HISTÓRIA GERAL

36. II Guerra Mundial

36. II Guerra Mundial

1939

Se a diplomacia europeia falhou por omissão na Primeira Guerra Mundial, nos anos 1930, talvez a diplomacia europeia haja falhado por excesso de zelo. Hitler agia claramente no sentido de recompor territórios que os ultranacionalistas julgavam ser seus. O Tratado de Versalhes, em 1919, arrancou terras da Alemanha que os nazistas desejavam de volta.

Desde que Hitler se consolidou no poder, em 1933, começou uma intensa política expansionista, negociando e impondo o domínio nazista, primeiramente na Áustria, com o ANSCHLUSS, e depois na Tchecoslováquia. Mas faltava ocupar muitas terras, de acordo com os propósitos do Führer. Inglaterra e França procuravam conduzir a situação de tal maneira a impedir a eclosão de uma nova guerra.

Entretanto, com a tomada da Tchecoslováquia, Hitler recebeu um ultimato; uma próxima invasão a qualquer parte da Europa seria o estopim para um conflito. Alguns pesquisadores sugerem que Hitler levou a sério a ameaça, no sentido de saber que a guerra era iminente e se prepararia para tanto. Outros sugerem que Hitler tentaria ainda uma nova indexação, a da Polônia, cuja região de Danzig fora tomada dos alemães após o Tratado de Versalhes.

Talvez Hitler acreditasse que a Inglaterra e a França não teriam coragem de declarar guerra à Alemanha, especialmente depois da aliança alemã com a URSS no Pacto Ribbentropp-Molotov. Na noite de 31 de agosto para 1º de setembro de 1939, soldados da SS invadiram sorrateiramente a Polônia, vestidos com uniformes militares poloneses, dispararam tiros na direção do território alemão. Essa encenação prova que Hitler tinha uma preocupação mínima com a legitimidade de suas ações.

No dia 3 de setembro, França e Inglaterra declararam guerra à Alemanha. Em poucas semanas a Polônia foi tomada graças a uma estratégia da WEHRMACHT, a máquina de guerra nazista, conhecida como BLITZKRIEG, ou Guerra Relâmpago, que constituía a estratégia de invadir o território inimigo com aviões – que bombardeavam pontos estratégicos para dificultar a resistência – seguidos de carros blindados – a famosa divisão Panzer – e a infantaria em seguida.

A Polônia sucumbiu em poucas semanas e metade de seu território foi entregue à URSS que ainda aproveitaria o ímpeto para invadir a Finlândia.

Apesar da declaração de guerra, a França e a Inglaterra agiram com lentidão. Deslocaram tropas e organizaram sua logística.


1940


Os confrontos só viriam a acontecer realmente somente em 1940. Enquanto isso, o alto comando do Exército Nazista agia rapidamente. O Mar do Norte foi controlado, bem como a Noruega e a Dinamarca invadidas. Minas aquáticas foram espalhadas pelo mar para dificultar o deslocamento de navios dos Aliados.

A França, que imaginava conseguir se proteger atrás da linha Maginot – linha de trincheiras da Primeira Guerra Mundial – acabou surpreendida pela estratégia alemã de rodear a linha invadindo Bélgica e Holanda. O exército francês parecia não ser capaz de enfrentar a Wehrmacht. Os ingleses, que a princípio haviam se comprometido a ajudar os franceses, fizeram a famosa retirada estratégica de Dunquerque para garantir que os soldados britânicos não morressem em meio à poderosa invasão alemã.

O Governo da França estava dividido. Charles de Gaulle defendia que a França deveria manter-se no conflito e defender o país com unhas e dentes. O governo provisório poderia ser transferido para alguma colônia na África. Para outros, porém, como Philippe Pétain, a França deveria se render imediatamente para evitar um número maior de baixas. Essa divergência escondia algo muito mais profundo entre os franceses. O sentimento de simpatia pelo nazismo era muito forte para muitos franceses. A resistência francesa, composta por nacionalistas e comunistas sofreu perseguição da própria inteligência francesa. Quando ficou claro que a França se renderia, uma horda de judeus tentou fugir do país às pressas. A polícia francesa trabalhou para enviar comunistas e judeus para os campos de concentração nazistas. Charles de Gaulle fugiu para a Inglaterra, de onde discursava quase todos os dias, por uma hora, pela BBC, em francês para os franceses para estimular em seu povo o espírito de confronto.

