HISTÓRIA GERAL

35. Nazismo e Fascismo

35. Nazismo e Fascismo

Muitos pesquisadores costumam dizer que a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi a continuação da Primeira (1914-1918). Outros sugerem uma guerra de mais de 30 anos. Fato é que não dá para pensarmos a Segunda Guerra Mundial separada da Primeira Guerra. Mais do que isso, a Segunda Guerra Mundial está profundamente vinculada a ideologias de viés nacionalista e totalitário.

É incorreto sugerir que o Nazismo ou o Fascismo eram inevitáveis na Europa. Mas é verdade também que sua ascensão se deve, em grande medida, a erros diplomáticos metodicamente cometidos, não só dentro, mas também fora da Alemanha. Além disso, é importante salientar que essas ideologias nunca foram unanimidades, sequer foram a maioria na Alemanha e na Itália. Mas também é importante compreender que foram ideologias com forte apelo popular.

Para compreender a ascensão meteórica do Nazismo e do Fascismo, vamos olhar com maior cuidado para a Europa do pós-Guerra e depois para cada um dos países que alimentaram o monstro dos totalitarismos, começando pela Itália e depois estudando o caso alemão.



Pós I Guerra Mundial

Os países envolvidos no conflito estavam totalmente ou parcialmente destruídos. A infraestrutura estava em ruínas nos países baixos e a Inglaterra e a França tiveram muitos gastos para tentar resgatar o que fora arruinado. As indústrias que não estavam destruídas, precisavam de reparos. A mão-de-obra precisava ser treinada. O analfabetismo cresceu e muitos soldados não conseguiam trabalhar e levar uma vida normal após haverem vivenciado os horrores da guerra. O prejuízo físico, com cicatrizes e amputações que fizeram muitos soldados parecerem monstros ou ficarem incapacitados de realizarem as atividades que antes faziam com destreza, vinha acompanhado do prejuízo psicológico. Muitos soldados não se imaginavam fora da Guerra. Muitos se culpavam por haverem sobrevivido. Pouquíssimos foram os que receberam alguma ajuda psicológica.

A Alemanha foi um dos países que mais sofreu com a I Guerra Mundial. Perdeu cerca de 4% da sua população na Guerra, cerca de 2,8 milhões de habitantes. Só perdeu menos, em termos proporcionais que o Império Turco-Otomano, com cerca de 14% de sua população morta no conflito. No caso do Império Turco-Otomano deve-se lembrar do massacre de armênios perpetrado no país – um dos piores genocídios da História e negado até hoje pelos turcos – e a mortandade por doenças. Sendo assim, por causas diretamente relacionadas à guerra, a Alemanha não teve apenas o ônus da derrota, mas os alemães se viram de frente com um país devastado por quatro anos de conflito, com a infraestrutura praticamente destruída.

Para piorar, o Tratado de Versalhes culpara a Alemanha por haver provocado a Guerra, e, em virtude disso, a outrora grande potência Germânica sofreu sanções que tinham a intenção de punir e humilhar. Não raro encontramos pensadores que atribuem o radicalismo do nacionalismo alemão a erros cometidos no trato com os alemães em 1919.

Outro aspecto importante de salientarmos é que o totalitarismo não era inevitável, ou seja, haviam outras formas de resolver os desafios apresentados a Alemanha e Itália nas décadas de 1920 e 1930.

Itália



Após a I Guerra Mundial, a Itália estava numa posição constrangedora. Mudou de lado após o início do conflito e sua participação ativa foi pequena. Além da fraqueza diplomática, que, no Tratado de Versalhes não conseguiu as terras que pretendia na África, a Itália atravessou uma crise econômica muito dura.

Enquanto o norte industrial teve maior facilidade para se reconstruir, o centro e o sul da Itália, essencialmente agrícolas, sofriam com a inflação dos preços dos insumos e de seus próprios produtos.

Nesse cenário, os grupos de esquerda ganharam cada vez mais espaço. As greves tomaram o país e os socialistas, já nas eleições de 1919, ganharam mais de 30% das cadeiras do Parlamento. A crise tomou ares anárquicos quando, no início dos anos 1920, lojas e armazéns eram saqueados. O Partido Comunista Italiano se formou em 1921 com ampla esperança de promover a Revolução Socialista, tal como ocorrera na Rússia em 1917.

