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Subliminar

Subliminar

Quando li "Subliminar - Como o inconsciente influencia nossas vidas" de Leonard Mlodinow, foi inevitável fazer as associações. Sempre que posso estou atualizando meus dados sobre educação, lendo sobre as melhores estratégias, políticas educacionais que funcionam e estudando o alcance e poder da educação. Cada dia que passa fico mais impressionado com a extensão da influencia que os seres humanos são capazes de ter entre si.

No capítulo em que trata sobre o inconsciente social, Mlodinow sugere que seres humanos são altamente sugestivos. Somos capazes de ler subliminarmente, ou até melhor, inconscientemente, se alguém está realmente apostando e acreditando em nós. De acordo com o capítulo, um pesquisador de inconsciente, Robert Rosenthal resolveu fazer pesquisas com professores e alunos sobre o poder da informação inconsciente. Segue o relato da pesquisa:

"(...) Uma de suas pesquisas mostrou que a expectativa dos professores afeta bastante o desempenho acadêmico dos alunos, mesmo quando os professores tentam tratar todos com imparcialidade. Por exemplo, Rosenthal e um colega pediram que alunos de dezoito salas de aula preenchessem um teste de QI. Os professores receberam os resultados, os alunos não. Os pesquisadores disseram aos professores que o teste indicaria quais crianças tinham um potencial intelectual incomumente alto. O que os professores não sabiam era que os garotos citados como mais brilhantes na verdade não tinham se saído melhor que a média no teste de QI - haviam ficado apenas na média. Pouco depois, os professores classificaram os que não foram considerados mais bem-dotados como menos curiosos e menos interessados do que os estudantes mais bem-dotados - e as notas subsequentes refletiram isso.

Mas o que é realmente chocante - e nos faz pensar - é o resultado de outro teste de QI, feito oito meses depois. (...) Quando aplicou o segundo teste, Rosenthal na verdade constatou que metade dos garotos considerados "normais" mostrou aumento no QI. Contudo, entre os que foram destacados como brilhantes, o resultado obtido foi diferente: cerca de 80% tiveram um aumento de pelo menos dez pontos. Mais ainda, cerca de 20% do grupo "mais talentoso" ganhou trinta ou mais pontos no QI, enquanto apenas 5% dos outros garotos tiveram esse desempenho." E Mlodinow constata "Classificar crianças como mais inteligentes se provou uma poderosa profecia autorrealizável". Entretanto, se incentivar os indivíduos ;e uma ferramenta importante para melhorar o QI de um indivíduo, a pesquisa constata que o contrário também é verdadeiro. Quando um indivíduo sabe que é limitado, a tendência é o reforço negativo e o enfraquecimento do aprendizado.

Como educador fico pensando em todos aqueles alunos que chegaram na escola trazendo como troféu, atestados médicos que alegavam seu TDHA, ou déficit de atenção como uma forma de justificar sua alienação dos estudos. Não sou médico e não posso julgar o caso, apesar de saber que a própria medicina está completamente no escuro ainda com relação ao tema. Mas me ocorre que alegar para o aluno que ele é fraco mesmo possa criar sobre ele um reforço negativo. É o que a ciência está dizendo - pelo menos tem um livro inteirinho só sobre isso aqui.

Minha conclusão é mais uma reflexão. Imagine então o efeito que ideias previamente concebidas por professores e pais não teriam sobre o desenvolvimento intelectual e mental dos alunos! Me dedico o mesmo tanto por alunos "bons" e "fracos"? Algum aluno já foi capaz de perceber inconscientemente que perdi a fé nele? Ao que parece os limites da educação estão indo muito, muito além do que poderíamos imaginar.