No dia 23 de junho de 1940, Hitler e seu séquito desfilaram pelas ruas de Paris. Seria a única vez que o Führer estaria na cidade Luz. A França correligionária da Alemanha passaria a ser denominada de República de Vichy e é frequentemente associada a um país fantoche dos nazistas.

A Itália atacou a Grécia a partir da invasão à Albânia, mas teve dificuldades dominar os gregos e precisou constantemente do apoio alemão. Assim, em 1941 a Iugoslávia e a Grécia foram tomadas pelos nazistas.

No Norte do continente africano, os italianos haviam logrado encurralar os ingleses no Egito, até mesmo invadindo um pedaço do território egípcio. Porém os ingleses resolveram atacar as possessões italianas no leste africano – Etiópia – e acabariam provocando, antes da metade de 1941, a rendição italiana na região.

A Inglaterra passou a ser sistematicamente bombardeada em agosto de 1940. Hermann Göring era o responsável pela Luftwaffe e imaginava que, com a superioridade aérea alemã, os ingleses se renderiam em pouco tempo. Entretanto, muitas surpresas acometeram o comandante nazista.




Note no mapa os pontos que foram bombardeados pelos nazistas na Inglaterra.

Apesar de uma força aérea menor (Royal Air Force – RAF), a Inglaterra conseguiu empregar pesadas baixas aos alemães. Notoriamente, com uma bateria antiaérea limitada e holofotes relativamente fracos, A Inglaterra não permitiu a invasão alemã. Em contrapartida, o território inglês foi duramente bombardeado, com perda de elevado número de civis. O estrago era tão grande que a capitulação parecia iminente. Neville Chamberlain, primeiro-ministro renunciou ao comando do país. Nesse momento, Churchill usufruía de grande popularidade por haver avisado insistentemente do perigo alemão. Acabou assumindo o comando do país. Os discursos de Winston Churchill se tornaram lendários na medida em que impulsionaram os ingleses a enfrentarem a situação e lutarem com todas as forças contra a ameaça alemã.

1941

O ano de 1941 pode ser considerado um ano de viradas em muitos lugares em que a guerra estava sendo levada a cabo. Apesar dos revezes italianos no norte da África, até 1941 o domínio nazista era tão fantástico que poucos poderiam sugerir que a máquina de guerra alemã pudesse ser parada ou mesmo destruída.

Em função do fracasso italiano na África, Hitler criou o AFRIKAKORPS em 1941 e voltou a pressionar os britânicos no Egito e a guerra ali chegaria a um impasse até 1942.

Após a conquista da França, Hitler voltou seus esforços para o leste europeu, o Mar Mediterrâneo e, é claro, a Inglaterra. Alguns países do leste europeu como Hungria, Romênia e Bulgária, não chegaram a ser tomados pelos nazistas pois contaram com regimes correligionários do nazismo, abrindo as portas aos interesses do Führer.

No processo de expansão militar alemão, Espanha e Portugal não foram invadidos pela Wehrmacht. Os portugueses temiam uma possível ofensiva militar, mas Salazar, e mesmo Franco, na Espanha, apesar de alegarem neutralidade no conflito, colaboraram significativamente com o regime nazista, especialmente ao tentarem impedir judeus de entrarem em seus países, o que, fatalmente, os deixava à mercê de Hitler.

Em meados de 1941, além da Turquia, somente Suécia e Suíça não estavam envolvidas no conflito, mantendo sua neutralidade.

URSS: Sem conseguir invadir a Grã-Bretanha, Hitler cometeu um erro estratégico. Resolveu invadir a URSS. A iniciativa de Hitler visava abastecer seu país das riquezas minerais que existiam na União Soviética. Além disso, o domínio do país de Stálin caberia bem ao propósito do Lebensraum. Porém, essa invasão trata-se de um erro por abrir uma frente de batalha que dividia as forças alemãs e, pior, sem haver vencido completamente na frente ocidental.

No dia 22 de junho de 1941, foi dado início à OPERAÇÃO BARBAROSSA. Para a operação de invasão aos soviéticos, o exército nazista tinha a seu dispor 153 divisões, nas quais estavam distribuídos 3,3 milhões de alemães e 650 mil soldados aliados dos nazistas. A URSS, por sua vez, tinha 186 divisões com 3 milhões de soldados. Eram 11 mil tanques soviéticos contra 4 mil alemães e 9100 aviões contra 4400.

Apesar do desequilíbrio em números pender para o lado da URSS, a invasão alemã foi organizada e centralizada, enquanto o comando soviético estava espalhado. Em agosto o exército de Stálin já havia perdido 5 milhões de homens, mortos, feridos ou capturados com 90% dos tanques destruídos.