Nesse cenário vermelho, organizou-se na Itália um grupo de viés ultranacionalista – os fascistas. Esse grupo era liderado por um militar, BENITO MUSSOLINI, que andava frustrado com a participação italiana na guerra e apreensivo com a ascensão das ideologias de esquerda. Na tentativa de resgatar o nacionalismo italiano, nas eleições de 1919 seu grupo foi um completo fiasco. Porém, Mussolini continuou a organizar seu movimento, dando a ele identidade e simbolismo. O Fascio era um símbolo da República Romana que significava força – tratava-se de um feixe de madeira com um machado. Mussolini desejava resgatar a glória da antiga Roma e, para isso, tratou de pregar o amor à pátria e a ordem militar.

Se nas eleições os fascistas não saíam muito do lugar, era buscando correligionários nas Forças Armadas que os fascistas aumentavam os números de suas fileiras. Entretanto, esse crescimento não servia para fins democráticos de se chegar ao poder. Combativos, os fascistas enfrentavam socialistas e destruíam imprensas socialistas e comunistas, além de provocarem alguns confrontos.

Mas, para alcançar legitimidade, Mussolini sabia que não seria viável fazer arruaças nas ruas. Em 1921 os fascistas organizaram seu partido – bem como os comunistas – e disputaram as eleições, alcançando 35 deputados no Parlamento. Mussolini, no entanto, queria mais. Os mais de 200 mil filiados do Partido deram credibilidade à legenda e, em 1922, no Congresso do Partido Fascista, as lideranças entenderam que um ato de presença poderia atrair mais atenções para sua ideologia.

Burgueses, grandes e pequenos proprietários rurais já patrocinavam o Fascismo, mas, foi a GRANDE MARCHA SOBRE ROMA, em 1922, que chamou a atenção dos setores mais poderosos da sociedade italiana. O ato de presença culminou com um convite do Imperador Vitor Emanuel III para Mussolini assumir a cadeira de primeiro-ministro da Itália! Era a oportunidade esperada. Mussolini não precisaria mais, então, contar com a necessidade da democracia para chegar ao poder.

O Governo Fascista

Com a chegada de Mussolini ao Parlamento, os fascistas retomaram a onda de perseguição a socialistas, comunistas, anarquistas e opositores do regime. A Itália era agrícola em sua maior parte e o fascismo ganhou força especialmente entre os agricultores. Haviam socialistas ainda espalhados pelo país, mas foram sendo perseguidos de maneira a não representarem mais perigo para Mussolini.

Os sindicatos foram abolidos, podendo existir apenas aqueles que fossem permitidos pelo governo. As greves foram proibidas. A legislação trabalhista foi reconstruída na CARTA DEL LAVORO, de 1927, onde o Estado passaria a ser o árbitro das causas trabalhistas e controlador dos sindicatos. Além de destruir a esquerda fisicamente, os fascistas ainda ofereciam direitos trabalhistas que anulavam, pelo menos em tese, a necessidade fundamental de existir dos partidos vermelhos.

Nas eleições de 1924, inúmeras urnas foram fraudadas, destruídas, extraviadas e os fascistas receberam 65% dos votos. Foi implantado então o Unipartidarismo. A imprensa passou a agir sob censura. O governo intervia diretamente na economia e a sociedade foi militarizada.

Em 1929 Mussolini aproximou-se da Igreja Católica através do TRATADO DE LATRÃO, no qual Mussolini conferia à Igreja o Estado do Vaticano como um país independente. Isso foi importante pois desde a Unificação italiana os papas se diziam reféns em sua própria casa. Vale lembrar que, por ocasião da unificação, a Igreja perdeu os Estados Pontifícios. Essa aliança entre o Estado Fascista e a Igreja Católica foi importante por todo o tempo em os totalitarismos comandaram, seja na Itália ou na Alemanha. A Igreja foi importante aliada na manutenção dos poderes dos ditadores, bem como na causa de perseguição a minorias – religiosas, sociais, etc.

Para atribuir legitimidade ao seu poder centralizado e autoritário, Mussolini fez um Plebiscito em 1929 para tomar conhecimento da opinião popular sobre a satisfação com o regime político. 98% aprovaram o governo, o que deve ser relativizado, tendo em vista as perseguições à oposição, o controle da Imprensa e o Estado policial. Porém, é com esse desempenho que Mussolini passa a se denominar DUCE, ou seja, líder, numa expressão da Roma Antiga.

Economicamente, Mussolini procurou garantir que a Itália fosse autônoma na produção de grãos, favorecendo aos pequenos proprietários. Impôs arrocho salarial nas regiões industriais e conseguiu controlar o desemprego causado pela crise de 1929.

