HISTÓRIA GERAL

34. Crise de 1929

34. Crise de 1929

Durante a I Guerra Mundial, a indústria europeia ficou praticamente estagnada e, eventualmente, destruída. Enquanto isso, a outra potência indústria, os EUA, produziam para si e para o resto do mundo, compensando a lacuna deixada pela indústria europeia. Em termos puramente econômicos, foi uma fase de ganho inimaginável de capital para os estadunidenses. Mesmo após o conflito, coube aos Estados Unidos oferecer produtos industrializados, bem como gêneros agrícolas. Mesmo para a reconstrução dos países envolvidos na Grande Guerra, o governo americano aprovou planos de ajuda e reconstrução que visavam, para além do altruísmo, permitir que esses países tivessem, em alguma medida, condições de pagarem suas dívidas para com os EUA.

Muitos pesquisadores sugerem que os Estados Unidos se transformaram no celeiro do mundo.

Apesar de defenderem o liberalismo econômico, muitas empresas desenvolverem trusts, holdings e cartéis para concentrar renda. O dinheiro do lucro, não raramente, Não era reinvestido na própria produção, o que poderia gerar mais empregos. Apesar de todos esses erros, a sensação era a de prosperidade econômica.

Muitos pesquisadores sugerem que os Estados Unidos se transformaram no celeiro do mundo. A indústria civil e de ferro empregavam grande número de pessoas e, mesmo com a intensa imigração, o desemprego girava em torno de 4%! O momento propício para o consumo desenvolveu um estilo de vida que também era vendido. O American Way of Life, que se desdobrava numa série de propagandas como as que se vê abaixo:


Porém, com o final da I Guerra Mundial, paulatinamente a economia europeia começou a recuperar-se, especialmente no setor agrícola. Cada passo em direção da recuperação da economia europeia implicava no acúmulo de recursos e produção nos EUA. Em seu livro “Capitalismo Gângster”, Michael Woodwiss declara que, desde o fim da I Guerra Mundial, investidores faziam orgia com dinheiro. Criavam empresas fantasma para vender ações na Bolsa de Valores. A corrupção tornou-se o único jeito de se fazer negócios.

Enquanto isso, a economia europeia se recuperava e o estoque nas empresas estadunidenses não parava de crescer. Muitos investidores perceberam, desde meados de 1929, que as coisas poderiam piorar muito. Em outubro, na fatídica terça-feira negra, a Bolsa abriu com um volume incomum de ações para venda. A desvalorização de produtos, sejam industrializados ou agrícolas foi inevitável. Ocorrera uma crise de superprodução atrelada a exageros em negócios desonestos. Quem tomou empréstimos ou comprou a prazo não conseguia pagar seus credores que, por sua vez, não conseguiam pagar seus próprios credores ou suas mercadorias. Foi um caos em cadeia que atingiu, não apenas o mercado americano, mas a economia do mundo, especialmente aquelas apegadas a um único produto.

Em História dos Estados Unidos, da Editora Contexto, lê-se que muitos especuladores perderam, de uma vez, tudo que haviam investido. Os jornais teriam reportado 11 suicídios de investidores de Wall Street.

Os dados são um tanto incertos, mas nos três anos que se seguiram ao CRASH DA BOLSA, entre 5 mil e 9 mil bancos teriam falido. A produção industrial caiu 46%, o PIB diminuiu um terço. Até 1932, 15 milhões de pessoas – o que significava 25% da população economicamente ativa – perdeu o emprego!

Um caso importante de ser lembrado é que muitos negros foram vistos como pivôs da crise! Devido a estarem desempregados, a crise era apontada como fruto da vadiagem e do “sangue impuro” dos negros. Terras pertencentes a famílias de negros foram desalojadas e viu-se um crescimento de ideologias nacionalistas, como a Ku Klux Klan, que intensificou suas atividades. Vagas que outrora pertenciam aos negros, foram ocupadas por brancos, aumentando a miséria dos negros que sequer tinham acesso aos direitos civis – o que ocorreria na década de 1960 apenas.

A crise carecia de uma solução urgente. O então presidente dos Estados Unidos, Herbert Hoover, nada conseguiu fazer para estancar ou frear o declínio da economia. Sem dinheiro, o próprio Estado não tinha condições de manter seus serviços. Implantou a lei seca, como uma tentativa de impedir a propagação da vadiagem ou dos maus costumes, mas deixou de arrecadar muito dinheiro com a medida, além de alimentar o mercado negro e patrocinar a institucionalização da máfia.

Nas eleições de 1932, quando tudo parecia perdido, Franklin Roosevelt venceu as eleições prometendo resgatar a economia e a sociedade americanas.


New Deal


De acordo com Flávio Limoncic, o diagnóstico da crise “era o de que a economia norte-americana tinha capacidade de produzir muito mais bens e serviços do que a sociedade era capaz de consumir e, portanto, tornava-se necessária uma combinação de duas políticas: por um lado, buscar que a economia produzisse menos e, de outro, elevar o poder de compra dos assalariados, de forma a dar-lhes maior capacidade de consumo.” LIMONCIC, Flávio. In.: New Deal – Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX. Ed. Campus.

Com o diagnóstico em mãos, Roosevelt elaborou, a partir do KEYNESIANISMO, uma solução para a crise econômica denominada de NEW DEAL. De acordo com John Maynard Keynes, o Estado deveria intervir cuidadosamente na economia, a fim de garantir o emprego e o equilíbrio social. Seria o responsável por manter a construção e manutenção de obras públicas, garantindo com isso o emprego e a geração de renda, afinal, uma vez que recebessem os salários, os funcionários deveriam gastá-lo.

O processo de recuperação da economia mundial durou até mesmo ao longo da II Guerra Mundial. Os EUA conseguiram recuperar-se, ao custo do aumento significativo de impostos. Sua estrutura político-econômica, conhecida como ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL, passou a ser adotada em outros países que, paulatinamente, conseguiram se recuperar economicamente.

Os bancos passaram a receber ajuda do governo, bem como o estabelecimento de uma série de agências federais para o estabelecimento de empregos. Para piorar a situação, uma seca contínua tomou conta do país ao longo da década de 1930. Para os agricultores era ruim, mas, para garantir seu sustento e o preço das mercadorias, em muitos lugares o governo americano passou a pagar para que se produzisse menos! Para os pequenos produtores o incentivo foi negativo, mas a intenção era recuperar os preços dos produtos no mercado. As medidas não agradavam a todos, mas visavam resolver o problema a longo prazo.

Por fim, vale ressaltar que o Estado do Bem-Estar Social inchou o setor público e cobrou seu preço em impostos cada vez mais caros. A qualidade dos serviços poderia deixar a desejar e reclamações eram aceitas, mas deveriam ser feitas a quem mandava e pagava as contas, ou seja, o próprio governo!

Não se deve confundir o Estado do Bem-Estar Social com o socialismo. Apesar de haver a presença do Estado junto à economia, em grande medida a intenção seria a de manter a liberdade de mercado e visar o aumento de consumo e produção. Apesar de uma preocupação social básica, o keynesianismo não nega a importância do capitalismo, negando apenas a regulação automática do mercado com a mão invisível, como sugeriam os capitalistas ortodoxos.