HISTÓRIA GERAL

27. Revoluções Liberais

27. Revoluções Liberais

Após a queda de Napoleão Bonaparte em 1814, a nova ordem europeia demandou a constituição do Congresso de Viena no qual foram restabelecidos os territórios dos países invadidos por Napoleão, bem como os antigos reis deveriam retomar seus poderes. Entretanto, o iluminismo se espalhara pela Europa e seria muito difícil para os monarcas imporem seus poderes diante de nações mais críticas.

Viram-se revoltas em vários lugares como Nápoles, Porto, na Prússia, e, claro, em Paris. Luís XVIII, que a princípio desejara implantar uma legislação Absolutista, teve que assistir a volta arrebatadora de Napoleão. Posteriormente acabou acatando as determinações do Parlamento e negociou seu poder, cedendo espaço para os interesses do Legislativo. Luís XVIII era irmão de Luís XVI e governou de 1815 a 1824, quando morreu.

Luís XVIII foi sucedido por seu irmão, Carlos X. Este, por sua vez, não admitia ter seu poder subjugado ao Parlamento e acabou tramando um golpe que deveria encerrar o poder Legislativo, tentando ainda censurar a imprensa.

A reação popular não tardou e, na REVOLUÇÃO DE 1830, a população parisiense enfrentou as tropas leais a Carlos X que, derrotado, exilou-se na Inglaterra e foi substituído por Luís Felipe d’Orleans.

O governo de Luís Felipe d’Orleans proporcionou grande avanço industrial e enriquecimento da França. O operariado, porém, andava descontente. Além de grande número de desempregados, as condições de trabalho eram péssimas. O ambiente era fértil para ideais libertários. Na França, alguns intelectuais surgiram sugerindo a organização do operariado em sindicatos ou cooperativas de trabalho nas quais pudessem trabalhar para si mesmos. A tal exploração da burguesia estava sendo posta em evidência. A Revolução não tardou. A mistura de ideais operários com causas burguesas, como o desejo por eleições tornaram as ruas de Paris em pura pólvora. Os sindicatos eram ilegais (só seriam legalizados na França em 1884, na Inglaterra em 1824 – trade unions) e a mobilização popular foi duramente reprimida. Mais de duas mil pessoas morreram nas ruas e mais de 15 mil foram presas. Conhecida como REVOLUÇÃO DE 1848, essa foi uma das mais emblemáticas revoluções de todos os tempos.

Apesar de haver se mantido no poder, no fim do ano, Luís Felipe d’Orleans convocou eleições e assim chegou ao comando da França Luís Bonaparte, ou Napoleão III. A princípio democrático, Luís Bonaparte tinha na veia aquele sangue imperial enrustido. Em 1851, próximo das eleições, não suportou a ideia de sair do comando do país. Deputados liberais ou democratas da oposição foram presos, dissolveu a Assembleia e agregou atribuições do Executivo concedendo ao Legislativo, ou seja, aos deputados, apenas o direito de votar as propostas feitas pelo Ditador. Para legitimar sua posição política, Luís Bonaparte chegou a fazer um plebiscito, no qual 7,4 milhões de franceses teriam corroborado em fazer de Luís, o Napoleão III. Começava assim o Segundo Império da França.

Posteriormente, ao apoiar a causa de Unificação da Itália, expôs seu país a inimigos poderosos, como a Áustria. Para piorar, os prussianos estavam muito próximos de ocupar o trono da Espanha, bem como vinham unificando todo o território germânico. Sentindo-se ameaçado, Napoleão III deu ultimatos seguidos a Guilherme I, imperador da Prússia. Comenta-se, porém, que um desses telegramas teria tido seu conteúdo alterado por Bismarck, chanceler prussiano, que desejava uma guerra contra a França pois, além de desejar a Alsácia-Lorena, região rica em carvão, sabia das condições limitadas do exército francês.

A Guerra foi rápida – de junho de 1870 a maio de 1871 sendo que, em janeiro de 1871, os Prussianos assinaram, no Palácio de Versalhes, a Unificação Alemã. Napoleão III fora preso e a França passou a ser governada por Thiers provisoriamente. Era a Terceira República em curso.

Louis Adolphe Thiers, que fora eleito presidente após o fiasco francês na derrota de Sedan, tentou desmobilizar a Guarda Nacional, exército popular de operários e pequenos burgueses. Assumindo a ideologia socialista, os operários resolveram expulsar ou eliminar burgueses, juízes, monarquistas e proclamar a República de Paris, de viés Socialista. Foi a chamada COMUNA DE PARIS DE 1871 e durou de março a maio no que, até hoje, é tratado por muitos pensadores, como a mais bem-sucedida experiência socialista no mundo. Salários foram abolidas e a administração da cidade era responsabilidade de todos. O trabalho nas fábricas foi fragmentado para que todos tivessem condições de trabalhar.

Thiers fez as pazes com a Prússia, que libertou prisioneiros de guerra e assim o presidente conseguiu empregar a invasão à Paris acabando com a esperança daqueles operários de viverem numa sociedade sem classes.