Em 1935, num ato claramente imperialista, invadiu a Etiópia, no leste africano. Nem mesmo a militarização da sociedade italiana foi capaz de compensar as limitações das Forças Armadas Italianas, que, apesar da vitória, levaram sete meses para derrotar o fraco adversário. Notoriamente, as potências europeias não reagiram à invasão italiana na África, ainda que isso pudesse incomodar interesses britânicos e franceses na região. Alguns historiadores sugerem que essa inação se deve ao fato de Mussolini representar uma alternativa ao combate à ascensão do comunismo na Europa.




Acima, Mussolini assina o Tratado de Latrão e cede o Vaticano para a Igreja Católica.

Alemanha

As condições alemãs do Pós-Guerra eram horríveis. Derrotada e destruída, a Alemanha, outrora poderoso Império, era agora um outro país, uma República com a qual o povo, a princípio, não tinha qualquer identidade, a República de Weimar. Além disso, era tantas punições, especialmente de viés econômico que, de 1918 a 1923, a economia alemã vivenciou o caos. A inflação era tão alta que as pessoas levavam carriolas de papel moeda para os armazéns a fim de voltarem para casa com um pão! Em 1923, um dólar chegou a equivaler a 4 bilhões de marcos.

Nesse clima de tensão e desgosto, a ideologia comunista se espalhou rapidamente. A vitória da Revolução socialista na Rússia levou muitos esquerdistas alemães a crerem que a Revolução era possível também na Alemanha. Foi criada a LIGA ESPARTAQUISTA, liderada por, dentre outros, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Em 1919, a Revolução teve início, crescendo rapidamente no sul e nordeste do país. A repressão, porém, também foi articulada e rápida. Milícias independentes foram armadas e os centros de formação da ideologia comunista e socialista foram destruídos. Rosa Luxemburgo foi presa e surrada até a morte. Seu corpo deformado foi deixado na sarjeta para que fosse enterrada como indigente. Só se soube quem era depois de sepultada. Quanto a Liebknecht, foi assassinado com um tiro e seu corpo foi desovado num rio, sendo encontrado muito tempo depois, em avançado estado de decomposição. A Revolução comunista fora derrotada na República de Weimar, mas o medo da ascensão do comunismo passou a ser um medo permanente entre burgueses e mesmo camponeses ou grandes proprietários de terra.

Em 1919, Adolf Hitler, um cabo austríaco que combateu no Exército alemão na Grande Guerra, passou a ser membro do Partido dos Trabalhadores Alemães. No sul da Alemanha, a tendência ultranacionalista de direita era forte e Hitler, ainda um peão no jogo político, associou-se à lideranças inconformadas com a derrota alemã. Além disso, cria-se, entre os escalões mais radicais, que os judeus tornavam a raça ariana impura e que, se houvera traição, esta só poderia ter vindo de quem não fosse alemão.

Hitler tinha o domínio da oratória e logo se tornou líder do Partido dos Trabalhadores Alemães e, radicalizando suas ideias, refundou o Partido sob o nome de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP - Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei). Havia aqui uma combinação de Nacionalismo com a ideia de que a Alemanha não deveria se curvar aos interesses internacionais, por isso a expressão socialismo aparece na nomenclatura do Partido. Adolf Hitler foi influenciado por vários pensadores, dentre eles Karl Haushoffer, que defendia a existência de um Estado Vital para que os alemães pudessem se desenvolver. Essa ideologia estava impregnada da rejeição pelo Tratado de Versalhes de 1919 que teria amputado o território alemão.

Assim como o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha também chamou a atenção da burguesia que, naquele momento, temia o monstro do comunismo. O Nazismo não contou com apoio de massa em todo o território alemão. Hitler imaginava que, para chegar ao poder, nesse momento, deveria agir como seu corolário italiano e tentar um ato de presença, como a Grande Marcha sobre Roma. Em 1923, foi organizado um golpe para tomar o poder do Estado da Bavária e, em seguida, tomar o Reichstag em Berlim. Foi, na verdade, um golpe mal planejado e muito pior executado.

