HISTÓRIA DO BRASIL
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17.03.5 REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-1845)

17.03.5 REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835-1845)

A Revolução Farroupilha foi a mais longa guerra civil que ocorreu no Brasil e foi a que chegou mais perto de ser bem-sucedida em seu projeto de separação do território brasileiro. Leva esse nome pois os soldados legalistas, da Regência, afirmavam que os gaúchos andavam em farrapos.

Existiam setores descontentes no Rio Grande de São Pedro – mais tarde Rio Grande do Sul – com a centralização política no Rio de Janeiro. Pior do que isso, era a capital que decidia o presidente provincial e era de lá que vinham os impostos altíssimos que incidiam sobre o charque gaúcho. Os impostos eram tão altos que o consumidor acabava pagando mais barato no charque uruguaio e argentino do que no charque do Rio Grande!

A tensão estourou quando o presidente provincial imposto pela regência, Antonio Rodrigues Fernandes Braga, aumentou ainda mais os impostos sobre o charque gaúcho. Liderados por Bento Gonçalves, os estancieiros invadiram a cidade de Porto Alegre, depuseram Fernandes Braga e empossaram Marciano José Pereira Ribeiro como presidente. A reação foi imediata e após intensos embates, em 1836, um general das tropas gaúchas, Antonio de Sousa Netto, proclamou a República Rio-grandense. Não havia mais volta, a Farroupilha se tornara um movimento separatista.

Além da declaração de independência, 1836 foi o ano em que Bento Gonçalves foi preso e levado para uma masmorra na Bahia. Porém, com um estratagema fantástico, contando com a ajuda da maçonaria, Bento Gonçalves fugiu e retornou para o Rio Grande do Sul.

Em 1838, supostamente sob a influência dos modelos republicanos no Uruguai e na Argentina, foi proclamada no Rio Grande a República do Piratini. Em 1839 invadiram e tomaram Santa Catarina, proclamando ali a República Juliana, mas que sucumbiu pouco tempo depois por não contar com o apoio popular.

Bento Gonçalves teve o apoio de outros estancieiros, e ainda com Giuseppe Garibaldi, conhecido defensor libertário na Europa, onde era perseguido, mas com a sequência da Guerra, o desgaste foi levando a cúpula da Revolução a sofrer com discordâncias. David Canabarro, por exemplo, já aceitava o Império, desde que houvesse maior autonomia provincial.

Desgastados e com os recursos à míngua, os farrapos aceitaram um acordo de paz em 1845 que permitisse a anistia geral, a absorção dos militares gaúchos pelo exército brasileiro e condições competitivas para o charque. Perderam a guerra, mas todas as suas pautas foram atendidas. Estima-se que hajam morrido entre 3 mil e 5 mil pessoas durante a Guerra.