HISTÓRIA GERAL

31. Imperialismos

31. Imperialismos

Por definição, Imperialismo é uma expressão utilizada por Britânicos, na segunda metade do século XIX para se referirem aos territórios que correspondiam ao domínio do país. Mas só essa definição não é capaz de explicar a complexidade do que foram os imperialismos. Para compreender o termo, é preciso relacioná-lo ao grande avanço industrial atravessado pelas grandes potências do mundo, ou seja, Europa industrial, Estados Unidos e Japão. De maneira bem objetiva, o imperialismo é a busca por territórios, seja na África, Ásia ou América, para escoar a produção industrial e extrair matéria-prima. É, essencialmente, um processo de dominação violento, que implica na imposição de produtos e mesmo valores ocidentais sobre os povos dominados.

Ao longo do século XIX, ideologias que valorizavam o progresso, como o Positivismo, por exemplo, proporcionaram condições de se utilizar a teoria biológica de Charles Darwin para o estudo das sociedades. A primeira escola antropológica, surgida com Edward Tylor, sugeria, a princípio, que todos os povos evoluem, porém, em velocidades e intensidades distintas, o que permitiu interpretar que os africanos e muitos povos asiáticos, estariam em graus inferiores de desenvolvimento, logo, deveriam ser dominados. Foi assim que nasceu a justificativa moral para o domínio de territórios não industrializados - MISSÃO CIVILIZATÓRIA. Seria então, dever do homem ocidental, levar a civilização aos povos inferiores.

A industrialização ganhava força. Muitas companhias cresceram e acabaram englobando empresas menores. Essa tendência foi denominada de CAPITALISMO MONOPOLISTA por Lênin, que julgava ser o imperialismo a fase superior do capitalismo - ou seja, uma fase mais agressiva. As indústrias estavam cada vez mais mecanizadas, ou automatizadas, e a mão-de-obra humana perdeu valor - pelo menos para a realização de atividades que agora eram feitas pelas máquinas. Para evitar que surgissem monopólios e milhares ficassem desempregados, em 1890 o Congresso americano aprovou a chamada LEI SHERMAN, ou lei antitruste, que proibia o monopólio de uma empresa num único setor.

Outro aspecto importante a ser destacado é que muitas empresas passaram a se associar a bancos, tanto para investimentos em papéis do governo quanto em busca de bons negócios, seja com o Estado, seja com outros países. Os bancos tinham condições de flexibilizar capitais e permitir investimentos de grande vulto. Essas associações são denominadas de CAPITAL FINANCEIRO. Como se pode notar, o capitalismo realmente atravessava uma fase de grande desenvolvimento, mas os mercados estavam ficando limitados, bem como a matéria-prima. Era preciso expandir. Essa expansão não foi exatamente honrosa, afinal, implicou no domínio violento de territórios muito populosos, porém sem indústrias.


ÁFRICA


A princípio, desde o século XVI, os europeus que chegaram a dominar algum território na África não haviam se aventurado a explorar muito mais do que o litoral. Foi o rei Leopoldo II, da Bélgica, que resolveu se aventurar ao interior do continente e acabou dominando territórios nos quais resolveu implantar pesquisas. Essa iniciativa gerou uma febre entre os demais países da Europa que passaram a cortejar o domínio total do continente africano. Para organizar essa investida europeia à África, Bismarck, ministro alemão, organizou a Conferência de Berlim entre 1885 e 1887, da qual participaram 13 países europeus além de Estados Unidos e Turquia. A corrida imperialista tinha início, bem como a PARTILHA DA ÁFRICA. A divisão não levava em conta os interesses das próprias tribos africanas, tampouco suas rivalidades, história ou cultura. Os próprios europeus ainda tentariam suplantar os acordos e chegaram a brigar por territórios no continente negro.

O domínio desses territórios demandava a instalação de uma infraestrutura na colônia, além do aparato de segurança que pudesse impedir manifestações ou rebeliões. Essa imposição ocorria através de contratos com os líderes locais, que deveriam facilitar a entrega de produtos primários. Qualquer líder mais hostil era logo derrubado e substituído por outro menos agressivo. É importante destacar que cada país tinha um método de dominação. Enquanto a França governava suas colônias diretamente, ou seja, a partir do governo francês, a Inglaterra permitia que companhias de comércio subsidiassem a ocupação. A administração europeia direta determinava que o território africano era uma colônia, enquanto que os que preferiam aliar-se às autoridades tribais locais africanas adminsitravam seus territórios como protetorados.


