HISTÓRIA DO BRASIL
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16.04 CRISE FAMILIAR E IMPOPULARIDADE – FIM DO PRIMEIRO REINADO

16.04 CRISE FAMILIAR E IMPOPULARIDADE – FIM DO PRIMEIRO REINADO

D. Pedro I, outrora muito popular por liderar a independência brasileira, se via numa enorme crise no começo da década de 1830. A Imprensa destilava duras críticas ao Imperador sugerindo que o Brasil era governado por seus amigos farristas. Além disso, era público o escândalo de D. Pedro com Domitila de Castro, amante que o Imperador trouxe para dentro do Palácio para ser aia de Leopoldina.

A Imperatriz, por sua vez, era um mar de bondade. Dava seus bens para pobres e ajudava causas sociais. É sabido que usava toda sua “mesada” para ajudar pessoas carentes. Leopoldina apanhava de D. Pedro I e apesar do mito de ter ossos quebrados pelo marido, é verdade que esteve em desespero inúmeras vezes por ser desprezada pelo cônjuge. Diz-se de Leopoldina que chegou a tomar dinheiro emprestado com agiotas para ajudar pessoas em apuros. Por ocasião de sua morte, o marido assumiu suas dívidas.

A morte da “quase divina” Imperatriz, em 1826, trouxe ainda maior impopularidade para D. Pedro I. A população o culpava pelo desfecho infeliz que acometeu a pobre Leopoldina. Era imprescindível para o viúvo casar-se e manter seu nome junto às boas Coroas europeias. O Marquês de Barbacena foi enviado para a Europa com a dura missão de arrumar uma esposa para o infiel imperador.

Acontece que a fama de mulherengo do Demonão – como D. Pedro I era chamado por Domitila, a Titília – atravessou o Oceano e não havia uma mulher que aceitasse casar-se com o viril imperador dos trópicos. A busca tendia ao fracasso quando uma família de segundo escalão da nobreza europeia aceitou o casamento. Amélia de Leuchtenberg tinha 15 anos mas mostrou forte personalidade. Exigiu que Domitila fosse retirada da Corte e da cidade do Rio de Janeiro. D. Pedro, ao receber dela um medalhão com sua imagem desenhada, logo se enamorou. Aceitou casar-se com Amélia que implantou um sistema mais rígido de prática nobiliárquica na Corte brasileira. Com ela, D. Pedro I teve mais uma filha que morreu antes de contrair matrimônio.

Mesmo com uma nova esposa, as críticas a D. Pedro I ainda eram implacáveis. A morte de Líbero Badaró, jornalista italiano e grande crítico do Imperador, em 1830, foi um duro golpe. Badaró teria sido emboscado por alemães que dispararam contra ele. Não existe evidência que aponte a relação de D. Pedro I com o crime, mas ele parecia ser o suspeito óbvio para a Opinião Pública.

Com seu ego ferido, D. Pedro I tentou fazer uma turnê por Minas Gerais, lugar onde era mais duramente criticado, mas foi recebido de forma hostil, com lençóis negros nas casas e árvores com a inscrição do nome do jornalista defunto. Os hotéis que hospedaram a família imperial foram depredados.

Em nome do Imperador hostilizado, portugueses enfrentaram brasileiros no Rio de Janeiro. O episódio, que durou dias, ficou conhecido como Noite das Garrafadas. D. Pedro I tentou contornar a situação e convocou o Ministério dos Brasileiros. Era uma tentativa de dialogar com a oposição, mas D. Pedro I não estava disposto a abrir mão do poder Moderador e dissolveu o mesmo Ministério. Pressionado politicamente e sem força popular, no dia 7 de abril de 1831, D. Pedro I renunciou ao Império em nome de seu filho.