HISTÓRIA GERAL

30. Unificação da Itália e da Alemanha

30. Unificação da Itália e da Alemanha

Itália


Desde a Renascença, Maquiavel já sonhava com uma Itália unida e republicana. Foi um longo processo até que a Itália existisse como país. Em 1815, o Congresso de Viena repartiu em vários Estados Independentes o território que atualmente corresponde à Itália. Porém, o espírito de unidade não estava morto. Em função do restabelecimento das monarquias absolutistas após a Era Napoleônica, ocorreram Revoluções liberais e republicanas em Nápoles, Sicília e Piemonte. Todas foram derrotadas, mas mostram a tendência à unidade de parcela da população da Península Itálica.

Em 1831, um intelectual nacionalista, Giuseppe Mazzini, criou um movimento denominado GIOVINE ITALIA, cujo propósito era unificar o país e estabelecer uma república. Mas os austríacos, franceses e a própria Igreja pareciam muito dispostos a dificultar o máximo possível a unificação italiana, tendo em vista a posse de territórios na Península.

Após a febre revolucionária de 1848, na França, a organização de um exército na Itália, com a finalidade de levar a união à cabo se organizou. Em 1849 foi proclamada a República de Roma. No Norte, os austríacos foram temporariamente expulsos, em 1855, com o auxílio das tropas de Garibaldi e do Reino da Sardenha e Piemonte.

Em 1859 uma nova onda toma conta da Península. Mazzini não seria capaz de juntar apoio para o estabelecimento de uma República. Acabou cedendo e juntou-se ao Conde Cavour, representante dos interesses do rei Victorio Emanuelle da Sardenha e Piemonte. Cavour argumentava que o norte, muito mais rico e, relativamente industrializado, era tendenciosamente monarquista alem de contar com apoio da França e da Prússia. Por fim, a Lombardia e os Estados do centro foram anexados.

Em 1860 Garibaldi organizou então um exército de mil homens e empregou uma guerra voraz contra o sul, no episódio conhecido como EXPEDIÇÃO DOS MIL. Apesar dos números r

eduzidos, Garibaldi conseguiu derrotar o Reino das Duas Sicílias. Em 17 de março de 1861 Victorio Emanuelle é proclamado rei da Itália.

A região de Vêneto, ao Norte, ainda pertencia aos austríacos enquanto Roma pertencia à Igreja. Vêneto seria conquistada por Napoleão III, da França em 1866. O acordo costurado entre a diplomacia francesa e o Conde de Cavour – primeiro ministro do Piemonte desde 1852 – determinava que, com a conquista de Vêneto das mãos dos austríacos, este território seria passado ao domínio italiano enquanto Savoia e Nice, então em território Piemontês, seriam entregues para os franceses.

Apesar da voluptuosidade de Garibaldi contra a Igreja, o próprio governo italiano impediu que invadisse as terras da Igreja que seriam indexadas por um exército do próprio rei após uma invasão em 1870. Estava assim, concluída a Unificação da Itália.

É importante salientar que, em cada território conquistado, seja pelo Reino da Sardenha e PIemonte, seja pelas mãos de Garibaldi, após a expulsão dos monarcas, eram realizados plebiscitos junto ao povo sobre a possibilidade de serem reunidos sob o comando do rei Victorio Emanuelle. Esses plebiscitos assentiram positivamente com o domínio do rei do Norte. Quanto a Garibaldi, após as conquistas, entregou altruisticamente o comando de seus homens e as terras conquistadas para o rei Piemontês.

Uma vez unificada, a Itália tinha um pequeno parque industrial ao norte, mas era essencialmente agrícola e dependente economicamente dos produtos industrializados do restante da Europa.

Alemanha

A Alemanha conta com elementos peculiares com relação a seu processo de unificação. Com o Congresso de Viena, a região da Confederação Germânica ficara dividida em 39 Estados Independentes sob o domínio da Prússia e da Áustria. Entre estes dois países haviam inúmeras diferenças de interesses para a região. A Áustria era agrícola, mas dona de uma força militar considerável e de um Império de duas etnias – Império Austro-Húngaro. A Prússia, por sua vez, era industrial e contava com uma zona de livre comércio, o ZOLLVEREIN, da qual a Áustria não fazia parte. Além disso, a Prússia tinha Otto von Bismarck!

Bismarck era de origem JUNKER, ou seja, era de família latifundiária. Os JUNKERS eram donos de grandes propriedades e compunham uma aristocracia muito poderosa na região. Quando Guilherme I assumiu o trono da Prússia, em 1861, sabia que para garantir o predomínio regional era preciso ter o controle do exército. Bismarck empregou guerras para unificar a Confederação Germânica. O nacionalismo vinha inundado de uma tendência imperial-militar que atribuía poderes a Bismarck. A tendência militar e a unificação alemã tinham respaldo de junkers e empresários.

Liderando um exército, a princípio mal equipado, tomou reinos ao norte, declarou guerra aos Austríacos, e, por fim, tomou a Alsácia-Lorena da França. Mas, o que motivou a Guerra contra os franceses? Ninguém duvidaria, à época que a França era a maior potência europeia. A Inglaterra cuidava de assuntos internos. O alto comando do exército francês imaginava que sua superioridade bélica fazia da França um país imbatível.

O parlamento e a Corte da Espanha, que estava sem rei desde 1868, ofereceu a Leopoldo de Hohenzollern o trono do país. Leopoldo era primo de Guilherme I. A França, rival da Prússia desde os tempos napoleônicos, não tinha interesse em se ver cercada por Hohenzollerns. Assim, pressionou a Prússia e fez crescer no país o sentimento anti-germânico. Leopoldo voltou atrás e declinou da oferta espanhola para não gerar um conflito no seio do continente. Entretanto, Napoleão III continuou pressionando os prussianos. Foi assim que Bismarck angariou apoio para atacar a França. As críticas do imperador francês aos alemães acabaram por criar um espírito de unidade que culminou na guerra. Foram duas batalhas – Metz e Sedan – e o suposto poderoso exército francês foi derrotado.

Como seria possível? Bismarck profissionalizou seu exército. Criou academias de instrução militar. Nem sempre funcionou, mas, corrigir erros era um passo importante para redefinir as fronteiras desse novo país.

Os franceses foram derrotados rapidamente e Napoleão III foi feito prisioneiro dos alemães. Era o fim do Segundo Império Francês e o início da Alemanha unificada. Em 18 de janeiro de 1871, no Palácio de Versalhes, após a invasão prussiana a Paris, foi proclamada a Unificação da Alemanha.

A Alemanha nasceu industrial. Nos quarenta anos que se seguiram, a Prússia saiu de um país tangente, para a principal potência industrial da Europa após a unificação. Empresas como Bayer, Bosch, Basf, Krupp&Thyssen surgiram nesse contexto.

O potencial industrial alemão era tão grande que passou a ameaçar o poderio de França e Inglaterra. Esse crescimento acabaria abalando o equilíbrio de forças no continente.