No início de setembro, o caminho para Moscou estava aberto pelo exército alemão além de obter o controle sobre a zona industrial da região de Kiev. O avanço alemão era tão espetacular que as forças soviéticas estavam prostradas já no início de setembro de 1941. Stálin então impôs a ORDEM 270, que determinava que qualquer soviético que se rendesse ou não atacasse, seria considerado traidor e, consequentemente, seria morto.

É importante que se ressalte, no entanto, que nessa operação as baixas alemãs nunca haviam sido tão altas. Na defesa de suas cidades, os russos lutaram até o último homem e empregaram pesadas perdas aos alemães. Estima-se que o exército de Hitler haja perdido 550 mil homens nessa primeira fase da campanha militar na URSS.


JAPÃO: Mas, o que parecia apenas uma questão de tempo para a vitória começou a ser ameaçada pela ação dos japoneses na Ásia. O Japão era aliado da Alemanha, fazendo parte do Eixo. Desde o século XIX, os japoneses procuravam dominar a Ásia como sua zona de influência. Criam ser essa sua área de expansão e se incomodavam com a intromissão estadunidense na região. Os EUA, porém, desejavam também estender os tentáculos da Doutrina Monroe para a Ásia.

Desde o início do século XX o Japão empregou uma política agressiva no extremo oriente. A guerra russo-japonesa culminou com a vitória japonesa e uma posição confortável na Manchúria. Pois é justamente ali que os japoneses começam a empregar força militar para nova ocupação territorial em 1937. Demonstrando força militar, os japoneses vão controlando o leste chinês até chegarem à Indochina (atual Vietnam) – com a permissão de Vichy! Além disso, Papua Nova-Guiné, Indonésia, Malásia e Birmânia também foram ocupadas pelos japoneses. Essa ação implicou num embargo econômico americano ao Japão com a interrupção no fornecimento de petróleo e sucata de ferro além de congelar todos os investimentos japoneses nos bancos americanos.

As relações que já eram muito delicadas entre japoneses e estadunidenses ruíram de vez quando, em 7 de dezembro de 1941, sem aviso prévio ou declaração formal de Guerra, os japoneses atacaram, com cinco porta-aviões, carregando 460 aviões, a Baía de Pearl Harbor, onde estavam estacionadas forças militares americanas.

Apesar de os japoneses empregarem sua própria Blitzkrieg na Ásia e se converterem num inimigo encardido, sua ação trouxe para a Guerra o poderio bélico estadunidense, que, a partir de então, declarara guerra ao Japão e demais potências do Eixo. Era mais um inimigo a ser combatido pela Alemanha que acabara por abrir uma frente de batalha contra a URSS.

1942

Em 20 de janeiro de 1942, ocorreu a Conferência de Wannsee, na qual os alemães concluíram que era fundamental resolver a “questão judaica”. Os guetos estavam superlotados e favoreciam a organização e resistência dos judeus. Decidiu-se então pela SOLUÇÃO FINAL, na qual os judeus passariam a ser deportados em massa para os campos de concentração, onde deveriam ser eliminados. Cada país ocupado tinha seu encarregado de eliminar judeus e/ou enviá-los aos Campos de Concentração. A partir de então, judeus, comunistas, opositores do regime nazista, ciganos, Testemunhas de Jeová, homossexuais e mesmo alemães da resistência passaram a ser mortos em série nos Campos de extermínio e mesmo nos campos de trabalho forçado.

A Guerra tomara então uma proporção mundial. Os países que não estavam diretamente envolvidos no conflito enviavam suprimentos para seus aliados, fossem do Eixo ou dos Aliados. O Brasil, por exemplo, enviava borracha, farinha, papel, dentre outros recursos, para os EUA e Inglaterra.

Hitler sabia da importância logística dos suprimentos e passou a atacar navios que levassem recursos para os aliados. Enquanto isso, os alemães passaram a enfrentar o inverno russo com temperaturas tão baixas que o combustível dos tanques chegava a congelar. Adaptados ao frio e entrincheirados dentro das cidades, os soviéticos começaram a equilibrar o conflito. Em Leningrado o frio congelou o lago ao redor da cidade e permitiu que recursos fossem entregues para salvar parcela da população. Em Stalingrado, a Blitzkrieg não foi eficaz em levar os soviéticos a uma capitulação.

