HISTÓRIA DO BRASIL
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18.04 A QUESTÃO CHRISTIE

18.04 A QUESTÃO CHRISTIE

O Navio Prince of Wales saiu em 1861 da Escócia com destino à Argentina. Passando pelo Rio Grande do Sul, o navio teve problemas e começou a afundar. Alguns marinheiros pularam do navio, foram até a costa e de lá foram pedir ajuda da Capitania do Porto de Rio Grande.

Quando voltaram, os marinheiros tiveram uma desagradável surpresa. Os corpos sem vida de dez dos seus companheiros estavam na praia. Além disso, muita mercadoria que o navio transportava boiou e os populares se aproveitaram da situação e recolheram para si aquela mercadoria que deveria estar supostamente perdida.

O embaixador da Grã-Bretanha no Brasil, William Dougal Christie, foi avisado do incidente e este solicitou que o imperador D. Pedro II pagasse uma indenização pelos prejuízos causados pelo suposto roubo da carga do Prince of Wales. D. Pedro II acenou negativamente com o pedido do embaixador britânico e a tensão entre os países começou a subir.

No ano seguinte, dois marinheiros brasileiros estavam acompanhados de mulheres e dois marinheiros britânicos, em trajes civis, quiseram disputar as mulheres com os brasileiros. A polícia deteve os estrangeiros e o governo brasileiro solicitou ao embaixador Dougal Christie o direito de julgar seus marinheiros.

William Dougal Christie retomou então o assunto do naufrágio e suposto saque do navio no ano anterior e exigiu que os marinheiros britânicos fossem libertos, os policiais que os prenderam fossem exonerados e os marinheiros brasileiros que participaram da confusão fossem punidos. Vale lembrar que desde 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, os ingleses não poderiam ser julgados por seu comportamento na colônia; regra que se manteve antevê independência. D. Pedro II resolveu não ser curvar às petições britânicas e se disse preparado para o confronto.

O embaixador britânico ameaçou o governo brasileiro de cercar o Porto no Rio de Janeiro, o que, de fato, aconteceu, além de exigir o pagamento de uma indenização da ordem de 3,2 mil libras esterlinas. A tensão chegou ao seu limite máximo.

Inglaterra e Brasil solicitaram o arbitramento internacional da Bélgica que, em 1863, deu ganho de causa para o Brasil. Porém, D. Pedro II já havia feito o pagamento da indenização. O governo brasileiro pediu o dinheiro de volta, mas só obteve o silêncio dos britânicos. A relação entre os dois países acabou ficando arranhada por longo tempo.