HISTÓRIA GERAL

32. I Guerra Mundial

32. I Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial deve ser entendida como uma disputa de Imperialismos. Uma guerra que envolveu o desenvolvimento de força bélica jamais vista, empregou o uso de aviões para fins belicosos e deixou um profundo trauma físico e mental pelo continente europeu.

A Grande Guerra poderia ter sido evitada, mas a questão é que as grandes potências não quiseram evita-la e fizeram de tudo para se prepararem para o embate. Não houve uma crise ou falência da diplomacia, esta não foi utilizada para evitar, de maneira convincente, o conflito.

O surgimento da Alemanha e da Itália no cenário europeu desequilibrou as forças econômicas e industriais do continente que, até então, estavam concentradas entre Inglaterra e França como superpotências, seguidas de longe pelos Países Baixos.

Os Nacionalismos geraram intensas rivalidades em todo o continente. A industrialização era utilizada como meio de expor o poder de cada país. Além das rusgas nacionalistas industriais, some-se ainda as rivalidades militares. Primeiramente, a Guerra Franco-Prussiana, que implicou na derrota francesa e perda da Alsácia-Lorena para a Alemanha. Não foi só a vitória alemã, mas o fato de haverem tomado um território importante para a indústria francesa além de a Proclamação da Unificação alemã haver ocorrido no Palácio de Versalhes, após a prisão de Napoleão III e a invasão a Paris. Os franceses não pareciam querer esquecer tão facilmente das hostilidades sofridas.

Uma outra rivalidade militar importante nesse cenário estava desenhada entre Rússia e Turquia. A derrota russa para os turcos (que contaram com preciosa ajuda Anglo-Franco-Sarda) ficou engasgada, afinal, o Império Russo era, até então, considerado a maior potência militar terrestre do continente, com seus 800 mil soldados.

Um terceiro caso de rivalidade, resultado de nacionalismos se deve à dinastia dos Habsburgos, na Áustria, que desejavam formar um Império de três etnias – austríacos, húngaros e eslavos. Esse projeto, porém, não agradava aos húngaros e aos eslavos! A intervenção austríaca era vista como arrogante, opressora e imperialista.

OTTO VON BISMARCK, chanceler alemão, sabedor do espírito hostil dos franceses, procurou construir uma aliança econômica-militar com o Império Austro-Húngaro e Itália em 1882. A ideia era a de que, além de representar um eixo forte para seu comércio - afinal, Itália e Áustria não tinham indústrias em condições de competir com o poderio alemão e tinham um forte mercado consumidor – a chamada TRÍPLICE ALIANÇA, representava uma aliança militar que não teria rival na França.

Essa atitude preventiva de Bismarck buscava determinar a paz no continente. Entretanto, quando Guilherme II assumiu o trono do Império alemão, demitiu Bismarck e passou a adotar uma política externa mais agressiva, na qual implicava em resgatar o que julgava ser de propriedade alemã na África. Bismarck havia negociado territórios menores para manter o equilíbrio das forças e das hostilidades na Europa.

atitude do novo imperador alemão acabou provocando uma segunda aliança: a TRÍPLICE ENTENTE, formada por França, Inglaterra e Rússia. Essa era uma aliança improvável em inúmeros aspectos, tendo em vista que França e Inglaterra combateram a Rússia na Guerra da Crimeia, além de França e Inglaterra serem potências rivais. Isso mostra o quanto a Alemanha era vista como um risco, afinal, a ENTENTE sinalizava um aumento de tensão no continente.

Após uma fase de muitas guerras, imperialistas ou civis, a Europa atravessou uma fase conhecida como PAZ ARMADA. Conhecidas as estratégias e falhas de seus adversários em campo de batalha, as potências industriais reestruturaram seus exércitos e passaram a implementar produção de armas mais modernas em série. Os sistemas de alistamento militar foram revistos e o treinamento passou a visar mais a prática do combate do que a simples manutenção da hierarquia ou a atividade policial.



Atendado em Sarajevo


Francisco José e Sissi, imperadores da Áustria, haviam perdido seu único filho num suposto suicídio. Assim, o herdeiro do trono do Império passava a ser Francisco Ferdinando, sobrinho do imperador. Porém, Ferdinando não contava com as graças do tio por haver se casado com Sophie, de grau nobiliárquico inferior ao desejado, pois, apesar de ser da nobreza Boêmia, não era da realeza. Dessa forma, nos jantares, festas e reuniões formais, Ferdinando não poderia comparecer com sua esposa. Porém, na legislação austríaca havia uma brecha que permitia exceções para paradas militares.

