HISTÓRIA GERAL

14. Formação dos Estados Nacionais Modernos

14. Formação dos Estados Nacionais Modernos

Com a constituição de novas cidades ao logo de todo o território europeu, muitos burgueses passaram a ter dificuldade com a realização de comércio entre os burgos ou mesmo entre as cidades. Acontece que para realizarem o comércio, pedágios, impostos e mesmo o câmbio de moedas tornavam as relações comerciais custosas e pouco práticas.

A burguesia foi então buscar nos antigos reis a solução do seu problema. É importante lembrar que o poder fora descentralizado durante boa parte da Idade Média. Os reis perderam poder ao verem suas terras nas mãos dos senhores feudais. Muitos nobres lutaram pela posse da terra que lhes fora conferida por suseranos e, pela luta, conquistaram territórios.

Quando a burguesia propôs aliança com os reis tradicionais, a ideia era que esta patrocinasse um exército e, em troca, os reis lhes dessem condições de realizar comércio. De fato, o que se viu foi a crescente unificação de territórios em toda a Europa e, eventualmente, o surgimento dos primeiros Estados Nacionais Modernos. Essa centralização política conferiu aos reis um novo poder, um novo fôlego. A eles caberia o uso legítimo da força, a criação das leis e a garantia da prática das mesmas. Surgia assim o Antigo Regime.

O viés político do Antigo Regime é denominado de Absolutismo.

Absolutismo

Esse regime demanda a concentração de poderes nas mãos dos monarcas que, muitas vezes, passaram a exercer total controle sobre o poder, comportando-se como se estivessem acima das leis. Há pensadores que defendiam teoricamente o poder Absoluto dos reis. Thomas Hobbes julgava que era o modelo mais adequado para um reino que desejasse agilidade e prudência nas decisões, uma vez que o monarca seria o mais preparado e estudado para exercer tal poder. Maquiavel, por sua vez, defendeu a constituição de um poder pautado na sabedoria de fazer o bem, mas com a astúcia de convergir apoio político a partir da população. Quanto a Jacques Bossuet, bispo e teólogo francês, o rei era rei pois Deus assim o desejara e estabelecera. O governo do rei seria então uma resposta de Deus às necessidades espirituais do povo. Importante salientar que esse modelo de exercício do poder implicava, inclusive, no envolvimento do governante nas decisões de cunho econômico. Esse cuidado com a economia por parte do Estado forjou um modelo econômico típico do Antigo Regime, denominado de Mercantilismo.

Mercantilismo

Trata-se de um modelo econômico de transição entre o feudalismo e o capitalismo. A economia é controlada pelo Estado que, por sua vez, almeja o lucro com ações tradicionais como o apego à terra e o controle da fonte de matéria-prima.

Dentre as características do Mercantilismo, podemos citar:

Metalismo: Busca de metais preciosos para a cunhagem de moedas.

Colonialismo: Busca por colônias com a finalidade de garantir matéria-prima.

Balança Comercial Favorável: Ao Estado parece necessário o controle da economia para garantir um superávit.

Protecionismo Alfandegário: Garantir que a população do país adquira os produtos das manufaturas da nova nação a qual pertencem.

A Carta Magna da Inglaterra

Entre 1199 e 1216, a Inglaterra foi governada por João Sem-Terra. Reconhecido na História como um rei capaz mas centralizador e até autoritário, João Sem-Terra tomou muitas medidas que contrariavam o interesse do povo e mesmo da burguesia britânica. Em 1215, um grupo de nobres, burgueses e até membros do clero, obrigaram o rei a assinar um documento no qual este se comprometia a tomar qualquer medida econômica diante do aval de um Grande Conselho, posteriormente denominado de Parlamento. Esse documento ficou conhecido como Carta Magna, e se configura num dos mais importantes documentos da História da Inglaterra e, até do mundo. A Carta Magna ainda tratava de temas que envolvem os direitos civis, configurando-se assim num documento moderno para a sua época.

Portugal já se formara ao longo do século XII com a expulsão dos mouros da Península Ibérica. A Espanha, apesar de enfrentar disputas internas, veio a consolidar-se como reino unificado também na Idade Média. O Sacro Império Romano Germânico, apesar das divergências regionais, também unificou-se. A França e a Inglaterra, por sua vez, acabaram enfrentando uma divergência gigantesca por territórios no atual norte francês – é o que denominamos de A Guerra dos Cem Anos.

A Guerra dos Cem Anos (1337-1453)

França e Inglaterra tinham um longo histórico de disputas territoriais entre processos de guerra e paz. Entretanto, em 1337, a situação entre os dois países inclinou-se a um caminho para a Guerra.

Carlos IV, rei da França, morreu em 1328 sem deixar herdeiros. O rei da Inglaterra, Eduardo III, julgava-se o herdeiro legítimo pois era sobrinho de Carlos IV. Porém, a nobreza francesa apoiava Filipe de Valois, primo do finado rei. A nobreza entronizou Filipe com o título de Filipe VI, o que trouxe sobre os franceses o ódio do rei inglês que desejava unir as coroas.

Durante o século XIV, os ingleses avançaram sobre o território francês e chegaram a controlar o Canal da Mancha. A guerra teve um intervalo no auge da Peste Negra, mas os ingleses pareciam imbatíveis. Em 1415, o rei Henrique V da Inglaterra venceu a batalha de Agincourt e esteve muito perto de dar cabo do conflito. Porém, Henrique V morreu em 1422 e os franceses deram um revide.

É nesse contexto que surge a figura de Joana D’Arc, a heroína francesa responsável por unir o exército francês e recuperar a moral das tropas. Sua presença desenvolvia ânimo entre os franceses que começaram a retomar territórios, empurrando os ingleses para o mar. Apesar de ser presa e condenada por bruxaria pelos ingleses e, posteriormente, queimada viva,

Em 1453, de forma definitiva os franceses derrotaram os ingleses em Bordeaux e garantiram a integridade do território francês.