Gustav Ritter von Kahr era um líder de extrema direita que planejava uma ação paramilitar na Bavária. Líder forte, Kahr foi governador da Bavária até setembro de 1921. No período que esteve no poder, procurou impedir a organização de manifestações do NSDAP. Discursando para uma plateia inflamada em 8 de novembro de 1923 na Bürgerbräukeller, uma cervejaria de Munique, Kahr foi interrompido por Hitler que anunciou que o prédio estava cercado. Pressionaram Kahr a se fundir ao NSDAP e tomar o poder em Berlim. Mas o plano foi pouco pensado. Apesar de os nazistas tomarem de surpresa alguns prédios centrais, como a chefatura de polícia e o quartel general de Munique, Kahr conseguiu sair da cervejaria e avisar os militares da ação de Hitler.

Hitler não foi a única cabeça da ação em Munique. Aliás, o principal articulador da ultranacionalismo aqui foi o general Ludendorff. Hitler e Ludendorff resolveram fazer a marcha de seu movimento sobre o centro de Munique, mas acabaram encontrando um forte esquema de segurança que os impediu de progredir. A tensão aumentou e alguém disparou um tiro. Durante 30 segundos as balas cortaram o ar. Quatro policiais e catorze rebeldes morreram. Göring foi alvejado na perna mas conseguiu fugir. Hitler teve seu braço deslocado, conseguiu se esconder, mas, em 11 de novembro acabou preso. O episódio ficou conhecido como o PUTSCH DA CERVEJARIA (Golpe da Cervejaria).

No julgamento, todos esperavam que a pena fosse dura. Afinal, a pena para o assassinato de policiais era a morte. Entretanto, Ludendorff foi absolvido e Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, que se converteram em poucos meses por bom comportamento.

No tempo que esteve preso, Adolf Hitler se lançou ao estudo de escritores como Friedrich Nietzsche e Houston Chamberlain, este último conhecido pai do Darwinismo Social. Foi a partir desses estudos que Hitler publicou, ao sair da prisão, seu livro MEIN KAMPF, onde avança em questões sobre a necessidade de um espaço vital, a necessidade de purificação da raça ariana e o comunismo.

É sempre importante salientar que o antissemitismo era bastante difundido em toda a Europa, de maneira que sua divulgação pelos nazistas não se configurava numa grande surpresa. Porém, quando o antissemitismo ideológico deu lugar à prática do ódio, perseguição e morte na Alemanha, muitos países seguiram o exemplo e perseguiram judeus como a França, a Rússia, dentre outros.

Quando o Nazismo se estruturou com a volta de Hitler, a Alemanha atravessava um processo de recuperação econômica, política e social. Os alemães pareciam começar a se adaptar à ideia de uma República e os empréstimos dos Estados Unidos estavam conseguindo, aos poucos, permitir que o país se reconstruísse. Dessa forma, o NSDAP não conseguiu avançar por vias democráticas rumo a um poder mais sólido. Entre 1924 e 1929 foram comuns os confrontos entre nazistas e comunistas nas ruas do país.

A CRISE DE 1929 mudou a realidade alemã. Se a recuperação econômica parecia sólida, a crise obrigou americanos e ingleses a repatriarem seus investimentos e a Alemanha se afundou numa crise terrível.

Essa crise proporcionou condições para a ascensão nazista. No Parlamento alemão, os nazistas passaram a conquistar cada vez mais cadeiras: 107 em 1930 para 196 em 1932. Considerando que o Parlamento alemão tinha cerca de 530 deputados, os nazistas tinham condições de se impor.

Nas eleições presidenciais de 1932, Hitler conseguiu levar a disputa para o segundo turno, mas recebeu 37% dos votos contra 53% de Hindenburg. Paul von Hindenburg era um general experimentado e herói da I Guerra, além de ser também um ultranacionalista, que, porém, não compactuava com os métodos nazistas.

Hindenburg foi, no entanto, instado por políticos e setores da burguesia industrial a convidar Hitler para a chancelaria do Estado alemão, ao que Hindenburg acabou cedendo. Hitler se tornou chanceler da Alemanha em 29 de janeiro de 1933. Os nazistas chegavam ao poder!

O Governo Nazista: A Ascensão do Terceiro Reich

O destino sorriu para Hitler com uma trágica coincidência. Um jovem comunista holandês, Marinus van der Lubbe teria invadido o Reichstag, o Parlamento alemão numa ação isolada e ateado fogo ao prédio. Hitler apregoou que os comunistas desejavam um golpe de Estado e que fariam de tudo para criar o caos político. Marinus foi preso e sentenciado à morte.

