HISTÓRIA GERAL

21. Revolução Industrial

21. Revolução Industrial

Não existe maior motor da Revolução Industrial do que o aumento populacional. A necessidade de atender um maior número de pessoas cada vez mais rápido provocou o desenvolvimento de novas tecnologias que pudessem produzir mais e de maneira mais veloz.

Mas a Revolução Industrial teria sido impossível sem dois fatores que, necessariamente, devem estar unidos: Capital e Avanço técnico. Sem dinheiro, não há como investir e sem avanço técnico, o dinheiro acaba mal-empregado e migra para as mãos daqueles que se desenvolveram técnica e cientificamente.

A Revolução Industrial também implica na divisão do trabalho. No sistema de produção artesanal, o artesão conhece todo o caminho que se deve seguir até chegar ao resultado final e, ao cabo do seu trabalho, ele tem profunda conexão com seu objeto, o que confere ao produto um alto valor. Porém, como dissemos, o aumento populacional tornou a produção artesanal insuficiente, pois, apesar de precisa, era lenta e cara.

A divisão do trabalho por áreas específicas levou à especialização do trabalho, mas também ao crescente distanciamento do trabalhador de seu objeto. As Corporações de Ofício foram importantes para o aumento da produtividade, mas as manufaturas começaram a dar um grande salto em direção ao atendimento das necessidades coletivas.

Haviam artesãos que não acreditavam na industrialização, pois a qualidade dos produtos cairia e a grande quantidade de produtos levaria todos à falência, devido ao absurdo barateamento. Mas, aqueles que não investiram na modernização dos seus negócios, perderam mercado e acabaram servindo de mão de obra para as fábricas ou terminaram seus dias quase falidos.

Ao longo da Revolução Industrial podemos observar modelos de trabalho bastante específicos. Observe a seguir cada um desses modelos e suas características:

TAYLORISMO: Desenvolvido por Fredrik Taylor, o trabalho é feito em série, onde a velocidade da produção depende do grau de especialização do operário.

FORDISMO: Modelo desenvolvido por Henry Ford, o trabalho é em série, mas conta com a inserção da esteira, uma ferramenta poderosa que permite ao dono da fábrica determinar a velocidade da produção. A tendência nessa fase é uma especificação ainda maior do trabalho.

TOYOTISMO: Desenvolvido por Taiichi Ohno, não produz para baratear a produção, mas para atender às demandas do mercado. Com a diminuição da produção, a qualidade ganha espaço e o produto fica valorizado.

VOLVISMO: Não é exatamente um modelo de trabalho, mas envolve uma política distinta com os funcionários que aprendem sobre o desenvolvimento da produção em toda a fábrica e são inseridos na mesma. São convidados a dar palpites e passam por treinamento frequente para que hajam de maneira a ser parte da empresa e não só da produção. Ocorre aqui uma aproximação da indústria com os sindicatos.

Ocorre que a Inglaterra foi o primeiro país do mundo a reunir as condições ideais para o desenvolvimento da Revolução Industrial. Mas, o que provocou essas condições? É o que veremos a seguir.


O caso da Inglaterra


Desde o século XVI, a Inglaterra consolidou seu mercado interno com medidas que favoreciam o desenvolvimento das manufaturas, o que beneficiou a burguesia. Havia um sistema bancário eficiente e as Grandes Navegações possibilitaram o acúmulo de riquezas por parte do Estado, como demanda o sistema mercantilista. A ideologia calvinista, que valorizava o enriquecimento e o trabalho estava agregada ao desenvolvimento técnico-científico. Ao longo do século XVII, a Inglaterra desenvolveu a Royal Society, a academia britânica de ciências.

Some-se ainda o fato de haver na Inglaterra ampla disponibilidade de carvão e minério de ferro, essenciais ao desenvolvimento das máquinas e primeira fonte de energia, permitiu um salto na produtividade do país.

Além desses elementos, tão importantes, um fator propulsor do uso das máquinas foi o aumento populacional da Inglaterra. Entre 1700 e 1860, a população da Grã-Bretanha saltou de 6,9 para 23,2 milhões de habitantes. Esse salto populacional demandava alimentos, roupa, moradia e ainda oferecia mão de obra em abundância, tão necessária dentro das fábricas.

Mas, essa gente sempre esteve nas cidades? Não! É importante compreendermos a importância dos CERCAMENTOS!

