HISTÓRIA GERAL

3. Egito

3. Egito

Vários grupos humanos estabeleceram-se ao redor do Rio Nilo antes do III milênio a.C.. Esses grupos são denominados de nomos. Aproximadamente em 3000 a.C., Menés, rei do Alto Egito, unificou Alto e Baixo Egito, estabelecendo no delta do Nilo a capital administrativa do novo império, Mênfis. Apesar da unificação, os nomos nunca deixaram de existir e seus líderes, os nomarcas, continuaram sendo importantes representações políticas regionais.

Logo no início da civilização egípcia unificada, foram desenvolvidas a escrita hieroglífica e a religião egípcia, além do calendário solar.

Para efeito de estudos, a História do Egito é distribuída em fases para que possa ser melhor estudada. As três fases da história do Egito são: Antigo Império, Médio Império e Novo Império.

Antigo Império (3150 a.C. a 2400 a.C.): Pelo fato de a capital do Egito estar concentrada em Mênfis, essa fase é conhecida como Império Menfita. Surgiram aqui as três poderosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. O poder foi centralizado, passou a haver cobrança de impostos e obras públicas, como a canalização do Rio Nilo, foram surgindo. A agricultura dependia das cheias a princípio. A construção dos canais, porém, permitiu que a água do Nilo fosse aproveitada um pouco mais ao interior do território. O Comércio era controlado pelo Estado, que promovia guerras para atrair riquezas e investimentos.

Além das pirâmides, no Antigo Império os Egípcios desenvolveram sua escrita. Eram os chamados Hieróglifos, escritos da esquerda para a direita, com desenhos que remetiam a objetos do cotidiano. Esses símbolos representavam sons específicos. Abaixo segue o alfabeto hieroglífico. Com o passar do tempo, para agilizar e facilitar a comunicação, os hieróglifos foram substituídos por uma escrita mais simples, o Hierático. Posteriormente, ainda outra escrita mais simples foi desenvolvida, o demótico. A descoberta da Pedra de Roseta por franceses, em 1799, foi fundamental para se desvendar a escrita egípcia. Se você deseja saber como transliterar seu nome em hieróglifos, vá a este site: http://www.miniweb.com.br/cantinho/infantil/38/hieroglifos.html

Além disso, a estrutura social egípcia também foi assentada no Antigo Império. Essa estrutura social previa a existência de um Faraó como uma divindade e a ascensão social seria possível apenas de o indivíduo soubesse ler e escrever, o que, convenhamos, não era fácil no Egito Antigo, uma vez que a imensa maioria das famílias precisava de toda mão de obra possível nos campos para garantir a produção familiar.

A pirâmide social egípcia era composta, de cima para baixo, por: Faraó (um semi-deus), nobreza, sacerdotes, soldados, escribas, comerciantes, artesãos, camponeses e escravos.

Os egípcios eram politeístas. Além disso, criam que o homem é dotado de uma alma que se desprende do corpo por ocasião de sua morte. A alma vai então para um limbo, onde o deus Anúbis, que guia a alma até o julgamento, pesa o coração da alma numa balança onde o contrapeso é uma pena de Ma’at, a mãe de Rá. Caso o coração seja mais pesado, a vítima é comida por Ammit, uma besta fera com cara de crocodilo, peito de leão e corpo de hipopótamo. Normalmente os faraós levavam dentro de seu peito uma escultura em pedra de um escaravelho, um animal sagrado, para que não corressem o risco de terem sua alma perdida. Na imagem abaixo vê-se uma pessoa sendo levada a julgamento. Acima estão os deuses sentados, contemplando a cena. O deus Thot está esperando o resultado do julgamento do outro lado.

Os faraós passaram a perder poder nas regiões dominadas por nomarcas ao longo do Egito. Esses líderes regionais comandavam seus domínios e o poder dos faraós esvaziou-se. Foi uma fase delicada, uma vez que os faraós perderam poder para lutar por territórios e manter a entrada de riquezas no país. Somente a partir de 2050 a.C. os tebanos conseguiram dar um golpe de Estado, derrubar o faraó Heracleópolis e impor seu domínio sobre todo o Egito, inclusive dando fim às nobrezas regionais e seu poder. Era o início do Médio Império.

Médio Império (2050 a.C. a 1580 a.C.): Com a volta da estabilidade interna e a centralização política, os egípcios voltaram a assistir um florescimento estrutural no Egito. Obras públicas voltaram a tomar corpo, as artes voltaram a florescer e as fronteiras voltaram a ser vigiadas além de o governo egípcio procurar garantir o domínio das regiões do Sinai e da Núbia. Estradas foram construídas, pântanos foram aterrados para a plantação e canais foram edificados para aumentar a produtividade.

Porém, entre os séculos XIX e XVIII a.C., um povo semita, os hicsos, invadiram o Egito. Sabe-se pouco dessa fase, tendo em vista que os próprios egípcios, até onde se pode conferir, teriam destruído vestígios da presença de seus invasores. Sabe-se, porém, que

dominavam a técnica das bigas e que arrasaram os egípcios que, somente trezentos anos mais tarde conseguiram expulsar os invasores e restabelecer a dinastia tebana. Na Imagem abaixo, o faraó Amósis expulsa os egípcios.


Novo Império (1580 a.C. a 1085 a.C.): Essa foi uma fase próspera do Egito, conhecida como Segundo Império Tebano. É nessa fase que Amenhotep IV, ou Amenófis IV (1351 a.C. a 1334 a.C.), como também é conhecido, implantou uma reforma religiosa com vistas a implantar o monoteísmo.

Aparentemente por disputa de poder com os sacerdotes, Amenófis IV acabou com o politeísmo. Sabe-se que a rivalidade entre sacerdotes e nobres era corriqueira no Egito Antigo. Poucos são os historiadores que defendem uma conversão legítima a um único deus por parte do Faraó.

De qualquer forma, Amenófis IV centralizou o culto a um único deus, Aton, o disco solar. Amenófis IV anunciou-se filho dessa divindade e inclusive atribuiu-se novo nome: Akhenaton, ou filho de Aton.

A figura de Akhenaton ganhou ainda maior notoriedade pelo fato de seu filho, Tutankhamon haver restabelecido o culto tradicional aos deuses, mas haver morrido misteriosamente ainda adolescente. Nefertiti, mãe de Tutankhamon, mulher de Akhenaton, também se configura num mistério, tendo em vista que sua tumba nunca foi encontrada, mas com ampla iconografia nas paredes de templos e tumbas representando-a. Recentemente um frenesi tem tomado conta de historiadores e arqueólogos que suspeitam que a tumba de Nefertiti possa estar escondida dentro da tumba de seu filho, no Vale dos Reis, no Egito.

Abaixo, um esquema da tumba de Tutankhamon como foi encontrada por Howard Carter.

Período Tardio (1085 a.C. a 30 a.C.): O Egito foi invadido por Núbios, Líbios, Assírios, Persas, Gregos e Romanos. Nessa fase, muitas vezes contando com a benevolência dos invasores, os egípcios foram governados por líderes de sua própria elite, ora em parte de seu território, ora em todo ele. O Egito foi perdendo força até se tornar uma colônia romana após o governo de Cleópatra VII.