HISTÓRIA GERAL

1. Historiografia

1. Historiografia

No que diz respeito à História, não é importante saber apenas o que foi escrito, mas também como foi escrito. Ou seja, existem formas de escrever ou descrever fatos que permitem dar ênfase a elementos específicos da História.

Essas ênfases costumamos denominar de Escolas Históricas. Trataremos de forma básica de três Escolas Históricas, três formas distintas de contar os fatos.


1) Positivismo = Herdada de Augusto Comte, a escola Positivista enfatiza o progresso e a ciência. Considerando que a ciência é construída a partir da comprovação/repetição, todo conhecimento científico proporcionaria o progresso, o desenvolvimento. As áreas do saber que não pudessem ser comprovadas seriam vistas como mera literatura, sem valor para o avanço técnico da humanidade. A própria história era vista como uma forma de Literatura, sendo que um mesmo fato poderia ser contado sob várias perspectivas, o que anularia a objetividade do fato.

Para resgatar o Fato, portanto o que os positivistas julgavam ser a única coisa objetiva na História, defenderam a busca absoluta pelos documentos. O documento estaria acima de qualquer suspeita, não permitiria a interpretação. Logo, a construção da História pelos olhos dos positivistas consideraria apenas datas e fatos que pudessem ser comprovados em documentos. E não se trata de qualquer tipo de documento. Deveriam ser, necessariamente, documentos escritos e oficiais, ou seja, do Governo.

Todo tipo de documento que apresentasse possibilidade de interpretação, como fotografias, obras de arte, música, não seria considerado material histórico e sim material literário.

Apesar da contribuição dos positivistas com a busca por documentos que encerrassem toda a História conhecida, o positivismo caiu em descrédito quando foi confrontado com documentos falsos e a possibilidade de até mesmo os documentos oficiais poderem ser interpretados.


2) Marxismo = Também conhecido como Materialismo Histórico, sugeria que a Luta de Classes é o motor da História. Trata-se de uma escola Histórica com ampla ênfase economicista. Para Karl Marx, era a luta entre exploradores e explorados que dirigia os rumos da História. Exploradores eram os donos dos meios de produção, seja uma fábrica ou terras. Enquanto isso, os explorados eram aqueles que ofereciam sua força produtiva, a mão de obra.

Ao se escrever a História sob a perspectiva do Materialismo Histórico, a tendência é a crítica ao capitalismo e as benesses das elites sociais que enriqueceram em detrimento de uma camada explorada e desesperançada, absolutamente controlada pelos interesses das tais elites. É uma forma muito comum de se ver através das linhas de inúmeros livros de História no Brasil.


3) Escola de Annales = Surgida em 1929, a Escola de Annales é francesa, fruto de reflexões de Marc Bloch e Lucien Febvre. Para superar a perspectiva positivista, sugeriam que gente comum também produz História. Aceitaram artes, fotografias e mesmo cartas e documentos não-oficiais como fontes documentais. O documento deveria ser questionado e esgotado. Assim, a cultura, as artes e até a literatura passaram a oferecer contribuições para o conhecimento historiográfico.

Numa ilustração, a escola de annales usa o “iceberg” como um modelo explicativo. A ponta, visível e óbvia seria o fato alardeado pelos positivistas. Entretanto, a parte de gelo que está sob a água seria a cadeia de fenômenos que possibilita a evidência dos fatos. A Escola de Annales pretendia ser justamente a ferramenta a explorar a “parte de baixo do iceberg”.