HISTÓRIA GERAL

19. Revolução Inglesa

19. Revolução Inglesa

Um ponto de partida muito importante para compreender essa Página da História é compreender que, em 1215, burgueses e nobres exigiram do rei João Sem-Terra que este assinasse um documento denominado de Carta Magna. Esse documento, quiçá um dos mais importantes da História, determinava que o rei só poderia ajustar sua política fiscal ou agir em torno da economia com o apoio de um Parlamento. Apesar de, a princípio, nem burgueses nem a monarquia respeitarem o documento, este continuou sendo uma bússola para a política inglesa nos anos que se sucederam.

O Parlamento inglês, é importante que se diga, estava abaixo do rei e era dividido basicamente em dois grupos. A Câmara dos Lordes, também conhecidos como Tory(ies). Esse grupo era composto por nobres proprietários de terras e o alto clero anglicano, normalmente fiel ao rei. A Câmara dos Comuns, também conhecida como Whig ou cabeças redonda era composta por burgueses e pequena nobreza. Entre os whigs havia um grupo mais radical, denominado de Levelers, ou, niveladores.

O Parlamento era convocado somente quando interessava ao rei. Vale lembrar que o Absolutismo estava em vigor na Inglaterra e que a burguesia desejava que o Parlamento fosse permanente.



A Guerra das Duas Rosas e os Tudor



Entre 1455 e 1485 ocorreu na Inglaterra a Guerra das Duas Rosas. Essa guerra opôs duas famílias que se julgavam no direito de ocupar o trono: York, representados por uma rosa branca e os Lancaster-Tudor, representados por uma rosa vermelha.

Ao final de trinta anos de guerra, os Tudor puderam celebrar a vitória e Henrique Tudor, o sétimo, foi coroado rei da Inglaterra. Para a sucessão de Henrique VII deveria assumir seu filho mais velho, Artur Tudor, mas, mesmo depois de um casamento com a princesa espanhola Catarina de Aragão, acabou morrendo, supostamente, sem consumar o casamento.

Na linha sucessória estava Henrique, que viria a ser o oitavo, muito mais jovem que Catarina da Aragão, mas o casamento foi feito e consumado sete anos depois. Desse relacionamento nasceram quatro filhos, dos quais apenas uma garotinha, Maria Tudor, sobreviveu. A rainha envelheceu e não poderia mais conceder um monarca eu mantivesse a dinastia no trono. Além disso, a vida devassa do rei o levava a desejar substituir sua rainha. Apaixonado por Ana Bolena, Henrique VIII passou a fazer campanha pela anulação de seu matrimônio com Catarina. A Igreja não apoiava a decisão e o monarca ameaçou a Igreja de rompimento. O caso foi parar na Santa Sé, mas a Igreja estava irredutível.

Em 1534, Henrique VIII decreta o Ato de Supremacia, no qual declara que o chefe do Estado Inglês seria também o chefe da nova Igreja, a Igreja Anglicana. Teologicamente, o anglicanismo seria muito próximo do catolicismo, mas a Igreja Católica perderia muita influência na Inglaterra pelos próximos anos.

Casado com Ana Bolena, era de se esperar que o rei fosse encontrar a felicidade conjugal. Porém, apesar de mais quatro filhos, somente uma garotinha, Elizabeth, chegou a “vingar”. Temendo um fim semelhante ao de sua antecessora, Ana Bolena teria tentado engravidar, supostamente de seu irmão. O caso veio a público – não se sabe ao certo o grau de veracidade da acusação – e Ana Bolena foi decapitada.

Seguia a saga de Henrique VIII em busca de um herdeiro e este veio com o casamento do rei com Jane Seymour. No parto, Seymour veio a falecer, mas o menino viria, ainda que por um curto período, a governar a Inglaterra.

Henrique VIII arruma então um novo matrimônio, com Ana de Cléves. Hans Holbein fez um retrato da moça que, ao ser tomado por Henrique VIII lhe fez acreditar que a jovem fosse mesmo muito bonita. Era o oposto. Feia, com cicatrizes de varíola, Ana de Cléves foi rejeitada por Henrique VIII que anulou o casamento, mas concedeu um castelo à nobre alemã.

Seguia-se então a necessidade de um novo casamento para o fogoso rei Henrique VIII. Casa-se então com Catharina Howard, que viria a lhe trair e foi executada por isso. Por fim, a última e devota esposa foi Catharina Parr, que cuidaria do rei em seus últimos dias de doença – uma provável diabetes do Tipo 2.

Ao morrer, em 1547, Henrique VIII foi substituído por seu filho, Eduardo VI. Este ainda era jovem para exercer o comando do país que ficou nas mãos de um Conselho Regencial de viés protestante. O garoto, porém, veio a falecer – talvez de tuberculose – em 1553, deixando o trono vacante para sua meia-irmã, Maria Tudor.

Maria I, que governou entre 1553 e 1558, foi uma católica radical que perseguiu a protestantes na Inglaterra. Não foi capaz de articular uma permanência do catolicismo na corte após a sua morte, mesmo tendo empregado tentativas de garantir que sua meia-irmã se convertesse à religião da Santa Sé. Morreu de câncer no útero, com muitas dores, crendo que estava grávida. Em 1558, assumiu o trono da Inglaterra Elizabeth I, protestante, que governaria até 1603.



Elizabeth I



Por mérito ou por sorte, o governo de Elizabeth pode ser considerado um período de sucesso administrativo. Conciliada com um Parlamento sólido, Elizabeth fez um governo de conciliação nos aspectos religioso, político e, até econômico.