Em 1934 Hindenburg, já muito velho, viria a falecer. Hitler sugeriu que a morte de Hindenburg poderia servir de pretexto para que os comunistas criassem o caos no país, de forma que não convocou novas eleições e acabou concentrando poderes, se tornando assim o chefe do Estado alemão, ou simplesmente FÜHRER, líder.

Desde que chegou ao poder, os nazistas mantiveram a prática da violência como um método para garantir que seus interesses não seriam contrariados. Hitler contava com o apoio das STURMABTEILUNG, tropas de assalto, conhecidas como SA, ou Camisas Pardas. Essas forças serviam de polícia, mas, inúmeras vezes causavam constrangimento a Hitler pelos excessos praticados pelas ruas. Ernst Röhm, líder das SA começou a entrar em rota de colisão com Hitler quando sugeriu ações mais duras para com judeus e opositores do regime, enquanto o Führer preferia uma abordagem mais sutil. Röhm não escondia sua antipatia às estratégias de Hitler e ainda criticava a aproximação do Führer com empresas privadas que financiavam as ações do Partido. Outros líderes julgavam que Hitler deveria tentar cargos minoritários e crescer paulatinamente na política nacional ao invés de esperar um alto cargo. Em algumas ocasiões, Hitler convocou a direção do Partido e alertou que ele mesmo é quem determinava as diretrizes das ações e não toleraria resistência. Alguns membros se calaram, outros abandonaram o NSDAP e outros ainda continuaram a tecer suas críticas, mas de maneira mais velada. É importante salientar que nada passava despercebido pelo líder nazista.

Hindenburg já velho e doente perdia espaço para Hitler que, na noite do dia 30 de junho para 01 de julho de 1934, colocou em ação a operação Colibri, atualmente denominada de A NOITE DAS FACAS LONGAS, (Nacht der langen Messer). Nessa noite, mais de 80 inimigos diretos e indiretos de Hitler foram eliminados. Outros seriam mortos nos dias seguintes. Dentre os alvos do expurgo estavam membros da SA, ultranacionalistas, socialdemocratas e até nazistas. Röhm, que desafiara Hitler várias vezes foi preso e aconselhado ao suicídio. Acabou assassinado dentro da cela com um tiro no peito.

Para uma frente de combate mais segura, Hitler criou as SS, SCHUTZSTAFFEL, ou as SS. Os camisas negras eram liderados por Heinrich Himmler. Criada entre 1923 e 1925, as SS tinham o objetivo de ser uma força excepcional, bem treinada para trabalhos especiais. Era um grupo paramilitar, mas que, com o tempo, incorporou a polícia secreta alemã (Gestapo) e passou a ser um corpo de elite dentro do exército, porém separado deste. Hitler tinha uma guarda pessoal composta por soldados excepcionais das SS.

A partir de 1933 Heinrich Himmler anunciou a construção do Primeiro CAMPO DE CONCENTRAÇÃO da Alemanha, o campo de DACHAU, nos arredores de Munique. Ocorre que nesta cidade a resistência comunista era forte, bem como críticos do nazismo. Assim, as cadeias não eram capazes de suportar o contingente de presos políticos do regime. Mas os campos de concentração não foram construídos por um acidente. Os nazistas sempre planejaram sua construção e DACHAU foi apenas o primeiro campo de muitos que se espalhariam pela Alemanha e pelas zonas ocupadas por nazistas com a Segunda Guerra Mundial.

Paulatinamente os judeus tinham suas propriedades confiscadas e eram conduzidos para GUETOS. Guetos eram bairros pobres, constituídos desde os tempos remotos das Idade Moderna, onde judeus moravam isolados por não poderem praticar a agricultura ou outros negócios formais, tendo em vista a perseguição e proibição da Igreja. O termo voltou a ser usado na Alemanha Nazista.








A política nazista era profundamente auxiliada pela propaganda, cujo responsável era Joseph Goebbels. Mesmo os discursos do Führer contavam com artimanhas para a indução da população. A ideologia ariana era exaltada enquanto o elemento judeu era destratado, visto como um intruso que impedia a evolução do povo alemão.

Economicamente, a Alemanha cresceu significativamente. O desemprego caiu, a inflação chegou a níveis muito baixos, as leis trabalhistas passaram a ser determinadas e negociadas diretamente junto ao Estado, eliminando a necessidade dos sindicatos. Em grande medida, esse fôlego industrial se deve também à desobediência aberta de Adolf Hitler às determinações do Tratado de Versalhes. Churchill alega em suas memórias que a Alemanha não pagou sua dívida da Grande Guerra. Além disso, os nazistas passaram a investir pesadamente na indústria de guerra. Aviões modernos, Navios e Submarinos, equipamento de infantaria, tanques, granadas, carros, dinamizaram significativamente a economia germânica.

