilegalmente nos Estados Unidos de avião e até de barco, que o digam os cubanos.

- Há muros em outras partes do mundo como no Chipre, que separa população turca de grega.

- Comparar o muro de Berlim ao muro de Trump é uma bobagem sem tamanho. Naquela época o mesmo país (a Alemanha) foi dividida como uma medida tomada pelos Tratados de Teerã, Yalta e Potsdam a fim de impedir a ascensão de um novo regime totalitário. Além disso, as Alemanhas Oriental e Ocidental eram o mesmo país, divididas por interesses macropolíticos. Chamar de muro da vergonha o muro de Berlim estava mais para uma propaganda capitalista a fim de atacar os comunistas, pois sabia-se muito bem que muita gente migraria para a Alemanha capitalista se não fosse o tal muro.

- O governo de Israel também resolveu construir um muro para impedir a passagem de palestinos para seu território. A ideia era manter o controle de quem entra no país. Como se poderia esperar, ainda ocorrem atantados no país, mas, julgam muitos israelenses, que o país está mais seguro assim.

- O muro de Trump surge numa época em que os próprios europeus estão desesperados com a chegada de milhares de imigrantes do Oriente Médio. A escalada crescente de violência na Europa, fruto de choque de culturas e penetração de terroristas sem dúvida alguma tem fortificado a ideia de fechar o país ao elemento estrangeiro.

- Antes que os defensores de esquerda se levantem para criticar o exagero de Trump, é importante que se lembre que o celebrado intelectual de esquerda, Caio Prado Jr., já sugeria um isolacionaismo brasileiro para que se evitasse a exploração do mundo capitalista sobre o Brasil. Essa ideia de isolamento é, portanto, velha e pode vir de qualquer lado, direita, esquerda, de cima e de baixo.

Alguém poderia apelar para o belo e afirmar que o mundo precisa de mais pontes e menos muros. É bonito, mas depois de ver a escalada de terror no mundo, talvez os muros não pareçam uma ideia tão ruim assim. Ora, há algo no discurso de Trump que beira a incoerência. De fato, em inúmeros países do dito primeiro mundo, se os estrangeiros forem embora, a economia do país simplesmente morre. Não apenas são trabalhadores do setor informal, mas, hoje, encontram-se até mesmo nos bastidores do poder, especialmente no caso dos Estados Unidos, uma nação construída, basicamente, por imigrantes.

O Brasil poderia também construir um muro na fronteira com a Colômbia, por exemplo, onde sabidamente morrem pessoas todos os dias na guerra contra o narcotráfico. Não é à toa que a aeronáutica brasileira investe em aviões de ataque terra-ar, ou seja, o objetivo é sempre a proteção das fronteiras na longínqua Amazônia. Ao invés de construir muros, temos lá militares matando e morrendo todos os dias. Talvez um muro fosse mais barato.

Por hora Trump não quer diálogo. Está fazendo o que prometeu. Não defendo suas propostas, mas eu as entendo. Não se trata de justificá-las, mas não posso simplesmente criticar sem a perspectiva de tentar enxergar a visão do outro. Normalmente qualquer pessoa que critica a política de Donald Trump já o faz carregado de preconceitos, o que não agrega qualquer valor para uma vista séria da política internacional. Por fim, vale ficar de olho na perspectiva global de Trump. Ele quer o fim do Estado Islâmico e já avisou que as lideranças europeias se enfraqueceram diante de Vladimir Putin, bem como os próprios Estados Unidos. Seria Trump o homem a recuperar a hegemonia amerciana no mundo? Se sim, a que preço? Só o futuro vai dizer.

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