HISTÓRIA GERAL

17. América pré-Colombiana

17. América pré-Colombiana

Ao chegarem na América em fins do século XV, os espanhóis encontraram uma grande diversidade de povos no continente americano. Haviam tribos indígenas em estágio de desenvolvimento equivalente ao Paleolítico, ou seja, sociedades de caçadores e coletores, mas também haviam algumas das mais refinadas, modernas e avançadas sociedades do mundo.

A América Pré-Colombiana era um mosaico de povos. Normalmente nos atemos apenas a três grandes civilizações, Maias, Astecas e Incas. Mas engana-se quem acredita que eram apenas estes povos que habitavam o extenso domínio espanhol na América.

O território que compreende o domínio espanhol era composto por povos muito tradicionais, antigos mesmo. Para efeitos de estudo e objetividade, nos deteremos nos três principais: Maias, Incas e Astecas.

Maias

Os Maias habitavam a Península de Yucatán, no atual México, e chegavam até a América Central. Estiveram em seu auge entre os séculos VIII e XI, sendo desconhecidas as razões definitivas de seu declínio. Tinham várias cidades-Estado, o que equivale dizer que não eram um Império centralizado. Além disso, essas cidades eram, normalmente, pintadas de vermelho. Esse detalhe excêntrico ocorre devido ao fato de os maias cultuarem o sangue, como um líquido sagrado, fonte da vida.

As informações que os historiadores têm a respeito dos Maias é dependente da arqueologia. Pouco do alfabeto Maia já foi decodificado. O alfabeto era complexo, com a composição de três modelos distintos, os fonogramas (cujos símbolos representavam sons específicos), os ideogramas (cujos símbolos representavam ideias completas) e os pictogramas (cujos símbolos representavam exatamente o que estava desenhado). Além das dificuldades com a interpretação da linguagem escrita maia, cada imperador, de cada cidade, poderia destruir as estelas que relatavam a História de seus antecessores, o que dificulta sobremaneira a reconstrução da História.

Além de um alfabeto complexo, os Maias desenvolveram um calendário bastante preciso, baseado nos astros. Seu calendário tinha 18 meses, com vinte dias cada mês. Além disso, reservavam 5 dias ao final do ciclo anual para festejos. Os maias conheciam o ano bissexto! Essas observações eram feitas a partir do alto das pirâmides maias. Essas pirâmides tinham várias funções. Diferentemente das pirâmides egípcias, usadas como tumba, as pirâmides maias eram usadas como templos, observatórios astronômicos, pontos militares e mesmo moradia da nobreza, sendo também utilizadas, às vezes, como tumbas.

Essas pirâmides, complexas, eram construídas com blocos de pedra e argamassa. Mas a precisão é absolutamente espantosa. Sabemos que os Maias dominavam a Matemática! Faziam contas de grande dificuldade e chegaram a desenvolver seu próprio zero!

Uma curiosidade muito legal sobre os maias é que se praticava entre estes povos uma espécie de futebol, cujo objetivo era atravessar uma bola de látex por um arco de pedra que ficava a cerca de dois metros do chão. Somente tronco e bacia poderiam ser utilizados para tocar na bola! Não raras vezes o time vencedor era sacrificado! Ocorre que os deuses deveriam receber o melhor, portanto, o time vencedor. Antes de você pensar que algum time fazia corpo mole para não morrer, para os maias era uma verdadeira honra ser sacrificado aos deuses.

Como já dissemos acima, as razões para o desaparecimento dos maias é um mistério. Historiadores, arqueólogos e até geólogos têm tentado desvendar as lacunas dessa parte da História Maia. Até o momento, encontraram-se quatro possibilidades para o entardecer da sociedade Maia. São eles:

1) Rivalidades entre as cidades-Estado: Sabe-se que as cidades lutavam entre si por escravos e provisões. Esses escravos poderiam servir até mesmo como recursos de oferenda aos deuses. É possível que também lutassem por território, a considerar que não haviam abandonado a caça e a coleta para sua sobrevivência.

2) Aumento demográfico da Camada Dirigente: Entre os maias, nobreza e clero eram o mesmo grupo. Essa camada dirigente sobrevivia dos víveres trazidos pelo povo. Pesquisadores sugerem que o aumento da camada dirigente teria potencializado a elite parasitária que acabou “roubando” os víveres do restante da sociedade.