Enfrentou a resistência espanhola, que não admitia a supremacia protestante inglesa, e acabou destruindo a Invencível Armada em 1588. Além disso, é sabido que Elizabeth I patrocinou expedições piratas ao Novo Mundo, o que, aos poucos, conferiu superávit nos cofres do Estado Inglês.

Nunca se casou e deixou o trono sem legar herdeiros, o que configurou o fim da dinastia Tudor. Seu primo, Jaime I, rei da Escócia, assumiria o trono da Inglaterra.



Revolução Puritana



O período de governo de Elizabeth consolidou o protestantismo na Inglaterra e, por mais que houvesse sido um governo essencialmente absolutista, conferiu ao Parlamento respeito e importância.

Em 1215 fora determinado por pressão de burgueses e nobres ingleses que qualquer medida econômica tomada pelo rei deveria contar com aval do Parlamento, que deveria ser convocado e referendar as decisões. Esse documento, imposto ao rei João Sem-Terra, ficou conhecido como Carta Magna. Ainda que, imediatamente haja causado mal-estar na monarquia, a Carta Magana passou a ser uma diretriz muito importante para a fiscalização dos governos ingleses por parte da burguesia e baixa nobreza.

Em 1603, assumiu então o trono, o rei Jaime I, presbiteriano, que praticou um governo religiosamente conciliatório, inclinando-se ao catolicismo ao final de seu governo. Morreu em 1625 e legou a Inglaterra a seu filho, Carlos I.

Carlos I era um absolutista convicto que não creditava valor ao Parlamento. Sua inciativa de se aproximar de lideranças católicas deixou a ala protestante muito preocupada. Em 1628 o Parlamento fez uma Petição de Direitos, exigindo que Carlos I respeitasse a Carta Magna de 1215, ou seja, não aumentasse impostos sem a consulta do Parlamento. A Petição foi assinada, mas o rei nunca a respeitou.

Além dos desgastes com a economia e a postura arrogante do rei, o Parlamento, essencialmente protestante, viu com muita irritação Carlos I dar um apoio muito tímido à Liga Evangélica durante a Guerra dos Trinta Anos. A gota d’água, porém, seria a implementação de um imposto, denominado de Ship Money, que era cobrado sobre todo produto que entrasse ou saísse da Inglaterra via mar. Sem mais tolerar a petulância de Carlos I, o Parlamento organizou um Exército próprio, denominado de Exército de Novo Tipo e deflagrou uma guerra civil contra o monarca. A guerra, que começou em 1642, estendeu-se até 1649 e acabou com a decapitação de Carlos I é conhecida como Revolução Puritana e se trata da primeira fase da Revolução Inglesa. A maior conquista dessa guerra foi o estabelecimento definitivo do Parlamento inglês. Como já dissemos anteriormente, o Parlamento não era homogêneo e durante o conflito, surgiu uma liderança em meio à banda pobre dos parlamentares. De origem puritana, Oliver Cromwell mostrou-se um grande incentivador e estrategista. Ao final do conflito, o Parlamento viu nele a chance de estabelecer um líder e, portanto, foi eleito 1º Ministro.



Era Cromwell



Oliver Cromwell implantou a República na Inglaterra, solidificou o domínio inglês na Escócia e na Irlanda e uniu o Parlamento em torno do ATO DE NAVEGAÇÃO. Esse ato determinou que qualquer produto que chegasse na Inglaterra deveria vir em navios ingleses ou em navios dos países de origem da mercadoria. O objetivo era eliminar os intermediários, uma ação clara contra a Holanda, por exemplo, maior negociante europeu e que distribuía recursos terceirizados por todo o continente. A própria Holanda e também a Espanha sentiram o furor da nova Armada Inglesa que arrasou seus inimigos.

Mas não era só alegria e sucesso no comando da Inglaterra. Em 1653 Cromwell dissolveu o Parlamento e declarou-se Lorde Protetor da Inglaterra, ou seja, era um tipo de rei sem sê-lo por direito.

Cromwell governou com força, mas não tinha condições de garantir um herdeiro. Seu filho, Richard Cromwell até assumiu o título de Lorde Protetor, mas, incapaz de impedir a resistência ao seu governo dentro do Parlamento, acabou afastado do cargo pelo Exército que trouxe a Monarquia de volta.



Revolução Gloriosa



Entre 1660 e 1685 a Inglaterra foi governada por Carlos II que procurou fazer um governo de conciliação com o Parlamento, mas também com Católicos. Permitiu a liberdade de culto aos católicos mas aprovou leis progressistas que foram celebradas por burgueses e proprietários de terras. Morreu sem deixar herdeiros e foi substituído por seu irmão, Jaime II.

Jaime II manteve sua política pró-catolicismo e o Parlamento não parecia mais ter disposição em tolerar aventuras absolutistas. Esse Parlamento aproveitou-se da proximidade de Guilherme d’Orange com a monarquia inglesa – era genro de Jaime II – e lhe fez uma proposta de assumir o trono com poderes limitados. Jaime II não teria oferecido resistência e Guilherme d’Orange assumiu o governo, mas não antes de assinar a Bill of Rights, ou nota de direitos, que implicava em subjugar a autoridade do rei a autoridade do Parlamento. Desde então, na Inglaterra, o rei reina, mas não governa. Esse episódio é conhecido como Revolução Gloriosa (1688) e foi a conclusão do processo da Revolução Inglesa.