HISTÓRIA DO BRASIL
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18.06 A CRISE DO IMPÉRIO

18.06 A CRISE DO IMPÉRIO

O Império sempre se sustentou em um tripé, os Latifundiários, o Exército e a Igreja. Aos poucos porém, cada um desses grupos tirou seu apoio do regime que acabou caducando. Pior, a própria família real estava dividida. D. Pedro Augusto, filho da princesa Leopoldina, filha mais nova de D. Pedro II e Dna. Teresa Cristina fora deixado aos cuidados da irmã e dos avós quando Leopoldina morreu. Até então a princesa Isabel e o Conde D’Eu não haviam conseguido ter filhos, o que colocava D. Pedro Augusto como imediato na linha sucessória. A opinião pública também era mais favorável com o garoto que até publicava artigos no jornal do Rio de Janeiro. Mas logo que Isabel engravidou, toda a tensão veio à tona e as rivalidades não ficaram mais escondidas. A família imperial estava em frangalhos. O patriarca, D. Pedro II pouco ou nada fez para acalmar os ânimos da família. Não há respostas claras que possam identificar os reais motivos do silêncio de D. Pedro II, mas há quem sugira que o próprio monarca imaginasse que após a sua morte o Brasil pudesse vir a ser uma República, um regime moderno.

Se a família real estava dividida, esse só foi um detalhe para a queda da fruta podre que era o Império no Brasil. Como dissemos acima, medidas políticas da própria monarquia aceleraram sua queda. Vejamos a seguir os elementos que precipitaram a queda definitiva da monarquia.

Questão Religiosa – 1872

O catolicismo era a religião oficial do Brasil desde a Independência. No entanto, exercia-se por aqui o que chamamos de padroado. Ou seja, todos os cargos importantes da Igreja no Brasil eram indicados pelo imperador. Mesmo as ordens do papa só eram aplicadas com ordem e consentimento de D. Pedro II.

Em 1872, o papa Pio IX declarou que todos os maçons deveriam ser execrados das irmandades da Igreja ou essas irmandades deveriam ser suspensas. No Brasil isso era uma questão da maior gravidade, tendo em vista que a maçonaria esta encrustada no governo imperial, que praticava o padroado!

Os bispos de Olinda e Belém, dom Vidal Maria e dom Macedo Costa, obedeceram ao papa. No entanto, as entidades suspensas apelaram ao imperador que restituiu o poder das entidades e dos religiosos alijados pela Igreja. Além disso, os bispos que obedeceram ao papa foram presos, mas anistiados em 1875. Entretanto, mesmo com a Anistia, a situação deixou maculada a relação entre Império e Igreja, que paulatinamente retirou seu apoio do Império.

Questão Militar – 1883 a 1887

Há duas coisas que estimulam a ira dos militares ao longo de toda a História brasileira: quebra de hierarquia e exposição dos problemas da caserna para a imprensa. São, respectivamente, dois problemas de expõem as fragilidades da instituição que precisa sempre parecer forte e sólida. Com a questão militar, crise pivô da queda do império no Brasil, não foi diferente.

Depois das promessas não cumpridas pelo imperador por ocasião da Guerra do Paraguai – o aumento dos salários nunca veio, tampouco o plano de progressão de carreira – cresceu no número de militares que passaram a alimentar sentimentos republicanos, especialmente liderados por Benjamin Constant.

Em 1884, o Ceará havia se tornado o primeiro Estado brasileiro a acabar com a escravidão. Francisco do Nascimento era um jangadeiro que se negara a carregar escravos para o tráfico e seu exemplo foi seguido por outros, o que culminou com o fim da escravidão na região. Para homenagear Francisco, conhecido no Ceará como Dragão do Mar, o tenente-coronel Sena Madureira, veterano da Guerra do Paraguai, recebeu seu subalterno na Escola de Tiro, em Campo Grande, no Rio de Janeiro. O episódio foi noticiado pela imprensa. O ministro da Guerra, que se desagradou das declarações liberais de Antônio Sena Madureira diante da imprensa, exigiu explicações ao tenente-coronel. Sena Madureira alegou que seu imediato era o chefe da artilharia, Conde D’Eu. A situação gerou constrangimento e mostrou falta de sintonia nas ideias dos militares. Sena Madureira era reincidente no desagravo de seus superiores, pois em 1883 foi à imprensa reclamar contra um programa de contribuição e aposentadoria de militares que tramitava no Parlamento. Como era reincidente, foi deslocado do Rio de Janeiro para o Rio Grande do Sul, onde passou a defender com mais ardor a causa da abolição.

Um outro fator veio a intensificar as insatisfações contra o conservadorismo do império. No Piauí, o coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos denunciou irregularidades nas tropas do Estado, praticadas pelo capitão Pedro José de Lima. O capitão denunciado era do Partido Conservador e foi defendido por deputados do seu partido que fizeram críticas que apelavam à moral de Cunha Matos. A situação ficou tensa e a imprensa foi usada como terrenos das discussões. A certa altura, Sena Madureira foi citado nos artigos e este resolveu responder no jornal republicano gaúcho A Federação, de propriedade de Júlio de Castilhos. O ministro da Guerra mais uma vez determinou a punição de Sena Madureira, mas, Deodoro da Fonseca que era presidente da província – além de comandante em armas – rejeitou a ordem!

Sena Madureira se demitiu do Exército, mas o avanço das ideias positivistas deixava claro que a oposição do Exército ao arcabouço ideológico que sustentava o Império estava se intensificando cada vez mais. Em 1887, D. Pedro II tentou reverter a situação perdoando Cunha Matos, Deodoro da Fonseca e Sena Madureira, mas a ação bem estruturada e unida dos militares provou do que eram capazes e alimentou os sonhos de uma República.