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18.01 REVOLUÇÃO PRAIEIRA - 1848

18.01 REVOLUÇÃO PRAIEIRA - 1848

A Província de Pernambuco tinha extensa tradição de revoltas. Tratava-se de uma região bastante politizada, tendo em vista a presença de fazendeiros, comerciantes, burocratas, profissionais liberais. A família dos Cavalcanti, liberais, dominava um terço dos Engenhos da Província. O controle exercido por eles era tão grande que um verso de uma quadra fez muito sucesso ao descrever esse poder:

Quem viver em Pernambuco

não há de estar enganado:

Que, ou há de ser Cavalcanti,

ou há de ser cavalgado.

Porém, os Rego Barros controlavam o comércio na Província e se posicionavam como conservadores. Pior que essa polarização, as duas famílias controlavam a política em Pernambuco e se revezavam no poder como num acordo de bons amigos.

Entre os liberais, uma ala mais radical foi se cansando desse controle e acabou criando seu próprio partido, o Partido Nacional de Pernambuco. Os dissidentes reuniam-se na Tipografia do jornal Diário Novo, que ficava na rua da Praia, de onde vem o nome da Revolução Praieira.

Surgindo como uma alternativa política na Província, o Partido Nacional Pernambucano recebeu bom número de votos em 1844 e passou a exercer crescente controle político em Pernambuco, tendo em vista a maioria liberal no Ministério Imperial e a chegada de Antonio Pinto Chichorro da Gama, liberal radical, à presidência de Pernambuco.

Aos poucos, os praieiros destituíram absolutamente todos os indivíduos da oposição dos cargos de confiança, da polícia e mesmo de dentro das Assembleias. Para custear a nova equipe, aumentaram os impostos e reprimiram a resistência. Entre os dias 26 e 27 de junho de 1848 a tensão aumentou e houve combate nas ruas. Os liberais tinham profundo desgosto contra portugueses que, por sua vez, ainda tinham controle sobre vários setores da economia pernambucana e ajudavam a engrossar as fileiras dos conservadores.

Em 1848, uma série de denúncias sobre a administração do Partido Nacional enfraqueceram os radicais e culminaram na queda de Chichorro. Com a retirada da equipe dos radicais, a situação ficou explosiva.

Os praieiros, com a ajuda do senhor de engenho Pedro Ivo e Borges da Fonseca, organizaram um exército de 1500 homens. Cercaram Recife e no embate, cerca de 200 revoltosos morreram além de 300 presos. Apesar da proposta de paz do Império, os revoltosos mantiveram-se em guerra até serem completamente destruídos em 1850.

Em 1º de janeiro de 1849, Antonio Borges da Fonseca redigiu o chamado Manifesto ao Mundo que, dentre outras coisas, exigia, no espírito da Revolução de 1848 na França:

- Voto livre e universal;

- Liberdade de Imprensa;

- Garantia de Trabalho;

- Fim do poder Moderador;

- Federalismo;

- Garantia de direitos individuais do cidadão.

É importante destacar que a pauta de reivindicações sociais da Revolução Praieira não foi clara e a escravidão nunca foi um tema em discussão. Os líderes do movimento acabaram presos mas soltos pouco tempo depois e os que fugiram acabaram anistiados em 1851.