Assim, em junho de 1914, Francisco Ferdinando foi com sua esposa para a Bósnia, a fim de conferir a colônia austríaca. No país vizinho, a Sérvia, havia a forte impressão – não sem razão – de que Francisco José pretendia estender os domínios austríacos para a Sérvia. Isso motivou um grupo nacionalista Sérvio, denominado Mão Negra, a deslocar-se para a Bósnia a fim de, por meio de um atentado terrorista, eliminar o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro. Houve uma série de impasses entre os próprios terroristas, mas, no dia 28 de junho estavam seis deles dispostos ao longo do caminho em que passaria o nobre austríaco e sua esposa.

Os dois primeiros terroristas, por algum motivo, não conseguiram armar suas granadas. O terceiro arremessou sua granada, mas esta rolou até o carro que vinha imediatamente atrás dos visitantes e ali explodiu, ferindo gravemente o motorista deste, que foi levado imediatamente para o hospital.

A carreata foi interrompida e Francisco Ferdinando foi levado para a prefeitura da cidade com sua esposa. Ali ele repreendeu severamente o prefeito da cidade. Um plano para sua volta foi imediatamente traçado. Uma nova rota foi elaborada, mas, esqueceram de avisar o motorista do carro. Durante o percurso para a estação de trem que levaria o casal de volta para a Áustria, Francisco Ferdinando avisou ao motorista da necessidade de alterar o caminho. Na conversão, o motor do carro parou de funcionar, justamente em frente a Gavrilo Pincip, o sexto terrorista! Dois tiros foram disparados, sendo um no estômago de Sophie e outro no pescoço de Francisco Ferdinando. Os dois morreram poucos minutos depois e estava aceso o pavio do Barril de Pólvora.

A Sérvia, que tinha um tratado de amizade e reciprocidade com a Rússia, desde 1838, foi pressionada pelo Império Austro-Húngaro que acabou por declarar guerra à Sérvia. A Rússia, a fim de defender os interesses eslavos, mobilizou suas tropas contra o Império Austro-Húngaro, que rapidamente foi socorrido pela Alemanha, que declarou guerra à Rússia. A França e a Inglaterra vieram em socorro dos russos, como previamente determinado pela TRÍPLICE ENTENTE. A Itália, que alegara entrar em guerra apenas na eventualidade de um ataque, sugeriu que as hostilidades teriam sido abertas, em seu entendimento, pela TRÍPLICE ALIANÇA e acabou mudando de lado, entrando na guerra apenas em 1915, ao lado da Entente! O Império Turco-Otomano, por sua vez, declarou-se favorável à causa dos alemães e entrou na guerra em apoio à Aliança. Estava decretada a Grande Guerra, futuramente denominada de I Guerra Mundial.

A Guerra

Todas as forças da guerra criam que ela seria rápida. O fervor nacionalista, no entanto, não os preparou para a coisa mais básica de uma guerra, o adversário. A princípio, o deslocamento de tropas foi massivo e os embates cara a cara foram ferrenhos. No princípio da guerra, as principais potências, ou seja, Inglaterra, França e Alemanha, se equivaliam em termos de equipamentos. Aviões eram utilizados para visualização das tropas e metralhadoras, bem como rifles, eram equivalentes em número e potência. O que poderia desequilibrar o conflito seria a estratégia e, no começo, quem levou a melhor foram os alemães.

O objetivo alemão era uma guerra rápida até chegarem a Paris e derrotarem rapidamente a França. Porém, ao invés do embate direto, os alemães tentaram flanquear a França, invadindo a Bélgica. Os belgas foram rapidamente derrotados, e os franceses acabaram enfrentando duras derrotas em seu território.

Mas, ainda em 1914, os franceses resolveram criar uma linha de proteção de trincheiras. Nesse instante, a guerra ganhou uma dinâmica diferente, mais lenta. A ideia era desenvolver um ponto de defesa, dificultando a progressão do exército adversário. Por isso, em 1915, a guerra se arrastou morosamente.

A tecnologia de guerra passou a ser bastante incrementada, com a utilização intensa de morteiros, canhões de longo alcance e inclusive o gás de cloro, que dificultava a visão e causava irritação em quem respirava o gás.

Aviões passaram a ser utilizados, tanto como bombardeiros quanto como caças. As condições insalubres das trincheiras também fizeram suas vítimas além das tentativas pouco competentes dos generais de ambos os lados em tentarem romper, com infantaria, as linhas de defesa dos adversários. O número de mortos crescia exponencialmente e os reservistas já não estavam sendo suficientes. Os europeus passaram a buscar então em suas colônias soldados que pudessem ingressar no combate. A França tinha diversas divisões de argelinos, bem como os ingleses tinham inúmeras divisões de indianos, dentre outros.

