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Escolas e Partidos

21/07/2016
Escolas e Partidos

Caros amigos, a educação brasileira é muito, muito ruim mesmo. Não existe um segmento claro, o currículo é engessado e sempre aparece alguém querendo colocar mais coisas para serem ensinadas. Quando não querem colocar, querem tirar, como se o problema da educação fosse apenas o excesso de conteúdo. Bem, isso é ruim, mas não chega a ser 1% do problema. Mas, não quero me delongar com educação. Recentemente tomou um proporção absurda a questão de ser permitido ou não o viés político-ideológico em sala de aula. Daí, por medo da doutrinação marxista, e simplesmente por medo dessa doutrinação, surgiu a ideia de se defender uma escola apolítica, positivista, onde se ensine ciência apenas. Sem delongas? Isso é impossível ainda que vire lei!

Todo professor tem uma formação ideológica e ele não precisa parar a aula pra falar de ideologia com seus alunos para isso ficar bem claro. Os livros didáticso estão cheios dessas tendências. Os vestibulares estão carregados de ideologia, tendo em vista que são elaborados por universidades com funcionários pagos pelo suado dinheiro da população. Assim, o ciclo está fechado. Todo discurso é, pro princípio, ideológico, pois aponta tendências e crenças. Sendo assim, é inato ao professor manifestar suas opiniões.

Pode ser que alguém se jogue no chão e comece a babar de desespero em 3, 2, 1... Mas o maior problema com a ideologia dos professores não é que ela exista ou seja manifesta, mas a ditadura imposta pelos professores ao fazerem seus alunos crerem que sua opinião - a do professor - é a única que existe, ou é a única correta. Isso é desonestidade intelectual! Não há problema em ter ideologias e crenças, ao contrário, é saudável tê-las. Numa educação plural, é importante que hajam distintas ideologias para que os alunos tenham condições de argumentar e crescer intelectualmente, ao invés de se tornarem meros robôs, repetidores de discursos. Se a escola está se tornando um antro de intolerância e tendências ideológicas, a falha pode estar justamente nos indivíduos que não têm o bom senso de dar aos alunos a chance de conhecer as possibilidades ideológicas.

Se o médico adminsitra o remédio erradamente, não dá pra criar uma lei proibindo os médicos de dar diagnósticos ou receitarem remédios! Ora, na escola os professores podem sugerir diagnósticos para a sociedade e muitas outras questões. Entretanto, tanto o governo nas pautas dos livros didáticos, quanto na formação dos professores, deveria então demandar equilíbrio ou o mesmo espaço para todas as ideologias. Hoje um aluno toma um livro de História ou Sociologia e é levado a crer que Karl Marx é um deus! Mas, na saída da escola, o garotinho vai barganhar com o tio do doce pra pagar mais barato na paçoca! E isso é só pra falar de um tema básico. Há muitas outras questões em debate que precisam ser tratadas sob diversos primas com os alunos, tais como: aborto, DST's, liberação das drogas, sexualidade, tendências políticas e econômicas, e etc.

Por fim, muita gente que defende a Escola Sem Partido se esquece que partidarismos existem em todas as direções. Se essa é uma forma de censurar o professor de esquerda, também o é para o professor de direita. No caso de uma escola sem partido, quem então faria a pauta de temas a serem lecionados nas escolas? Essa pessoa também não teria partido? É mais uma ferramenta que ocupa o tempo e energia na direção errada em nosso país.

O problema não está na ideologia, mas na imposição da mesma como verdade última, sem que o indivíduo possa pensar em algo diferente, sem dar essa chance para os alunos e isso pode acabar configurando uma micro-ditadura. A sala de aula precisaria ser um lugar de mais prática, mais discussão e menos imposição, um espaço de liberdade, reflexão e, então, formação.

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