HISTÓRIA GERAL

15. Renascimento Cultural

15. Renascimento Cultural

O Renascimento foi, de fato, um dos momentos mais brilhantes da mente humana ao longo da História. Apesar de haver se alastrado por toda a Europa, concentrou-se especialmente na Itália e existem pelo menos dois motivos para tanto:

1) A Itália estava na rota das Cruzadas, caminho de inúmeros transeuntes que, ao se deslocarem para o Oriente, paravam na Itália e ali deixavam sua contribuição cultural. Não é à toa que muita gente interrompia sua saga para o Oriente/Ocidente para permanecer na Península Itálica. Ali surgiram burgueses, comerciantes e intelectuais.

2) Em 1204, durante a segunda Cruzada, cavaleiros que supostamente deslocavam-se para Jerusalém, saquearam Constantinopla. É notório que muitos intelectuais, artistas, políticos e pessoas de alta posição social deslocaram-se para a Península Itálica, quase num processo de retorno após cerca de 730 anos de saída do Império Romano do Ocidente. Essas figuras colaboraram significativamente com o avanço de reflexões na Itália.

Esse fenômeno conhecido como RENASCIMENTO recebe esse nome devido às intenções de resgatar a cultura dos tempos greco-romanos mas com uma ênfase mais moderna. Ocorre que ao observar os aspectos mais profundos das culturas grega e romana, muitos intelectuais passaram a desejar retomar conceitos e valores que, em sua opinião, foram eclipsados pela ação da Igreja Católica durante a medievalidade. Mas, que valores eram esses? Ora, o resgate dos valores em questão passa, justamente, pelas características do Renascimento:

A) HUMANISMO: Valorização da mente e corpo humanos. Trata-se de valorizar o potencial humano. Não se trata de uma negação de Deus exatamente, mas de uma atenção muito maior dada ao presente, ao corpo, a capacidade mental.

B) CIENTIFICISMO: Defesa de um conhecimento fundamentado na experiência científica, usando tal saber como fundamento e prova das afirmações que se fazem. É, por essência, um ataque ao conhecimento justificado unicamente pela fé.

C) RACIONALISMO: O uso da lógica, da razão, do conhecimento acessível através da reflexão. Pode ser um contraponto ao cientificismo – uma discussão que remonta a Platão e Aristóteles – mas não deixa de ser também uma crítica à Igreja Católica que justificava suas teorias de mundo a partir da Religião.

D) ANTROPOCENTRISMO: O homem passa a ser o motivo central das reflexões no Renascimento. As obras, sejam escritas, esculpidas, pintadas, têm, com frequência, o homem como o centro.

E) HEDONISMO: A busca intensa pelo prazer aqui e agora. Isso sugere uma guinada na ideia da preocupação exacerbada com a salvação num futuro longínquo e incerto. A ideia era o desfrute do prazer resumido na famosa frase que marcou a ideia em questão: Carpe Diem – ou seja, desfrute o dia, aproveite o agora!

Não dá para resumir todo um movimento em algumas características, mas estas resumem bem a ideia apresentada pelo Renascimento. Tais características eram expressas de distintas formas, mas estavam marcadamente presentes. Os intelectuais e artistas que promoveram essa avalanche de ideias nem sempre, ou raramente, eram capazes de se manter financeiramente. Viviam do patrocínio de tutores ou da prestação de serviços. Os patrocinadores, sejam burgueses, nobres ou mesmo membros do clero, eram denominados de MECENAS. É sempre válido ressaltar que a Igreja não é contra o Renascimento, antes, se vê a própria Igreja patrocinando obras de arte e essas muitas vezes expressam a fé do artista em Deus e na Igreja.

Para compreender melhor os avanços renascentistas, é importante conhecer um pouco das técnicas medievais. As obras centravam-se na Igreja e na Teologia cristã. As pinturas eram opacas, sem profundidade e sem destaque para as faces.

O Renascimento Cultural pode, para efeito de estudo, ser dividido em três fases, o Trecento (século XIV), o Quatrocento (século XV) e o Cinquecento (século XVI). Cada uma dessas fases é marcada por um avanço técnico-científico, por características peculiares.

