HISTÓRIA GERAL

28. Ideologias Operárias do século XIX

28. Ideologias Operárias do século XIX

Apesar de o Socialismo ser anterior a Karl Marx, é inevitável pensar que foi o pensador alemão que deu grande vigor e propulsão a essa ideologia, ainda que acompanhado pela mente inquieta e brilhante de Friedrich Engels. Em 1848, a publicação do panfleto MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA, abalou o mundo operário com a frase de ordem: PROLETARIADO DE TODO O MUNDO: UNI-VOS! Isso resume o espírito da ideologia apresentada pelo pensadora alemão.

Havia quem cresse na possibilidade de o capitalismo se destruir de forma natural, como defendiam os socialistas utópicos – Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier.

De maneira geral, os socialistas defendiam justiça social e ajustes significativos na vida dos trabalhadores, como melhores salários, salário mínimo, diminuição da jornada de trabalho, dentre outros.

Mas Karl Marx não defendia a organização do proletariado para brigar por pequenos direitos, o que ele denominaria, talvez, de migalhas. Para Marx, a Superestrutura só seria transformada com uma mudança de mentalidade infraestrutural. Vamos entender melhor a perspectiva de Marx.

Para Karl Marx, a natureza, o mundo material, originalmente atendia os interesses de toda a humanidade. Num determinado momento, com a criação de cidades e, eventualmente, Estados, um grupo de pessoas passou a se apropriar das terras, bens e recursos da natureza, tornando os demais, a grande maioria, em dependentes dos poucos proprietários. A partir de então, ocorre o que Marx denomina de Materialismo Histórico, uma disputa constante entre os donos dos meios de produção e aqueles que vendem sua força de trabalho.

Com o advento do capitalismo, a burguesia intensificou essa exploração daqueles de quem dependia para enriquecer. Para o pensador alemão, os burgueses eram destituídos de mérito ou não tinham mérito maior do que os operários, que, com seu trabalho, garantiam o acúmulo de riquezas nas mãos da elite produtora.

Greves não seriam suficientes para inverter o jogo que acumulava cada vez mais capital nas mãos da burguesia. Assim, para Marx, seria fundamental seguir alguns passos elementares para que o proletariado conquistasse dias melhores.

1) Consciência de Classe – Trata-se de compreender que todo o proletariado, empregado ou desempregado é explorado. Essa consciência de classe, garantidora da ideia coletiva de rejeição ao acúmulo e à desigualdade social, seria importante não apenas para a eventual revolução, mas para o modelo de vida estabelecido após a mesma.

2) Organização do Operariado – O operariado deveria organizar-se em Partidos e/ou sindicatos, capazes de conscientizar a massa de trabalhadores além de prepara-los para a eventual revolução.

3) Por fim, quando o operariado estiver no limite de sua exploração, quando a consciência de classe for absoluta, então deveria ocorrer a Revolução do Proletariado. Essa é uma revolução necessariamente violenta, na qual, segundo Marx, os trabalhadores deveriam tomar de volta o que seu trabalho permitiu aos burgueses conquistarem. Para Marx, aqui não há liberdade de expressão ou democracia. Valeria tudo em nome da igualdade social.

Uma vez que a revolução seja bem-sucedida, caberia então o estabelecimento de uma ditadura do proletariado, o Socialismo, na qual a vigilância permanente deveria garantir que ninguém viesse a acumular qualquer coisa que fosse. Como uma engrenagem, toda a sociedade deveria trabalhar para proporcionar todo o recurso necessário a todos e o próprio trabalho seria então o garantidor de todos os direitos, sendo desnecessário o uso do salário ou, até da moeda.

Quando a consciência de classe for suficientemente sólida, o próprio Estado seria desnecessário, tendo em vista a perfeita sincronia vivida pela sociedade, seria o Comunismo.

Apesar de os defensores de uma sociedade sem Estado e sem propriedade privada estarem unidos quanto à sua causa, havia divergências. Os anarquistas, como Mikhail Bakunin, defendiam a violência revolucionária, mas rejeitavam a ideia de um Estado ditatorial como proposto por Marx. As divergências levaram à ruptura entre eles.

O anarquismo previa uma sociedade sem instituições regulatórias, como Estado, Propriedade Privada e mesmo denominações religiosas. Seria a consciência de classe o norte instrutor de todas as relações.

Vale ressaltar que a ideologia marxista nunca encontrou, de fato, a realidade. Aos movimentos operários, foi mais viável a organização em Partidos e Sindicatos que trouxeram benefícios mais palpáveis e mais rapidamente ao operariado. Desde o século XIX, lenta, mas progressivamente, cada país da Europa foi elaborando sua legislação trabalhista, concedendo assim, paulatinamente, os direitos da classe operária.