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Ocupação

27/10/2016
Ocupação

Caros amigos, ocupar um prédio ou local público é uma estratégia histórica, por isso, por sua frequência, até pode ser considerada normal. Em 1789, parlamentares franceses ocuparam a Sala do Jogo da Péla, em Versalhes, até que seus interesses fossem averiguados e respeitados pelo rei Luís XVI. Em 1848, as ruas de Paris foram tomadas por franceses ansiosos pelo fim do governo de Luís Felipe d'Orleans, além de desejarem, em muitos casos, a queda do modelo burguês de administração econômica das fábricas e, do próprio Estado. Em 1922, militares tomaram o Forte de Copacabana em represália ao modelo político vigente no Brasil, à época, governado pelas oligarquias do eixo São Paulo - Minas Gerais.

Na China comunista, em 1989, o mundo assistiu assustado ao episódio ocorrido em Pequim. A praça de Tiananmei, conhecida como Praça da Paz Celestial, em Pequim, foi tomada por jovens estudantes, em sua grande maioria universitários, que desejavam a reabertura política do regime chinês. Acabaram massacrados e silenciados num dos episódios mais simbólicos da História recente. Em 1990, alemães de todas as idades, mas na maioria jovens, ocuparam o Muro que separava as Alemanhas e de lá não arredaram o pé até que o próprio muro e o que este simbolizava fosse colocado abaixo.

Ocupar é uma forma de protesto que realmente chama a atenção. Movimentos Sociais são criados com a finalidade de ocupar para chamar a atenção da opinião pública para a causa em pauta. Obviamente, a ocupação traz também prejuízos. Aqui vem o desafio do debate. É válido ocupar um espaço que é público para defender o interesse do povo? Aparentemente sim. Mas, é válido ocupar um espaço público para defender uma opinião de apenas pequena parcela da população?

Na grande maioria dos casos citados acima, a reação do Estado foi dura. Na visão dos administradores públicos, o bem de todos não poderia ser suplantado pelos interesses de um grupo menor. Se em 1789 os revolucionários foram vitoriosos, em 1848, foram massacrados. A ocupação de Tiananmei provocou posteriormente o tal massacre no qual o governo chinês se negou a confirmar os dados de quantos civis morreram, afinal, soldados atiraram contra civis!

Sim, a ocupação é histórica. Mas isso não significa que agrade. Não dá pra dizer que quem ocupa está sempre certo, como a repressão às ocupações também pode estar errada, seja no propósito ou no método.

Há muitas escolas brasileiras que estão sendo ocupadas, vez ou outra por estudantes, muitas vezes por movimentos sociais de esquerda. Trata-se de uma forma de protesto, o que, numa democracia, parece válido. Mas, diferentemente de muitas das ocupações citadas acima, essas ocupações nas escolas parecem contar com muito menos apoio popular. Há muitos estudantes que são oprimidos no caso de não quererem fazer parte do grupinho de "rebeldes". Veda-se então o direito de ir e vir, toma-se como propriedade privada o que é público, impede-se a atividade para qual se arrecadam impostos e, tudo isso, com muito menos força popular do que os movimentos da França, Alemanha, China.

Se a ocupação é histórica, a reação à mesma também o é e, portanto, historicamente as reações também são legítimas. O último redil dos movimentos de esquerda brasileiros parecem mesmo depender da escola. O lugar onde podem tomar conta de mentes infantis sem serem vigiados. Criticando a manipulação da mídia e seu poder de persuasão, tomam as crianças fazendo delas fantoches para espalhar suas ideologias.

Ocupar é uma medida histórica. As reações às ocupações também são. Na queda de braço entre ocupantes e Governo, se eu pudesse apostar, apostaria no governo. Não apenas por ter os meios legais de suprimir as ocupações, mas também por perceber claramente que o grito dos ocupados já não tem mais efeito na sociedade.

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