Guerra dos Bôeres


No sul da África, desde o século XVII holandeses se estabeleceram ali, primeiramente para construir um entreposto que pudesse abastecer navios holandeses que se encaminhavam para as Índias. Posteriormente, fugindo da perseguição religiosa, muitos calvinistas se deslocaram para a região e ali prosperaram como agricultores. Os descendentes dos holandeses foram denominados de Bôeres. Mas a Inglaterra desejava a região. Os ingleses tinham o projeto imperialista de conectar o Cairo, no Egito, ao Cabo, na África do Sul. Após atacarem a tribos e aos próprios bôeres, o governo holandês cedeu o território. Porém, bôeres descontentes deslocaram-se para o nordeste e ali fundaram os Estados de Natal, Orange e República do Transvaal.

Na década de 1860, foi descoberta na região dos Bôeres, grandes jazidas de ouro e diamantes. A descoberta atraiu ingleses, que não eram bem vistos ali. Entre 1880 e 1881 os ingleses tentaram tomar os territórios africanos em posse dos holandeses, mas foram expulsos. Por fim, uma nova investida em 1899 acabou gerando a GUERRA DOS BÔERES (1899-1902). Os holandes foram militarmente ajudados pela Alemanha, que enviou armamentos para a resistência, mas os bôeres acabaram derrotados. A Inglaterra tomou os territórios e os bôeres passaram a ser denominados de afrikaners.






ÁSIA



Índia


A Ásia, assim como a África, também foi objeto de desejo. Porém ali o domínio europeu dividiu espaço com outras potências, como Estados Unidos e Japão. A Inglaterra, detentora da maior parte dos domínios territoriais na Ásia aumentou sua presença militar na região após a era Napoleônica. Além disso, concedeu à iniciativa privada a liberdade de establecer comércio na região. A estrutura militar britânica contava com o apoio do Exército de Cipaios. Esse contingente militar era composto por nativos indianos treinados e armados pelos ingleses.

A produção indiana de algodão passou a ser enviada para a Inglaterra, que manufaturava em larga escala o produto e vendia a preços baratos para os indianos. Entretanto, a produção doméstica de tecidos era base da economia na Índia e muitas pessoas perderam a base de seu sustento. A Inglaterra ainda promoveu a ocidentalização da Índia através da religião, da obrigatoriedade do ensino da língua inglesa nas escolas e impôs a doutrina de vacância. Quando um líder local morria sem deixar herdeiros evidentes, o território era automaticamente absorvido pela Grã-Bretanha. A tensão aumentava. O exército de Cipaios tinha cerca de 300 mil soldados, sendo que pouco mais de 1/7 era de britânicos! Quando o exército britânico passou a determinar que a munição viria em aparatos de couro de porco ou vaca que deveriam ser rompidos com a boca, a revolta estourou. Os Cipaios muçulmanos não comiam porco, enquanto os indianos não comem carne bovina por considerarem o animal sagrado. A imposição inglesa não foi tolerada e a guerra estourou. As chances britânicas seriam mínimas não fosse pela divisão entre hindus e muçulmanos no exército. O movimento acabou duramente reprimido pelos ingleses.

A Índia sempre representou o que havia de melhor dentro do Império Britânico. Carvão, algodão, diamantes, metais preciosos eram apenas algumas das mercadorias que a Índia tinha a oferecer. No século XX, Churchill foi contra a emancipação da Índia. Ele sabia que no dia que a Inglaterra perdesse a Índia, acabaria o Império Britânico. A Índia tornaria-se independente em 1947.

China

Por seu tamanho territorial e populacional, a China sempre foi objeto de desejo dos europeus. Foram os britânicos que conseguiram furar o bloqueio a produtos estrangeiros na China, afinal, eram grandes consumidores do chá chinês, comprado às toneladas dos chineses e revendidos a preços altos na Europa. Os chineses tinham desprezo por qualquer produto estrangeiro e, quiçá, pelos próprios estrangeiros. Mas, sutilmente, os ingleses introduziram, através da Companhia das Índias Orientais, o consumo do Ópio, droga de alto poder de vício, produzida na Índia.

O governo chinês percebeu o perigo e tentou reagir proibindo o consumo da droga no país. O carregamento da droga foi confiscado e os portos foram fechados para os ingleses que repudiaram a decisão, tendo em vista que desejavam inserir tecidos de algodão no mercado chinês. As medidas do imperador chinês precipitaram uma guerra - a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) - que culminou com a derrota da frota chinesa e a perda de territórios importantes, como Hong Kong para a Inglaterra. Os chineses ainda enfrentariam uma Segunda Guerra do Ópio (1858), em virtude de novas investidas ousadas dos ingleses em território chinês não ocupado, perdendo assim, mais territórios.