Stálin estava desesperado por ajuda do Ocidente, mas a Inglaterra ainda precisava juntar suas cinzas, mesmo depois da desistência de Hitler de tomar Londres. Quanto aos EUA, estavam consumidos pela guerra na Ásia, afinal o Japão oferecia resistência sem igual.

Foi nesse ano que ocorreu a BATALHA DE MIDWAY. Essa foi, segundo pesquisadores, a única ofensiva japonesa contra americanos durante toda a Segunda Guerra Mundial. As demais operações teriam sido de defesa. Foi uma batalha dura, mas os EUA venceram, enfraquecendo significativamente os japoneses. Outras batalhas difíceis se seguiriam, como a de Guadalcanal, onde as forças japonesas foram sendo minadas, não lhes restando muito mais do que procurar lutar para manter suas posições.

1943

Stálin continua pedindo reforços da frente Ocidental. Sim, já recebia equipamentos dos britânicos e americanos, mas precisava que uma ação militar exigisse esforços dos nazistas, o que facilitaria a frente de combate soviética.

Já em fevereiro, após a morte de 1 milhão de soldados soviéticos e mais de 800 mil alemães, estes se renderam. A tomada de Stalingrado fracassou e agora as tropas alemãs demonstravam pressa em retirar-se do território soviético em função das represálias praticadas pelo exército vermelho.

No norte da África, as tropas do Afrikakorps se renderam e os aliados tiveram condições de começar uma ofensiva nos territórios do Eixo na Europa. Mussolini perdeu a Sicília e, em seguida o sul da Itália. O DUCE foi preso e demitido pelo rei Vítor Emanuel III e começou a organizar o processo de paz com os aliados. Hitler ordenou a imediata invasão da Itália e manteve uma linha de bloqueio nos montes Apeninos que estancou o avanço aliado. O fascismo agora só existia onde houvesse domínio alemão, o que era uma derrota moral para Mussolini.

Entre 28 de novembro e 1 de dezembro ocorreu, na capital do Irã, a CONFERÊNCIA DE TEERÃ, na qual se reuniram, pela primeira vez, os três grandes: Josef Stálin, Franklin Roosevelt e Winston Churchill. Neste ponto, os aliados já reconheciam a vitória ao longe. Era preciso, porém, definir um ataque conjunto aos alemães pelo Atlântico, o que futuramente seria conhecido como o Dia D. Também se definiram algumas questões em torno de territórios. Stálin manifestou interesse em incorporar os territórios dos quais expulsou os nazistas e, a princípio, encontrou solidariedade em Roosevelt e Churchill para este fim.

1944

Já no início do ano, entre os dias 4 e 11 de fevereiro, ocorreu a Conferência de Yalta. Essa reunião, mais uma vez entre os Três Grandes, definiu pelo menos dois aspectos muito importantes para a continuidade da Guerra e a diplomacia após o fim do conflito. Primeiramente definiu-se que, de fato, os territórios conquistados pelo Exército Vermelho deveriam ficar sob influência da União Soviética. Quanto à Alemanha, esta seria dividida em quatro zonas de influência, sendo uma britânica, uma francesa, uma estadunidense e, por último, uma soviética. A cidade de Berlim, encravada no lado soviético, também seria dividida entre os quatro países.

Por fim, definiu-se que, após 90 dias do fim do conflito na Europa, Estados Unidos e União Soviética fariam um ataque combinado ao Japão que, por sinal, não se rendia. Em 1944 os japoneses passaram a adotar uma estratégia para o combate aos Aliados na qual pilotos arremessavam seus aviões cheios de munição nos navios americanos. Eram os pilotos KAMIKAZE. Há pesquisadores que sugerem que, para além do voluntariado, os pilotos foram forçados ao sacrifício, repensando justamente o papel de heroísmo desses soldados que eram forçados a dar a vida por seu país. Até o fim da guerra, os ataques Kamikaze se multiplicariam, num último esforço japonês de tentarem defender seu território.

Entre as negociações feitas pelos Aliados na Conferência de Yalta, tomava corpo a operação do chamado DIA D, ou Dia da Decisão. Finalmente teria lugar a abertura de uma frente ocidental aliada que ocorreria no dia 06 de junho.

Foi a maior operação militar da Segunda Guerra Mundial. Os aliados permitiram que a inteligência alemã interceptasse mensagens que sugeririam uma invasão pelo Sul, o que fez com que os alemães reforçassem o sul da França.

