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Arrogância

16/12/2016
Arrogância

Caros amigos, no memorável poema de Homero, "A Odisseia", conta-se a história de Ulisses, rei de Ítaca, uma das ilhas gregas, e seu destemido corpo militar que foi para a Guerra de Troia juntamente com o restante da Grécia. Depois de 11 anos de guerra, isso mesmo, 11 anos, Aquiles, um semideus do qual o exército grego era profundamente dependente, morreu por uma flechada que lhe acertou o calcanhar. Sem Aquiles, a conclusão óbvia era que o exército grego estava fadado à derrota, uma vez que as muralhas de Troia eram intransponíveis.

É então que aparece a genialidade de Ulisses, que sugere a construção de um imenso cavalo de madeira que fosse capaz de armazenar pelo menos quarenta soldados. O plano era dar o cavalo de presente aos troianos como uma forma de reconhecimento da suposta derrota grega. Tudo saiu conforme o combinado. Os troianos levaram o cavalo para dentro da cidade sem se dar conta de que o mesmo tinha 40 soldados gregos em seu interior. Pela madrugada, quando os troianos já estavam muito bêbados para oferecer qualquer resistência, os soldados gregos desceram do cavalo, abriram os portões pelo lado de dentro e permitiram a entrada do exército grego, que exterminou a cidade.

Até aí, tudo ia bem para Ulisses, o dono da ideia genial que cunharia o tal termo "presente de grego". Mas Ulisses resolve extravasar sua alegria. No alto de uma colina, grita aos deuses:

- Vejam deuses do Olimpo, eu Ulisses de Ítaca, destruí Troia. Eu, um mero mortal, mostrei hoje que humanos não precisam dos deuses.

O problema é que o tmeperamental deus do mar, Posêidon, ouviu a reação de Ulisses com muito desgosto e prometeu que Ulisses jamais voltaria à sua ilha. Começava a saga de Ulisses tentar voltar para sua terra, a conhecida "Odisseia", tendo em vista que Odisseu é o nome grego de Ulisses (latim).

A arrogância temporária de Ulisses lembra muito a arrogância dos políticos brasileiros. Homens que se colocam acima do país, que crêem ter poderes devinos e serem intocáveis. Não há uma instância confiável nesse país. O executivo carcomido por intrigas e alianças espúrias é aliado de um legislativo igualmente corrompido, podre, egoísta e arrogante. O judiciário, muitas vezes construído pelos interesses de membros do executivo, muitas vezes mostra-se leniente com os desmandos dos outros dois poderes. Como Ulisses, crêem todos que têm superpoderes, estão acima dos deuses, são intocáveis.

Como diria um outro Ulisses, o Guimarães, a única coisa capaz de fazer políticos temerem é a mobilização do povo. Ora justamente aqueles a quem os políticos deveriam se curvar, pois são seus funcionários. É mais do que hora de quebrar a arrogância dos políticos. Depois da PEC 241 de corte de gastos, aprova-se uma medida que libera R$ 1 bilhão para o governo! Senadores reajustam seus próprios salários e os supersalários mostram que poucos são os que não conhecem a crise econômica brasileira. Temos um grupo de arrogantes esbravejando na cara do povo que estão acima de tudo e todos. Reforma política imediata é o que precisamos pra calar essa corja podre de maneira definitiva. Se Ulisses se converteu num homem humilde mais tarde, não é possível ter a mesma fé com a classe política brasileira.

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