Com a dominação britânica, o mercado chinês acabou aberto também a outros países e, com eles, os valores e cultura ocidentais. O governo chinês ainda custava a se prostar ao Ocidente e, em virtude disso, passou a apoiar o surgimento de uma ordem secreta cujo objetivo seria combater a invasão estrangeira. A "Sociedade dos Punhos da Justiça" foi criada então para enfrentar os exércitos ocidentais. Precipitou-se a GUERRA DOS BOXERS (1899-1901), com uma derrota profunda para os chineses. Assim, a China seria fatiada pelos interesses ocidentais e a corte chinesa fugiria para o Sião.







Japão

O Japão é um caso muito interessante. Até o século XIX, o poder estava descentralizado nas mãos de senhores feudais, os chamados xoguns, com seus exércitos de samurais. Em 1868, uma mobilização política acabou por unificar o poder do país nas mãos de um Imperador. Começava a ERA MEIJI. Apesar das tentativas europeias de fazer comércio com o Japão, foram os Estados Unidos os primeiros a conseguir quebrar o bloqueio japonês a estrangeiros. Desconfiados de tudo e todos, os japoneses aceitaram negociar com os americanos pois estes convenceram os japoneses de sua superioridade regional.

Usava-se a expressão "arianos honorários" para referirem-se aos japoneses. A princípio os japoneses aceitaram o comércio, mas, com o tempo, o governo japonês passou a avaliar a possibilidade de desenvolver suas próprias mercadorias e máquinas. No livro "O Cruzeiro Imperial", James Bradley trata da organização japonesa em enviar intelectuais para vários países do Ocidente a fim de descobrir o modus operandi da Revolução Industrial. Tratados com profundo zelo pelos americanos, os japoneses viriam a acreditar que eram, de fato, superiores. Aqui estariam as raízes do ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941. Por sua vez, os EUA estavam tentando estender o tentáculos da Doutrina Monroe para a Ásia e não esperavam que o Japão viesse a tornar uma potência industrial em seu hemisfério.

O Japão não apenas se industrializou como também estendeu seus domínios para sua zona hemisférica. Península da Coreia, ilha de Formosa (futuramente Taiwan), Manchúria (nordeste da China), acabaram subjugados pelos japoneses.

AMÉRICA


Na América, os EUA se consolidavam como potência industrial isolada. Em 1823, o presidente James Monroe enunciou uma política externa que serviria de bússola para o governo de seu país por muitos anos. Trata-se da DOUTRINA MONROE, cujo lema AMÉRICA PARA OS AMERICANOS sugeria a não-intervenção estadunidense em assuntos europeus bem como, nas entrelinhas, a resistência à intromissão estrangeira em assuntos pertinentes à sua zona hemisférica. Essa tendência se viu claramente no trato com os países da América Latina. Mas, um caso que merece especial atenção é o caso de Cuba, cuja independência foi proclamada pelos Estados Unidos e acabou tornando-se protetorado americano em 1898 após a Guerra Hispano-Americana.

No início do século XX, Theodore Roosevelt (1901-1909) estendeu a política de dominação hemisférica americana para a Ásia. Além disso, a intensidade de domínio estadunidense no continente se mostraria através de intervenções, mesmo militares, como no caso da independência do Panamá, que pertencia à Colombia e acabou servindo de base para os interesses americanos com a construção do Canal do Panamá, facilitando a passagem de navios do Atlântico para o Pacífico. Essa nova fase da política externa americana ficou conhecida como BIG STICK, ou seja, falar manso, mas usar da força quando necessário. É interessante notar que esse projeto americano també, contava com sua dose de crença numa Missão Civilizatória, cuja crença de que os estadunidenses eram arianos, superiores aos demais americanos e asiáticos, levou-os a propagandear seu direito de dominar o mundo.










CONCLUSÕES

Como se pode notar, as potências industriais do mundo estavam dotadas de arrogância e voracidade por territórios. Essa corrida por matéria-prima e escoamento de produção industrial estava agregada de intenso nacionalismo. As rivalidades levariam o mundo a uma tensão sem precedentes. Por sua vez, os territórios ocupados empobreceriam significativamente, perderiam milhões de vidas e não receberiam qualquer infraestrutura política para sobreviverem em paz após a saída dos europeus.