3) Diminuição da Oferta de Água: Nota-se até hoje que muitas cidades-Estado estão distantes da oferta de água ou simplesmente não se nota sua presença. Esse fator pode ter precipitado uma crise e migração em massa para outras regiões, esvaziando o poder das autoridades.

4) Os líderes espirituais perdem seu prestígio: Talvez numa combinação dos elementos acima, a elite espiritual praticara uma série de intervenções, sacrifícios humanos, que, de alguma forma, não resolveram os problemas. Sendo assim, a população maia poderia ter buscado uma saída mais viável do que ver o povo desaparecer morrendo nas mesas de sacrifício dos sacerdotes e migraram.

Astecas

Os Mexicas – como se denominavam os Astecas – tiveram seu auge entre os séculos XIII e XVI. Conta a lenda que vinham descendo o deserto do norte do atual México quando, pedindo aos deuses por um lugar para a construir a sede de seu Império, uma águia deu um vôo rasante e matou uma serpente no alto de um cacto. A realidade é menos romântica.

Um grupo de povos reuniu-se numa ilha, dentro do lago Texcoco e estabeleceu ali uma cidade, de nome Tenochtitlán.

Rapidamente a cidade encheu-se de prédios, pirâmides muito altas que serviam como templos e depósitos, além de palácios. A população aumentou e a ilha ficou pequena para a produção agrícola, o que trouxe desnutrição e fome para os astecas.

Para superar a crise de alimentos, os astecas desenvolveram as Chinampas, canteiros flutuantes que eram cercados de madeira até o fundo do lago e onde se plantavam os gêneros agrícolas dentro do próprio lago. Esses canteiros eram adubados com esterco humanos! Eca!

A Ascensão social era muito difícil entre os astecas. Um meio possível de ascensão social era que o indivíduo mostrasse seu valor como guerreiro. Os astecas entravam em guerra frequentemente e usavam os índios capturados como sacrifícios.

Durante os sacrifícios astecas o indivíduo era colocado em cima do altar e com uma faca de pedra, o sacerdote abria o peito da vítima, arrancando-lhe o coração. Eventualmente a vítima ainda poderia ser decapitada. Seu corpo era então arremessado do alto do templo.

Apesar dessa tendência sanguinária, os astecas tinham um lado refinado. Produziam abacates, cacau, pimenta, milho e comiam vermes. Durante determinadas cerimônias religiosas, faziam uma infusão de cacau chamada de xocoatl, posteriormente levada para a Europa pelos espanhóis e misturada a açúcar e leite... Tãdã... Surgiu o Chocolate!

A tradição Asteca afirmava que Quetzacoátl, uma divindade historicamente cultuada por todo o México, voltaria para estabelecer um reino eterno. A chegada dos espanhóis coincidiu com o cumprimento profético. Hernán Cortez exigia ver Montezuma, grande líder Asteca. Porém, como representante dos deuses, Montezuma não poderia ser visto. Cortez insistiu até cansar o líder asteca que acabou cedendo. Montezuma era supersticioso e permitiu a entrada dos espanhóis em Tenochtitlán. A oportunidade serviu para estudar a cidade e conhecer os pontos fortes e fracos para a eventual tomada da cidade. Com um grupo de pouco mais de 500 homens, Cortez dominou Tenochtitlán, fazendo Montezuma seu refém e obrigando os astecas a extrair ouro.

A chegada de espanhóis no litoral do México chamou a atenção de Cortez, que temia perder o domínio da conquista. Retirou-se da cidade, deixando o comando da mesma para seus homens que não conseguiram administrar a turba. Montezuma foi morto e os espanhóis expulsos.

Cortez precisou desmontar navios e carrega-los até o lago Texcoco para então declarar guerra aos astecas. Foi um arraso. Posteriormente o lago foi drenado e a cidade completamente destruída. Em 1521, quando Tenochtitlán foi completamente destruída, Cortez não falava Nahuátle, a língua asteca. Seu domínio se deu, em grande medida, ao auxílio de uma tradutora, Malinche – às vezes Malinali – que permitia a comunicação entre os espanhóis e os astecas. Apesar de os astecas terem sido arrasados, mantiveram sua língua e parte de sua cultura.


