HISTÓRIA GERAL

10. Império Bizantino

10. Império Bizantino

Vendo a derrocada de Roma, Constantino, imperador desde 313 d.C., entendeu que era preciso criar uma nova cidade que garantisse fôlego ao Império Romano, aliviasse as tensões sob as quais Roma estava subjugada.

Em 330, Constantino fundou a Nova Roma, mas o nome não pegou e a cidade, a antiga Bizâncio do mundo grego, era agora denominada de Constantinopla. Era uma cidade de grandes proporções, que falava predominantemente o grego, voltada para a arte e que tinha sua economia essencialmente voltada para o comércio, dada sua excelente posição geográfica.

A cidade de Constantinopla cresceu e passou a desenvolver problemas com o fornecimento de água, pois apesar de estar envolvida pelo mar, não tinha uma fonte própria de água potável. Foi graças ao imperador Valente (364-378) que o problema da água foi resolvido. Mais de 700 quilômetros de aquedutos foram construídos, em leve declive, para trazer água para dentro da cidade. Além disso, o armazenamento dessa água era também uma preocupação e cisternas subterrâneas foram construídas. O maior desses reservatórios, a Cisterna da Basílica, tinha 336 colunas e poderia armazenar o volume de quase 30 piscinas olímpicas de água.

Abastecida de água, Constantinopla prosperou, chegou a ter cerca de 500 mil habitantes! Sua infraestrutura foi se tornando convidativa para romanos que, no oeste do Império, viam sua cidade em crescente crise e ruína.

No ano 395, Teodósio, imperador romano, dividiu o território romano em duas zonas administrativas para garantir sobrevida a Roma. O Império Romano do Oriente teria sua capital em Constantinopla e o Império Romano do Ocidente teria sua capital em Roma.

As investidas externas de bárbaros – dentre eles os hunos – e a crise interna de Roma acabaram culminando na queda do Império Romano do Ocidente em 476. Desde o início do século V, muitos romanos estavam migrando para Constantinopla.

Para garantir a segurança dos bizantinos diante da ameaça dos hunos, Antêmio, prefeito de Constantinopla, aconselhou o jovem imperador Teodósio II a construir muralhas ao redor de toda a cidade. A construção durou anos, mas ao fim, as muralhas tinham cerca de dez metros de altura, por cinco de largura e eram protegidas por 96 torres de defesa. Era uma muralha praticamente inexpugnável.

Porém, no ano 447, um terremoto abalou as muralhas do Império Bizantino e 57 torres ficaram irremediavelmente destruídas. O tempo era pouco para reconstruir a muralha antes da chegada dos hunos. Dessa vez, toda a população bizantina envolveu-se na construção dos muros. Quando Átila aproximou-se de Constantinopla, haviam agora três cadeias de muralhas, sendo que a primeira era resguardada por um fosso cheio de água. Pelos mil anos seguintes, Constantinopla estria livre de invasões estrangeiras.

O estreito de Bósforo, base do Império Bizantino era uma posição estratégica perfeita para a realização de comércio com povos que vinham do Oriente para o Ocidente e do Ocidente para o Oriente, sendo assim o comércio a principal atividade econômica de Constantinopla.

Foi no século VI que o Império Bizantino chegou a um de seus momentos mais marcantes. Imperador Justiniano governou entre 525 e 565, tendo como uma de suas principais metas resgatar o Império Romano ao seu tamanho original. Para tanto, era preciso constituir um exército, armas, cavalos e equipamentos e isso só foi possível graças ao aumento exponencial dos impostos. Além de não haver reconquistado tudo que projetara, na volta das expedições militares, Justiniano dedicou-se a construção de obras que demandaram ainda mais impostos. Dentre essas obras esteve o HIPÓDROMO.