Para conhecer a eficácia desses equipamentos, veio a calhar uma guerra civil na Espanha. A ascensão do comunismo na Espanha foi visto com temor pelas alas mais conservadoras do Exército que, liderados por Francisco Franco, começou uma Guerra contra os denominados Republicanos. Essa foi a GUERRA CIVIL ESPANHOLA (1936-1939) e serviu de laboratório para as armas alemãs. Por fim, os franquistas venceram o conflito e a Espanha desenvolveu um governo de apoio à causa nazista. O mesmo se deu em Portugal, governado por Antonio de Oliveira Salazar, que fundou em 1932 o Estado Novo e desenvolveu um governo ditatorial mas que, apesar de neutro, tinha inclinação ao nazismo.

Não podemos esquecer que os bens dos judeus estavam sendo confiscados, de sorte que suas terras e seus empreendimentos serviram para gerar renda e emprego para os tais alemães puros. Essa recuperação econômica, aliada à propaganda nazista, causa a impressão de que a própria população aprovava em peso o novo regime. É importante compreender que se, de um lado muitos apoiaram o nazismo, também é verdade que muitos alemães se negavam a se deixar convencer pela arquitetura do poder de Hitler.

A Doutrina do Espaço Vital e a Política de Alianças

Estava muito claro, desde a gênese dos movimentos ultranacionalistas do pós-I Guerra Mundial, que havia uma profunda insatisfação com o fato de o território alemão haver sido retalhado. Hitler queria esses territórios de volta, além de demais regiões em que houvessem povos germânicos. Era o tal Espaço Vital! Note na imagem à esquerda, o alemão típico construindo uma ponte entre a Alemanha e os supostos povos germânicos de outras regiões.

Por isso, em 1938, Hitler pressionou o governo austríaco a anexar a Áustria à Alemanha. A oposição fugiu para o exílio ou foi morta. Para dar um ar de legitimidade à anexação (ANSCHLUSS), Hitler ainda promoveu um plebiscito no qual 99% da população teria aprovado a união. A partir de então a Áustria passou a ser um Estado do Terceiro Reich.

Mas Hitler ainda não estava conformado. A região dos Sudetos, na então Tchecoslováquia, lhe interessava sobremaneira, dada a quantidade de germânicos que moravam ali. Ainda em 1938 Hitler indexou a região dos Sudetos e, diante de uma Europa inoperante, mais tarde, em 1939, tomou o restante do país.

França e Inglaterra deram então um ultimato a Hitler, a próxima ação invasiva não seria perdoada e uma guerra ocorreria no continente. A partir de então Hitler passou a agir com cuidado a fim de preparar seu país para o confronto.

Ainda em 1936, Hitler e Mussolini assinaram o Pacto Anti-Komintern, uma aliança contra a organização comunista em seus países. O Japão, por sua vez, passaria a fazer parte do Pacto em 1940. E, em 1939, Itália, Alemanha e Japão assinaram o Pacto de Aço, uma aliança militar de defesa mútua no caso de algum desses países ser invadido ou atacado. Formava-se o EIXO ROBERTO: ROMA, BERLIM E TÓQUIO.

Por fim, Hitler fora combatente da I Guerra Mundial e sabia que uma estratégia equivocada da guerra para os alemães foi a abertura de duas frentes de combate, uma frente ocidental e uma oriental. Para não cometer o mesmo erro, os nazistas sabiam que era importante garantir a paz, pelo menos temporariamente, em uma das frentes da futura guerra. Por isso, em 23 de agosto de 1939, Joachim von Ribbetropp e Vyacheslac Molotov assinaram o Pacto de Não-Agressão Germano-Soviético, ou simplesmente, PACTO RIBBENTROPP-MOLOTOV, no qual alemães e soviéticos se comprometiam a não se atacarem por cinco anos, além de, numa cláusula pouco evidente, os alemães prometerem ceder metade do território polonês após a invasão alemã a este território.

Com a indústria alemã se preparando militarmente, o serviço militar obrigatório, a imprensa sob o seu comando e a garantia de que não seria atacado pelas costas, Hitler estava muito perto de concluir seu projeto expansionista: a declaração de Guerra.