HISTÓRIA DO BRASIL
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34. TRABALHISMO, POLÍTICA SOCIAL E POPULISMO

34. TRABALHISMO, POLÍTICA SOCIAL E POPULISMO

A vitória de Lula nas eleições de 2002 proporcionou um fato inédito. Fernando Henrique Cardoso abriu as portas do governo para que a equipe econômica de Lula pudesse participar e tomar conhecimento dos meandros da estrutura da economia nacional e não houvesse desgaste na transição. Pode-se dizer que a transição de FHC para Lula ocorreu com pouco ou nenhum desgaste. De imediato, Lula manteve a política econômica de seu antecessor, mas reuniu os programas sociais do governo, deu-lhes novos nomes e impulsionou tais programas com ampla propaganda.

A sensação permanente era a de que o povo deveria agradecer ao líder por estar recebendo o que lhe era de direito. Funcionou! Lula se tornou eminência parda. Seu discurso com linguagem simplória fez a parte mais pobre da população acreditar que tinham um representante no governo. Enquanto o presidente aumentava os ministérios e aparelhava o Estado, os projetos econômicos assistencialistas levavam muitos a crer que era a vez do povo. O custo de sustentar a estrutura governista crescia de forma assustadora. Porém, a estabilidade econômica permitiu ao Brasil angariar favor e investimentos no contexto internacional.

Lula privatizou estradas federais, bancos, hidrelétricas e mesmo regiões de petróleo. Fez isso, entretanto, sorvendo uma popularidade muito superior à de seu antecessor. A descoberta de jazidas de petróleo abaixo do pré-sal foi celebrada como nos tempos de Getúlio no melhor estilo “O Petróleo é nosso”.

As frases de impacto só reforçavam a imagem de um pai, um líder que conduziria o povo brasileiro à justiça social. De fato, os indicadores sociais mostravam uma melhoria significativa da qualidade de vida da população mais pobre. Em 2006, Lula foi reeleito no segundo turno, desfrutando de grande popularidade. Tal política social rendeu prêmios a Lula. Velado, porém, estava o custo do assistencialismo. Durante a crise que abalou o mundo em 2008, o PT procurou desenvolver uma política de incentivo ao consumo.

As conquistas sociais do governo Lula possibilitaram melhoria da qualidade de vida de miseráveis e especial espaço foi dado a afrodescendentes que passaram a ter mais acesso ao ensino superior. Entretanto, durante os anos de governo Lula o IDH brasileiro caiu de 63º para a 75ª posição.

Outros fatos importantes do governo Lula foram a crise aérea, o escândalo do mensalão, escândalos de corrupção dentro da casa civil e a participação brasileiro no corpo de paz da ONU no Haiti. Mesmo com os escândalos de corrupção em seu auge e alguma insegurança econômica, Lula conseguiu eleger sua candidata, Dilma Roussef. Dilma fora completamente fabricada e esculpida para a presidência. Não tinha traquejo político e tornou-se alternativa política pois todos os presidenciáveis do PT haviam caído como fruto de intensos escândalos de corrupção. Dilma era a segurança da manutenção dos programas assistenciais. A essa altura, o preço da manutenção do capitalismo de Estado começaria a cobrar seu preço e o governo começaria a mentir suas despesas para manter a confiança do mercado internacional e mesmo interno. A crise é tamanha que para controlar os custos do governo muitos programas sociais foram cortados. Como bons populistas, o PT continua culpando banqueiros e o mercado internacional por sua crise.