Incas


O maior império das Américas é também impressionante. Os Incas teriam sido um grupo de tribos unificadas por Manco Capac, autointitulado o primeiro Inka. A extensão territorial do Império Inca, centralizado na capital Qosqo – Cuzco – ia do oeste da Colômbia até o centro-sul do Chile.

Num espaço tão heterogêneo, os Inkas desenvolveram um sistema econômico muito eficaz. Desenvolveram cotas, regiões recortadas que iam do litoral à Floresta, atravessando as montanhas. Com um denso sistema de estradas, corredores levavam mercadorias e mensagens a cada região da cota. Cada cota era dividida em Ayllus. O Curaca, líder de cada Ayllu, distribuía as terras e determinava a distribuição dos recursos. A infraestrutura era construída pelos próprios Ayllus de cada cota, sendo que homens eram selecionados para desenvolver estes trabalhos por tempo limitado. Essa forma de trabalho era denominada de Mita. Caso uma Cota ou um Ayllu tivesse problemas de produção, o Estado poderia distribuir alimentos que tinha estocado para atender às necessidades da população.

As construções urbanas Incas eram de grande fineza. Cortavam pedras e desenvolveram um intrincado sistema de encaixe. Não se sabe como as pedras eram cortadas, mas o encaixe era tão perfeito que argamassa era desnecessária além de os frisos não permitirem a passagem sequer de uma folha de papel.

Os Incas eram politeístas e animistas, criam nas forças da natureza. Ao fim de cada estação de colheita, uma cerimônia religiosa era praticada e uma lhama era sacrificada. Com relação a sacrifícios infantis, eles aconteciam em ocasiões específicas e, não raras vezes, distante dos olhos do povo. As crianças que seriam sacrificadas eram reservadas para o ato desde o nascimento e eram sepultadas dentro de urnas com seus pertences no alto das montanhas, onde julgavam, os deuses viriam recebe-las. A baixa concentração de oxigênio combinada às baixas temperaturas dos Andes permitiu a conservação quase perfeita dos corpos de muitas dessas crianças.

Um dos pontos turísticos mais visitados do mundo Inca é a cidade de Machu Picchu. AS teorias mais aceitas sugerem que esta cidade fora construída para servir de abrigo à família real Inca no caso de alguma invasão ou risco iminente ao Império. A região é bem organizada, com amplos recursos para a agricultura, além de um complexo de templos.

Huayna Capac, o Sapa Inca, supremo líder do Império desde fins do século XV, morreu no início do século XVI e legou seu Império a Huáscar. Entretanto, seu meio irmão, Atahualpa, julgava-se o legítimo detentor do direito de assumir o trono, pois era o filho mais velho, ainda que fosse filho de uma princesa estrangeira, de Quito. Uma sangrenta guerra civil enfraqueceu aos Incas, mas culminou com a vitória de Atahualpa, que contou com o apoio de muitos militares competentes, dentre eles, espanhóis sob o comando de Francisco Pizarro.

Ao estar voltando para Cuzco, Atahualpa foi traído por Pizarro, preso e obrigado a se converter à fé cristã além de se submeter ao Reino da Espanha. Atahualpe negou com veemência, tendo arremessado a Bíblia no chão. Preso, o Sapa Inca ofereceu toneladas de ouro e prata, mas temia que Huáscar ainda viesse tomar o trono, uma vez que ainda vivia. Atahualpa mandou executar Huáscar, o que fez Pizarro entender que o Sapa Inca ainda detinha muito poder e que dominar os Incas seria difícil enquanto Atahualpa vivesse. Sendo assim, sua condenação foi providenciada e acabou sendo morto por estrangulamento. Haveria resistência por quase trinta anos, por parte dos Incas, especialmente um índio conhecido como Tupac Amaru. Mas, no início da década de 1570 o Império Inca já estava dominado pelos espanhóis por completo. Templos foram destruídos e a população escravizada. Milhares morreram, mas é sempre importante salientar que as tradições e cultura, como língua e mesmo religião e gastronomia foram mantidas pelos descendentes dos Incas.