O ano de 1917 começou com a demonstração clara de cansaço de todos os países na Guerra. A Rússia, que custara a desenvolver uma Revolução Industrial e tinha uma produção insuficiente de recursos para a guerra e para a própria população civil, era administrada por uma monarquia caquética e incapaz de reconhecer as limitações do próprio país.

A pressão foi intensa na Rússia que acabou retirando-se da Guerra em fins de 1917 – formalmente apenas em 1918, com a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk. O maior temos de Inglaterra e França era o de que com a saída da Rússia, a frente de combate Oriental da Alemanha se somasse à frente Ocidental, o que significava um futuro negro para ingleses e franceses na guerra. Foi a providencial intervenção dos EUA que acabou impedindo a vitória alemã e dando um fim definitivo ao confronto.

Mas, aqui caberia uma pergunta importante: Se os EUA tinham uma política externa de isolacionismo hemisférico, o que haveria motivado sua intervenção na Guerra? Observe o quadro abaixo:



A I Guerra Mundial terminou apenas em 1918. Com um saldo de 9 milhões de mortos, e sem contarmos feridos fisicamente ou mentalmente, a Grade Guerra pode ser considerada uma experiência absolutamente traumática para os europeus. Suas cidades estavam devastadas, a guerra alcançou a sociedade civil, destruindo casas, fábricas e matando pessoas inocentes. A infraestrutura dos países que se envolveram na guerra estava profundamente afetada. Podemos considerar como consequências da Guerra alguns fatores como:

  • Enfraquecimento do Império Britânico;
  • Fim do Império Alemão;
  • Fim do Império Turco-Otomano;
  • Fim do Império Russo;
  • Surgimento da Polônia;
  • Restauração da Sérvia, Montenegro e Romênia;
  • Devolução da Alsácia-Lorena à França;
  • Itália perdeu sua colônia na África;
  • Criação da Liga das Nações (transformada em ONU após a II Guerra Mundial).

Mas, nenhum país sofreu após o fim da Guerra como a Alemanha. Em 1919, no TRATADO DE VERSALHES, as potências vencedoras reuniram-se com o fim de decidir o que fazer com os alemães no pós-guerra. Dentre as medidas impostas aos alemães, podemos citar:

  • Culpada pela Guerra;
  • Perdeu territórios para Dinamarca, Bélgica, Polônia e Lituânia;
  • Perdeu as poucas colônias que tinha;
  • Dívida de Guerra;
  • Redução do efetivo militar a 100 mil homens;
  • Fim do Império e República de Weimar;
  • Confisco de Navios e aviões.




O Espírito revanchista estava profundamente arraigado nos europeus ao punirem a Alemanha. O ódio e o nacionalismo não foram vencidos de forma que há certo consenso entre os historiadores no que tange a sugerir que a Primeira Guerra Mundial lançou os fundamentos da Segunda Guerra, que ocorreria 21 anos mais tarde.

Importante é compreendermos que a Grande Guerra ocorreu por razões imperialistas. Se não fosse pelo atentado a Francisco Ferdinando, é muito provável que as potências industriais teriam encontrado outro motivo para entrar em Guerra.

Outras consequências da Guerra estão relacionadas a aspectos tangentes ao conflito. As mulheres passaram a ser muito mais solicitadas dentro das fábricas, o que obrigou a uma nova acomodação familiar. Ao lado, a propaganda francesa procura criar a consciência de que o labor feminino seria fundamental para o esforço de guerra. Note que, na imagem, enquanto a mãe amamenta e cuida da filha, ela está imersa no local de trabalho. Assim, percebe-se que o governo demandava, em tempos de guerra, um aumento dos esforços. Além disso, o cotidiano dos civis passou a ser cercado de privações que se fizeram sentir, inclusive no Brasil, com falta de farinha, combustível e até papel. Após a Guerra, uma nova página da construção estaria por ser escrita, uma vez que a mulher se provara absolutamente competente no mercado de trabalho e não desejava perder sua emancipação e liberdade. De forma crescente as mulheres passariam a lutar por seus direitos de igualdade social, política e jurídica.



















Abaixo algumas imagens da Guerra:


Alemães utilizando o gás de cloro.


Mapa da Europa após o início da Guerra, quando a Itália mudou de lado e passou a apoiar os aliados - 1915.


Soldado estadunidense utilizando metralhadora.


Soldados alemães entrincheirados.

"Não desperdice pão" diz a propaganda britânica, que ainda diz para que se economize duas fatias por dia.

Propaganda anônima russa, sugerindo o esforço de guerra feminino.