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Professores e a Educação

02/06/2016
Professores e a Educação

Caros amigos, o Brasil forma muito mal seus professores. Por princípio, já é difícil encontrar alguém que queira enfrentar a carreira do magistério. Uma pesquisa publicada pela Revista Escola, da editora Abril, aponta que apenas 2% dos alunos da educação básica desejam alguma profissão na área da Educação. A maioria deseja seguir carreiras em profissões mais bem remuneradas e que contem com maior prestígio social.

Mas, o que acontece com a profissão da Licenciatura? Faltam professores no Brasil! É uma lacuna da ordem de mais de 700 mil postos de trabalho que estão vagos. Não raro, professores acabam lecionando disciplinas diferentes das suas para tamparem “buracos” deixados pela ausência de profissionais para a tal disciplina. Segurança é outro problema sério. Não raro sabe-se de professores perseguidos ou maltratados por alunos. O Estado pouco apoia, como já mencionamos anteriormente nessa série.

Em meio a tantos desafios, é possível uma reflexão. Os índices educacionais no Brasil são péssimos. E apesar de todos os pesares, pesquisas internacionais tem constatado que pobreza e ausência familiar podem ser influentes na educação, mas não são determinantes. Assim, cabe-nos perguntar: Se os alunos não estão aprendendo, qual a parte do professor nisso tudo?

Se os professores de hoje quiserem dar aula como se fazia há 30 anos, a probabilidade de sucesso diminui muito. Ora, o que isso significa? Significa que hoje exige-se do professor que este tenha um leque de saberes mais amplo do que sua própria disciplina demanda. O professor de Biologia precisa falar das doenças novas, o professor de História precisa saber da importância da História para o presente, mas também de conceitos de filosofia e sociologia. O professor de Língua portuguesa precisa ler os clássicos, mas os livros modernos também. Enfim, é preciso saber preparar um slide de forma a não tornar a aula pedante, é preciso conhecer fundamentos de psicologia infantil e adolescente e, até mesmo conhecer segredos da linguagem corporal, afinal, a postura dos seus alunos diz muito a respeito da aula que você está dando.

Além disso, se a profissão do magistério anda em descrédito, não é raro encontrar professores que alimentem o fato. Reclamar de salário em sala de aula é um crime pedagógico. Não é conteúdo, a classe não é nosso divã e as crianças não tem culpa nenhuma. Piadas com o salário denigrem a imagem da profissão. Se você acha seu salário ruim, no mundo moderno o leque de alternativas é enorme, procure outra profissão.

Outro aspecto importante é a leitura. Lembro-me de assistir reportagem recente em que a professora alegava que não tinha dinheiro para livros. Isso é ruim mesmo. Mas a internet permite download gratuito de milhares de obras, assim, não há desculpas para não ler. A falta de leitura frequentemente redunda em erros gramaticais no quadro, o que denigre ainda mais o profissional.

Existe uma parte importante de ser professor do mundo moderno que é a necessidade de nos reinventarmos. A mesma piada todo ano precisa dar lugar a novas perspectivas. Muitos professores se negam a admitir que o mundo capitalista chegou à sala de aula. Se dermos a mesma aula que todos os outros professores, o que vai motivar o mercado a nos pagar melhor? Eu adoraria receber muito mais e gostaria que a sociedade estendesse um tapete vermelho no chão que eu pisasse. Isso não acontecer, pelo menos não da noite para o dia.

A sociedade não vai respeitar o professor repentinamente. Deveria! Mas não vai. Quando um pai rejeita que seu filho se torne um professor, é um tapa na cara da sociedade e de todo humano que se envolva com magistério. Um docente que diz para os seus alunos não serem professores é um desserviço à profissão e à própria sociedade.

A sala de aula precisa de cérebros, bons cérebros e urgentemente. Nosso maior tesouro, nossas crianças, precisa receber o melhor tratamento.


links para continuar pensando no assunto:

http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/carreira/ser-professor-escolha-poucos-docencia-atratividade-carreira-vestibular-pedagogia-licenciatura-528911.shtml

http://www.cartacapital.com.br/educacao/quem-quer-ser-professor

http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/205/artigo311357-1.asp

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