HISTÓRIA GERAL

23. Independência dos Estados Unidos

23. Independência dos Estados Unidos

A Guerra dos Sete Anos (1756-1763)

Depois da difícil fase de adaptação ao Novo Mundo, os colonos britânicos foram se adaptando, não apenas ao clima, mas à presença indígena e mesmo às condições para plantio. Com o tempo, prosperaram e cresceram. A América parecia um Oceano de terra produtiva, pronta para ser explorada. Assim, conforme a população colonial foi crescendo, parecia natural que os colonos se deslocassem para o Oeste.

Porém, a ocupação do oeste americano estava dificultada pela presença francesa na Louisiana, um território francês que se estendia de Quebec, no atual Canadá, até o Sul do atual território dos Estados Unidos. A Inglaterra, por sua vez, estava vivenciando um intenso processo de industrialização e matéria-prima passou a ser um recurso tanto escasso quanto essencial. Assim, os ingleses passaram a adotar uma postura agressiva no Oceano Atlântico, atacando navios franceses com o fim de adquirir riquezas e recursos. A hostilidade inglesa veio sem aviso e a guerra foi inevitável. Potências europeias também tomaram partido no conflito e, a denominada Guerra dos Sete Anos (1756-1763), não esteve restrita ao território continental americano.

Do lado francês estavam Espanha, Áustria e Rússia enquanto os ingleses foram apoiados por portugueses e prussianos.

Ao cabo da Guerra, os Ingleses venceram o conflito, consolidando-se como potência econômica e militar no continente europeu. A França, por sua vez, perdeu o território na América e o rei Luís XV legou para a posteridade uma dívida monstruosa, que ainda seria aumentada por seu neto, Luís XVI.

A Presença Metropolitana Britânica na América


A Guerra custou dinheiro para a Inglaterra que agora precisava sobretaxar os produtos coloniais para lidar com as despesas. Sendo assim, já em 1763, o rei Jorge III proibia os colonos de ocuparem as terras conquistadas durante a Guerra dos Sete Anos. Além de monopolizar o comércio de peles, matéria-prima poderia ser extraída para a Indústria inglesa e terras poderiam ser loteadas para britânicos.

Em 1764, a Inglaterra ainda sobretaxou o melado, produto importado das Antilhas pelas colônias, em troca de tecidos e farinha, para produzir rum. Foi um duro golpe para a economia colonial que ainda viu, em 1765, a Lei do Selo, que se tratava de um papel timbrado com um selo da metrópole sobre o qual deveriam ser publicados os jornais locais. A Lei do Selo foi seguida da Lei do Aquartelamento que obrigava as famílias coloniais a receberem soldados britânicos em suas casas. Essas três leis acabaram sendo repelidas pelos colonos que exigiam o direito de serem representados no Parlamento da Inglaterra. Tal princípio fora a causa da Revolução Gloriosa de 1688 e agora era o pivô da reação colonial. O Congresso do Selo, ocorrido em 1766 forçou a Inglaterra a voltar atrás nas leis de impostos, mas no mesmo ano, a Lei Declaratória concedeu à Inglaterra o direito de controlar a colônia.

Em 1767, mais uma vez suprimindo o direito de expressão colonial e a necessidade de consulta popular, o Parlamento inglês impôs as Leis Towshend, que tarifavam qualquer produto manufaturado ou industrializado que fosse produzido por qualquer uma das 13 colônias. Os colonos sabotaram os produtos industrializados ingleses e passaram a desenvolver um mercado paralelo como forma de reação contra o veto de participação política dos colonos no Parlamento da Inglaterra. Mas a tensão crescia conforme a Inglaterra mantinha soldados controlando e vigiando o comércio local. Em 1770, um grupo de colonos atacou um soldado inglês que foi prontamente socorrido por companheiros que, para dispersar a multidão, atiraram. Três pessoas morreram imediatamente e outras duas mais tarde. O episódio ficou, laconicamente conhecido como o MASSACRE DE BOSTON. O objetivo era impressionar todas as colônias a tomar uma postura mais agressiva contra a Metrópole.

A Inglaterra recuou e a situação se amenizou por alguns anos até que, em 1773, o Parlamento aprovou a Lei do Chá. As colônias produziam chá suficiente para abastecer a Inglaterra, o que prejudicava produtores da Metrópole.

A revolta foi imensa. Em dezembro de 1773, três navios que atracaram no Porto de Boston foram invadidos por colonos disfarçados de índios e jogaram o carregamento no mar. A atitude dos colonos de Boston foi repetida através da costa americana por várias outras cidades. O episódio ficou conhecido como TEA PARTY e a Inglaterra reagiu, em 1774, com o que os colonos denominaram de “As Leis Intoleráveis”, que determinavam, dentre outras coisas:


1. Fechamento do porto de Boston (garantido por uma guarda armada), até que a Companhia Britânica das Índias Orientais fosse indenizada dos prejuízos decorrentes do lançamento do carregamento de chá ao mar;

2. Suspensão das reuniões das colônias de Massachusetts

3. O impedimento de toda e qualquer manifestação pública contra a metrópole;

4. Que todos os julgamentos de crimes cometidos em território americano fossem a critério das autoridades britânicas em suas propriedades;

5. Que os colonos estavam obrigados a proporcionar alojamento e estada de soldados britânicos em suas propriedades;

6. A redução das colônias norte-americanas em favor da ampliação do território canadense;

7. A colônia de Massachusetts foi ocupada por tropas do exército britânico;


A Guerra e a Independência


Os colonos transformaram sua insatisfação em organização. Em 5 de setembro de 1775 foi feito o Primeiro Congresso da Filadélfia pelas colônias, com exceção da Geórgia. Ali os colonos decidiram romper o comércio com a Inglaterra. Essa ação pode ser considerada um primeiro passo na direção de uma declaração de independência e também uma atitude ousada para com a metrópole.