Ao longo do século XVII, manufaturas de tecidos na Inglaterra e nos países baixos estavam demandando mais matéria-prima, no caso, lã. Muitos proprietários de terras passaram a criar ovelhas e cercaram suas terras para proteger a criação. Uma vez que para criar ovelhas o número de funcionários era bem menor que o necessário na produção agrícola, muitas pessoas deslocaram-se para as cidades desempregadas. Ali, encontraram nas fábricas um meio de venderem sua força de trabalho para sobreviverem. Como o número de pessoas nas cidades era maior do que as fábricas poderiam absorver, o desemprego tendeu a se alastrar.

No século seguinte, o algodão substituiu, paulatinamente, a lã. Além de mais barato, era mais leve e promovia maior conforto. De acordo com Divalte, entre 1750 e 1770, as exportações inglesas de tecidos fabricados a partir do algodão aumentaram dez vezes! As máquinas de fiar manuais foram dando espaço para máquinas mais eficazes e o vapor passou a ser uma força motriz da produtividade, acelerando em muito o processo de fabricação de tecidos, dentre outros itens.


Inovadores e inovações


A Revolução Industrial foi uma fase riquíssima para o desenvolvimento de tecnologia e o avanço da ciência. Algumas figuras se destacam pela importância de suas descobertas. Seguem alguns:

Thomas Newcomen: (1698) Inventor da máquina a vapor, usava como conceito a ideia de provocar calor numa caldeira e a pressão do vapor empurraria pistões de ferro fundido. Sua máquina era utilizada em minas que acabavam ficando alagadas pela ação da água.

Richard Arkwright: Em 1713 desenvolveu um tear cuja força motriz era a água corrente. Enquanto o tear de Newcomen precisava de uma força humana para empurrar a manivela, o tear de Arkwright dispensava o trabalho humano.

James Hargreaves: Em 1767, transformou a máquina de fiar manual em uma máquina mecânica, na qual, com uma manivela, conseguia fiar oito fios onde antes se fiava um de cada vez. Depois de alguns operários destruírem sua máquina, desenvolveu outra com capacidade de tecer 16 fios e realizar o trabalho de 100 homens.

James Watt: Era grande estudioso da física e lhe intrigava a capacidade de gerar força mecânica a partir do calor. Em 1763 recebeu uma máquina de Newcomen para arrumar e descobriu que a máquina perdia energia, ou seja, calor, durante o trabalho. Watt fez ajustes ao longo dos anos e desenvolveu um motor a vapor capaz de aumentar a potência da máquina de Newcomen em 75%! Sua primeira máquina foi instalada em 1776.


Consequências da Revolução Industrial


O desenvolvimento tecnológico nunca chegará ao fim. A Revolução Industrial não é um fato passado, mas algo permanente. Podemos, entretanto, observar marcos ao longo do tempo que caracterizam fases importantes da Revolução Industrial.


1ª fase: Fonte de energia – Carvão; Símbolo – Locomotiva (Motor a Vapor)

2ª fase: Fonte de energia – Petróleo e eletricidade; Símbolo – automóvel

3ª fase: Fonte de energia – sustentável; Símbolo – robótica, cibernética


Podemos observar que a Revolução Industrial promoveu consequências positivas e negativas.

As locomotivas levaram o homem a distâncias cada vez maiores em menos tempo, possibilitando o melhor contato entre todas as partes do mundo, o incremento na velocidade da comunicação. Além disso, navios poderiam cruzar Oceanos mais rapidamente, trazendo e levando informações mais atualizadas ao redor do mundo.

A produção de recursos aumentou e, ainda que as condições de trabalho fossem muito ruins, muita gente que saiu do campo tinha algum emprego nas cidades. Alimentos puderam ser conservados por mais tempo, garantindo que as pessoas pudessem se alimentar com maior segurança. Cartas puderam atravessar o mundo graças ao desenvolvimento de códigos postais.

Mas, claro, não eram só flores. Como disse acima, as condições de trabalho eram muito ruins. De fato, haveria mais gente desempregada se não fosse pela indústria, mas as jornadas de trabalho eram árduas.

Os salários eram baixíssimos e as condições de vida nas cidades eram horríveis. Acidentes de trabalho culminavam na exclusão do indivíduo e a fome provocava banditismo. Com o tempo, ideologias libertárias e de resistência à exploração dos trabalhadores começaram a levar muitos a agir contra o sistema. Sobre as mobilizações operárias, vá ao tópico 29.