O Noroeste da França foi dividido em áreas cujas praias receberam denominações específicas com nomes de Estados Americanos para o caso de as comunicações serem interceptadas, os alemães não serem capazes de compreender o assunto. No dia 6 de junho de 1944 desembarcaram mais de 130 mil soldados na costa da Normandia, com cerca de 10300 baixas. A operação foi um sucesso, mas levaria praticamente todo o mês para que a Normandia fosse efetivamente tomada. EUA e Inglaterra abriam assim uma frente de combate Ocidental aos nazistas. Em 25 de agosto ocorreu a libertação de Paris. Vale ressaltar que, apesar de soldados franceses serem os primeiros a desfilarem na cerimônia de libertação da cidade – como solicitou Charles de Gaulle – foram os americanos e ingleses que libertaram a França.

Holanda e Bélgica também foram libertadas. Hitler, que já sofrera 4 atentados, entrou em depressão e, recluso em seu Bunker em Berlim, sabia que a derrota era um caminho sem volta. Ainda tentou uma contraofensiva nos Países Baixos, mas sem sucesso.




Desembarque de americanos na praia de Omaha, a mais dura das ocupações na operação do dia D.

1945

Os soviéticos chegaram à Alemanha. Tanto na frente ocidental, quanto oriental, os aliados praticaram atos atrozes em nome da vingança. Em 28 de abril Mussolini foi capturado e, sua execução é, até hoje, um mistério. Seu corpo e o de sua amante, Claretta Petacci, foram levados, no dia seguinte, para Milão, onde foram expostos em praça pública, linchados e cuspidos.

Hitler temia que algo semelhante ou pior viesse a lhe ocorrer, então decidiu pelo suicídio. Em 30 de abril os soviéticos, que já vinham bombardeando sistematicamente Berlim, invadiram a cidade. A essa altura, crianças e adolescentes faziam parte da resistência nazista em função da mortandade de soldados em condições de combate. Hitler se fechou num quarto com Eva Braun, com quem se casara no dia anterior e ambos se mataram. Seus corpos foram retirados dali e queimados do lado de fora. No dia 7 de maio, Karl Dönitz assinou a rendição incondicional alemã e a entregou aos aliados.

Mas a Guerra ainda não havia terminado. No Oriente, os japoneses mantinham uma resistência feroz, dificultando aos americanos a tomada de cada ilha. O presidente americano Franklin Roosevelt morreu em abril e foi substituído por Harry Truman que, de maneira geral, não tinha o mesmo espírito conciliatório que seu antecessor para negociar com a União Soviética.

Após a guerra terminada na Europa, a URSS se sagrara vencedora, apesar de terminar a guerra bastante empobrecida, devido ao imenso esforço empregado na guerra. O comunismo, enquanto ideologia, se fortaleceu em função da rejeição ao ultranaciolismo e da vitória do Exército Vermelho.

Truman ainda tentou renegociar, na Conferência de Potsdam, a cláusula de controle territorial soviético sobre os territórios ocupados. Porém Stálin foi enfático e Truman teve que se contentar com os avanços do líder comunista. Sabedor que o auxílio do Exército comunista na derrota do Japão poderia implicar no fato de Stálin querer dividir a ilha, Truman resolveu agir.

O uso das Bombas atômicas no Japão tem pelo menos três perspectivas:

1)Os soldados americanos desejavam uma retaliação aos japoneses pelo que ocorrera em Pearl Harbor;

2)Oficialmente, Truman alegava que as Bombas matariam, mas provocariam um número menor de baixas do que se a guerra continuasse até a capitulação japonesa por meios convencionais. Era, portanto, uma medida “humanitária”;

3)Extra oficialmente, era uma forma de mostrar poderio bélico para uma URSS empolgada. Mostrar o controle de armamento nuclear era uma forma de amedrontar os soviéticos e mostrar que os americanos eram capazes de usar equipamentos dessa natureza.

Fato é que, no dia 9 de agosto de 1945, os EUA detonaram a Bomba Little Boy sobre a cidade de Hiroshima e, no dia 11 de agosto, a Bomba Fat Man sobre Nagasaki. O “brilho de mil sóis” foi capaz de destruir tudo num raio de mais de 3 quilômetros a partir do epicentro das explosões. Mais de 350 mil pessoas morreram, além dos danos de longo prazo, como a radiação, que afundaram o Japão num estado de espírito de contrição que os obrigou à capitulação. No dia 14 de agosto o Japão se rendeu oficialmente aos Estados Unidos e tinha fim a Segunda Guerra Mundial.