HISTÓRIA DO BRASIL
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18.02 ECONOMIA NO SÉCULO XIX

18.02 ECONOMIA NO SÉCULO XIX

No Segundo Reinado, a economia brasileira permanecia agrícola e voltada a atender os interesses do mercado internacional. Dessa vez, o produto de exportação era o café. O centro de produção não era mais o nordeste, mas o Vale do Paraíba, no leste paulista e o sul do Rio de Janeiro.

O café, depois de plantado, tinha uma vida útil de aproximadamente 25 anos, o que acabava empurrando os barões do café cada vez mais para o interior de São Paulo. A produção de café era tão importante que o lema do país passou a ser: “O Brasil é o Vale”, numa referência ao Vale do Paraíba e o café ali produzido.

Era essencial uma diversificação econômica, mas com o ganho significativo promovido pelo café, seria difícil mudar o rumo da economia. Algumas medidas, entretanto, começaram a ser tomadas para incentivar outros ramos da economia. Em 1850, foi aprovada a Lei Eusébio de Queirós, que interrompia o tráfico de escravos, ou seja, obrigaria o emprego de mão de obra assalariada no Brasil. A ideia seria fazer com que o capital migrasse para outras atividades, de preferência, a industrialização. Por isso, foi vital que a Eusébio de Queirós fosse acompanhada da Tarifa Alves Branco, que aumentava para 30% os impostos sobre produtos importados e, caso o produto comprado no estrangeiro fosse produzido no Brasil, a carga tributária poderia alcançar 60%!

É bem verdade que a pressão inglesa foi importante para tudo isso, tendo em vista que em 1845 a Inglaterra decretou o Bill Aberdeen, no qual assumia o papel de polícia do Oceano Atlântico e se comprometia a devolver para a África qualquer navio negreiro que encontrasse. Além disso, a Inglaterra e outros países europeus desenvolveram campanhas de boicote a produtos que fossem produzidos por escravos. Ora, no Brasil, o fumo, o açúcar, a pinga, dentre outros, eram produtos cuja mão-de-obra era escrava, assim, a economia brasileira precisava de diversificação imediata e a Tarifa Alves Branco bem como a Lei Eusébio de Queirós pareciam coadunar com essa tendência.

O Império voltou a viver dias de glória com crescimento econômico. “A reunião de fatores favoráveis – tarifa Alves Branco, abolição do tráfico e ascensão do café – estimulou uma onda de empreendimentos urbanos: “fundaram-se”, afirma o historiador Nelson Werneck Sodré, “62 empresas industriais, 14 bancos, 3 caixas econômicas, 20 companhias de navegação a vapor, 23 seguros, 4 de colonização, 8 de mineração, 3 de transportes urbanos, 2 de gás, 8 estradas de ferro”. KOSHIBA & PEREIRA.

Irineu Evangelista de Sousa, barão de Mauá, foi figura emblemática desse processo de desenvolvimento do país. No começo da década de 1860, apesar do alto valor de suas companhias, o fato de não receberem investimentos acabou degradando os empreendimentos de Mauá e este acabou falindo em 1873. Os investimentos de Mauá foram profundamente prejudicados graças ao Ministro da Fazenda, Ângelo Moniz da Silva Ferraz, pois este, sabedor da dependência do mercado brasileiro das mercadorias britânicas, resolveu retirar os impostos sobre ferramentas e máquinas da indústria pesada. As fundições do Barão de Mauá foram severamente prejudicadas com a concorrência estrangeira. É importante salientar que a redireção da economia brasileira para a indústria não agradava as elites agrárias que pressionaram Silva Ferraz a aprovar a tarifa que acabou levando seu nome, Tarifa Silva Ferraz.