A Inglaterra respondeu proibindo o autogoverno de Massachussets e impondo seu próprio governo direto. Thomas Gage, governador britânico na América, soube da organização de milícias e armamentos em Lexington e Concord e despachou tropas para sufocar a inciativa de organização militar dos colonos, mas suas tropas foram derrotadas pelas milícias.

Teve então lugar o Segundo Congresso da Filadélfia, que assumiu uma postura mais agressiva, nomeou um general – George Washington – para o exército continental. Thomas Paine publicou, em janeiro de 1776, um panfleto, intitulado de Common Sense, com a frase de ordem: é hora de nos separarmos.

A Inglaterra despachou navios para controlar os estados americanos, enquanto Espanha, França e Holanda enviavam armamento e equipamento para os colonos. O governo inglês declarou que os colonos emancipacionistas eram traidores e, em resposta, no dia 4 de julho de 1776, foi feita a DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA.

A Inglaterra tinha o exército mais poderoso do mundo e, portanto, derrota-la era um desafio hercúleo. Os colonos tentaram enfrentar os britânicos em sua estratégia de guerra, mas com menos experiência, menor capacidade bélica, o início do conflito foi arrasador em favor dos ingleses. Somente com a utilização da estratégia de guerrilha, atacando de surpresa e procurando eliminar alvos de altas patentes, os colonos começaram a inverter a Guerra.

Em 1781, finalmente o conflito chegou ao fim com a vitória americana. Em 1783, a Inglaterra reconheceu a independência das treze colônias no Tratado de Paris. Somente em 1787 as treze colônias transformaram-se nos Estados Unidos com a aprovação da Constituição.


Expansão territorial


Após a independência, unificados, os EUA começaram um processo de ocupação e interiorização territorial. Além do saque e perseguição sistêmicos a índios, os americanos incorporaram territórios que pertenciam a espanhóis, franceses, mexicanos e, até russos!

Observe no mapa abaixo o processo de indexação de territórios que compõem atualmente o território dos Estados Unidos.




A Segunda Guerra de Independência


Por ocasião do Bloqueio Continental, a Inglaterra, sem alternativas de comércio, saqueava navios estadunidenses e obrigava a tripulação a prestar serviços forçados. Os Estados Unidos, que procuravam manter uma distância dos assuntos europeus, repudiaram as medidas do Bloqueio Continental e os assaltos ingleses. Um embargo econômico foi disparado para a França e a Inglaterra. Porém, em 1812, a tensão chegou ao seu limite e o presidente dos EUA, James Madson, declarou guerra à Inglaterra.

Mesmo com um poder militar muito superior, a Inglaterra acabou perdendo a Guerra, que se estendeu até 1814. Em 1815 foi assinada a PAZ ETERNA DE GAND, que garantiu o processo de pacificação entre os dois países.


Doutrina Monroe e o Corolário Polk


A postura de não intervenção nos assuntos europeus fazia parte de uma política clara do governo americano de garantir o desenvolvimento interno antes de ocupar-se com a política externa. Em 1823, com uma economia mais sólida e um franco desenvolvimento territorial, o presidente James Monroe (1817-1825) lançou os fundamentos do que seria conhecido como DOUTRINA MONROE. O lema da política era: AMÉRICA PARA OS AMERICANOS. Americanos aqui era um adjetivo tanto quanto um substantivo, aplicado excepcionalmente aos estadunidenses. A Doutrina Monroe sugere duas posturas do governo dos Estados Unidos:

1) Os Estados Unidos não se envolveriam com qualquer assunto europeu.

2) A América – Latina – seria zona de influência dos EUA, portanto, o governo americano não admitiria influência europeia em “sua” área. Seria uma Doutrina orientada pelo DESTINO MANIFESTO, ou seja, a missão dos EUA de levar a civilização ao restante de uma América atrasada, quase bárbara.

Para acentuar a ideia de expansão do progresso estadunidense, surge o chamado COROLÁRIO POLK de 1845, aplicado pelo presidente James Knox Polk, que implicava na indexação de territórios ocupados por europeus unicamente se os habitantes do tal território desejassem o governo dos Estados Unidos, ocorrendo então a anexação sem aviso prévio. Essa política foi aplicada no caso de territórios ocupados pelo México e também Cuba.

Note na imagem abaixo a ideia de progresso americano expressa mesmo para o território dos Estados Unidos. O progresso leva linhas de eletricidade ao interior enquanto bisões, ursos e índios fogem. Ao fundo, navios aportam no território e locomotivas rasgam o território. A ideia do progresso era incompatível com índios, uma perspectiva que se estendia a toda a América.