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Big Brother na Política?

01/12/2016
Big Brother na Política?

Sabe aquela conversa em que você pediu que o assunto não saísse dali? Sabe quando você acha que está num momento de privacidade? Pois é, o técnico da seleção alemã de futebol já foi pego com o dedo no nariz, conversas de banco de treinadores já foram traduzidas por surdos. Até aí, tudo bem. A gente se diverte. Mas e se a gente pudesse saber o que os políticos falam nos bastidores? Dia desses o próprio presidente Michel Temer foi gravado numa conversa privada. Apesar de defender a blindagem de um correligionário investigado, esse não é o único mico que se paga no governo. Quando se soube, pelas denúncias de Edward Snowden, que vários países praticam espionagem mútua, muita gente fez um escândalo enorme. Enfim, quando se trata de jogo pelo poder, absolutamente tudo é possível e não há exatamente novidades. Vale golpe de Estado em cima de golpe de Estado, vale manipulação da imprensa e até informação mentirosa.

Mas um ponto importante a ser considerado é: Essas conversas privadas devem ser levadas em consideração? O público, o povo, deve se interessar por isso? Ora, boa parte da política acontece nas conversas de banheiro, na construção de conchavos, em refeições feitas muito longe das câmeras que gravam os discursos dos políticos nos canais públicos de televisão. Mas é impossível saber tudo o que acontece nos bastidores da política. Por isso, passa a ser relevante conhecer o que defende cada candidato e vigiá-lo ao ponto de conhecer suas ações políticas. Prova de que a vigilância é essencial, nessa mesma semana, na calada da noite de 29 para 30 de novembro, deputados tentaram sabotar a Operação Lava-Jato com uma emenda que criminaliza juízes que investigam os próprios deputados. Se isso é capaz de acontecer enquanto se transmite uma sessão pela televisão, imagine o que não se fala escondido.

Michel Foucault sugeriu que o fato de sabermos que estamos sendo vigiados poderia nos provocar a uma mudança de comportamento. Foucault sugere que os presos de uma penitenciária são maioria, mas não se rebelam por estarem sendo vigiados. Então como seria se, como num grande Big Brother, fôssemos capazes de conhecer os mais profundos e íntimos pensamentos, palavras e gestos dos políticos? E se pudéssemos ligar e demitir os incompetentes e sujos? Poderíamos ter uma noção mais próxima da distância que separa o político produzido para a campanha e o político que administra e governa.

Uma questão que deve ser observada é que, não importa quantos meios tenhamos para vigiar, de nada nos valerá se não forem utilizados. É na sutileza da privacidade que se dizem as coisas que revelam o caráter das pessoas. Dwight Moody, grande pregador, costumava dizer que: quando as luzes se apagam e todos vão embora, o que você faz, é o que define seu caráter. Se vão falar sobre como administrar a minha vida, a conversinha me interessa.

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