Com capacidade para reter até cem mil pessoas, os eventos que ali tomavam lugar movimentavam toda a cidade. Haviam torcidas organizadas para as equipes de bigas puxadas por cavalos. Cada volta das parelhas permitia uma sensação indescritível de milhares de pessoas gritando: “Nika, nika, nika”, ou seja, vitória em grego. Em janeiro de 532, a tensão entre a população era alta e as disputas de cavalos alteraram os ânimos dos bizantinos que aproveitaram a presença de Justiniano no Hipódromo para protestar. Ao saírem do estádio, os bizantinos destruíram a cidade que queimou por uma semana. Justiniano já organizava-se para fugir da cidade quando sua esposa, Teodora – cujo passado era absolutamente escuso para uma imperatriz – o pressionou a agir. Justiniano convocou seus generais e sugeriu à população que ouviria seus reclamos no Hipódromo. Quando os rebeldes reuniram-se no estádio, Justiniano deu o sinal de que as portas deveriam ser cerradas e os soldados deveriam matar a todos os revoltosos. Foram cerca de trinta mil mortos! Esse episódio é conhecido como Revolta Nika e mostrou a força e disposição do imperador de centralizar o poder.

Poucas semanas depois da Revolta, Justiniano ordenou a construção do que viria a ser a maior igreja da cristandade – Hagia Sophia.

Outro aspecto importante do governo de Justiniano foi a reforma do Código Civil romano para que fosse aplicado ao Império Bizantino, denominado de Corpus Juris Civilis. Além de contar muito sobre o cotidiano dos romanos, o Código Civil se tornou a base do código civil do mundo moderno.

Além de a iniciativa de reconquista territorial não corresponder às intenções de Justiniano, após sua morte, os imperadores que o sucederam perderam palmo a palmo o que fora reconquistado e uma série de disputas internas enfraqueceram Constantinopla.

Cisma do Oriente


Outro elemento a ser destacado no contexto do Império Bizantino é a disputa teológica entre a Igreja Católica sediada em Roma e a Igreja Católica sediada em Constantinopla. Os bispos dessas regiões passaram a apresentar pontos de vista teológicos muito diferentes sobre questões centrais para o cristianismo, o que levou a uma rusga dentro da Igreja Católica.

Os principais pontos de desgaste eram:

  • Monofisismo: Uma parte da Igreja Cristã no Oriente acreditava que Jesus Cristo não tinha a natureza humana, apenas a divina. Nem mesmo a Igreja de Constantinopla defendia essa posição, mas vários cristãos do Egito, Síria, Etiópia, Armênia, dentre outros defendiam essa teoria.
  • Iconoclastia: É a OPOSIÇÃO ao culto ou veneração de imagens, típica da Igreja Bizantina que se opunha a essa prática da Igreja Católica Ocidental.
  • Cesaropapismo: Desde o ano 380, quando surgiu a Igreja Católica, o líder do Império Romano era também o líder da Igreja. Após a queda de Roma, a Igreja manteve sua estrutura monárquica, ou seja, “governada” por um “rei”, um líder espiritual que reunia as funções religiosas e políticas. Essa postura era absolutamente rejeitada pela Igreja Bizantina.

No ano 1054 o desgaste chegou ao limite e a Igreja Romana, denominada de Católica Apostólica Romana, separou-se da Igreja Bizantina, doravante denominada de Igreja Ortodoxa.

Queda de Constantinopla


É sempre importante salientar que Constantinopla foi um ponto comercial importante durante as Cruzadas, além de representar um ponto de parada significativo para as cansadas tropas cruzadas que iam ou voltavam de Jerusalém. Assim, durante as Cruzadas, a antiga Bizâncio representou um ponto avançado do cristianismo no Oriente.

No século XIII, os turcos invadiram Constantinopla pela primeira vez, levando espólios e deixando profundo sentimento de insegurança, afinal, a capital do Império Romano do Oriente não era mais inexpugnável. Os Turcos Otomanos, armados de canhões, invadiram a cidade pela primeira vez em 1204 e, posteriormente, invadiram a cidade tomando-a definitivamente em 1453.