HISTÓRIA DO BRASIL
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17.03.1 CABANAGEM - PARÁ (1835-1840)

17.03.1 CABANAGEM - PARÁ (1835-1840)

Eduardo Bueno resume a Cabanagem da seguinte Maneira:

“Os cabanos lutavam contra a nomeação dos Presidentes da Província (Pará), impostos pelo Distante Rio de Janeiro. Mas, na verdade, a Cabanagem foi a revolta contra as lastimáveis Condições de vida a que eram submetidas amplas Parcelas da população da Província do Pará (...)” BUENO, Eduardo. Brasil: Uma História.

É importante lembrar que o Pará foi um dos principais pontos de resistência portuguesa por ocasião da independência na qual Batista Campos e Félix Malcher se destacaram. A população humilde que ajudou a derrotar os portugueses esperava que pudesse receber atenção do novo Imperador ou mesmo escolherem seus líderes regionais. Entretanto, foram esquecidos pelo governo que, ao perceber a indisposição dos paraenses, resolveu agir com repressão. O cônego Batista Campos foi preso e muitos dos rebeldes foram mortos.

As agitações voltaram com força após a abdicação de D. Pedro I. Quem indicava a sucessão ao governo das Províncias era a Regência e normalmente as pessoas escolhidas não tinham qualquer identidade com as necessidades da região, além de serem peças no jogo de interesse político do Rio de Janeiro.

Em 1833, a Regência enviou para o Pará Bernardo Lobo de Sousa para ser presidente da Província. Desde sua chegada, Lobo de Sousa implantou uma política repressora sobre a população. Ao invés de as rebeliões serem sufocadas, uma grande Revolta se instalou no Estado com a ajuda de lavradores (irmãos Vinagre), o fazendeiro Félix Clemente Malcher, o cônego Batista Campos e o jornalista maranhense Vicente Ferreira Lavor.

Na noite do dia 6 para 7 de janeiro de 1834, os cabanos dominaram Belém e executaram Lobo de Sousa e outras autoridades. Esse movimento foi chamado de Cabanagem pois grande parte dos revoltosos viviam às margens de rios, as chamadas cabanas.

De acordo com KOSHIBA & PEREIRA: “Formou-se, então, o primeiro governo cabano, com Malcher na presidência do Pará. Este, curiosamente, declarou-se fiel ao imperador e prometeu ficar no poder até sua maioridade. E mais: reprimiu a própria rebelião que o colocara no poder e mostrou completa inabilidade ao prender e deportar Angelim e Ferreira Lavor.” KOSHIBA, Luiz & PEREIRA, Denise M. Frayze. História do Brasil, 1996.

Malcher acabou deposto e assassinado por Francisco Vinagre que, uma vez na presidência da província, além de declarar-se fiel à Regência, sugeriu entregar o poder do Pará a quem os regentes desejassem. Traidor do movimento, Francisco Vinagre entregou o poder do Pará para Jorge Rodrigues. Mais uma vez a Revolta tomou conta de Belém. Rodrigues acabou ilhado em Tatuoca e os cabanos declararam a República do Pará e a secessão do Brasil. A repressão dessa vez foi mais dura. O exército imperial, com a ajuda de mercenários ingleses arrasou a revolta. Contabilizam-se entre 30 mil e 40 mil mortos na Cabanagem, cerca de 30% da população da Província.