TRECENTO – SÉCULO XIV: Cresce o domínio da técnica do afresco. A perspectiva ainda é pobre, mas as cores começam a aparecer de forma mais viva e em maior quantidade. Um grande avanço dessa fase foi a invenção da Prensa de Gutemberg. Essa invenção proporcionou um grande salto na oferta de saber para o mundo medieval.



QUATROCENTO – SÉCULO XV: Aprofunda-se a ideia de perspectiva. Os quadros ganham movimento e energia além de luz e sombra. A Igreja patrocina obras, seja afrescos ou quadros. Ocorre uma aproximação com a ciência e motivos menos cristãos também despontam em obras clássicas como o “Nascimento de Vênus” de Sandro Botticelli.



CINQUECENTO – SÉCULO XVI: Aqui aparecem os maiores gênios do Renascimento. Não bastava esculpir e pintar, Michelângelo e Leonardo da Vinci eram cientistas, inimigos e, muito provavelmente gays. Esse fato merece menção pois a ênfase no corpo masculino de maneira erótica aparece em quadros e afrescos com motivos cristãos, como o teto da Capela Sistina de Michelângelo e João Batista de Leonardo da Vinci.


Como já dissemos, o Renascimento atingiu um grande leque de áreas do saber. Não foram as artes pintada e esculpida as únicas privilegiadas. Intelectuais do Estado como Hobbes, Maquiavel e Bossuet deixaram seu parecer sobre os Estados Modernos – procure o item 14. Formação dos Estados Nacionais Modernos – para mais informações.

O pensamento filosófico foi diretamente afetado pelo Renascimento. Surgem aqui duas obras muito importantes: “Utopia” (1515), de Thomas Morus e “O Elogio da Loucura” (1511) de Erasmo de Rotterdã.

Em “Utopia”, Thomas Morus foi profundamente influenciado pelas notícias que chegavam de além-mar sobre os índios e sua pureza. Essa pureza foi aproveitada na imaginação do escritor inglês que sugeriu a constituição de uma sociedade igualmente perfeita, igualitária e tolerante, ou seja, uma sociedade que não se via em lugar algum, portanto, utópica.

Quanto ao “Elogio da Loucura”, Erasmo de Rotterdã usa a loucura como uma entidade inteligente que critica a igreja, desde sua estrutura filosófica, prática religiosa e inclusive de parte da teologia católica.

Na literatura, figuras como William Shakespeare, François Rabelais, Miguel de Cervantes, Luís de Camões ofereceram contribuições significativas. Entre críticas ao status quo da igreja e da sociedade, também surgiu material de exaltação patriótica. O conhecimento se alastrava a uma velocidade jamais vista.

A Ciência é outro capítulo importantíssimo do Renascimento. Grande avanço científico se viu nessa fase. Citamos abaixo alguns dos principais cientistas dessa fase:

NICOLAU COPÉRNICO (1473-1543): Polonês, Copérnico defendia que o sol era o centro do sistema solar. O conhecimento popular à época era de que a terra seria o centro do Universo. Copérnico ainda sugeriu que o Universo era muito maior do que o que se supunha. Boa parte das perspectivas de Copérnico careciam de prova final, uma vez que o matemático e cônego não dispunha de telescópio.

JOHANNES KEPLER (1571-1630): Kepler defendeu que os planetas desenvolviam uma órbita elíptica ao redor do sol. A teoria explicaria as estações do ano, conforme o planeta terra estivesse mais próximo ou mais distante do sol.

FRANCIS BACON (1561-1626): Francis Bacon introduziu um conceito inovador para a ciência – o método indutivo. De acordo com Bacon, um conhecimento empírico válido dependeria de várias experiências seguidas de resultados semelhantes para que uma afirmação pudesse ser categórica. Esse método de repetição e comprovação é utilizado até o presente.

GALILEU GALILEI (1564-1642): Além de defensor ávido do heliocentrismo, Galileu também sugeriu que os astros estariam em constante movimento. Para comprovar suas perspectivas, Galileu construiu seu próprio telescópio, o que lhe conferiu condições de comprovar as teorias que propunha, além de confirmar as ideias de Copérnico.