HISTÓRIA DO BRASIL
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19.02 FLORIANO PEIXOTO (1891-1894)

19.02 FLORIANO PEIXOTO (1891-1894)

O artigo 42 da Constituição de 1891 determinava que se o presidente eleito não chegasse a governar por dois anos e acabasse deposto ou por qualquer motivo houvesse abandono de poder, deveriam haver novas eleições. Apesar dos ajustes políticos e econômicos realizados por Peixoto, este não convocou novas eleições, o que acabou desencadeando uma série de reações em torno da legalidade do governo do novo presidente. Floriano teria ignorado a lei pelo fato de Deodoro haver sido eleito pelo Congresso.

Na tentativa de impedir o governo ilegal de Floriano Peixoto, 13 oficiais, do exército e marinha, fizeram um manifesto no qual exigiam o cumprimento constitucional com novas eleições. O episódio ficou conhecido como o Manifesto dos 13 Generais, que acabaram reformados, ou seja, aposentados, pelo presidente.

Na marinha, o contra-almirante Custódio de Melo esperou pela legalidade do governo republicano, mas Floriano Peixoto não dava sinais de que convocaria eleições. Custódio de Melo desejava lançar sua candidatura à presidência e, por isso, resolveu agir. Contou com grande apoio da marinha ao unirem-se em dezessete navios de guerra, além de oito mercantes. Apesar de velhos, os navios mostravam a organização da revolta que ameaçou bombardear o Rio de Janeiro. Enquanto boa parte dos navios trocava tiros com a Fortaleza de Santa Cruz, Custódio de Melo liderou o navio Aquidabã para a ilha do Desterro, em Santa Catarina e uniu-se aos revoltosos gaúchos da Revolução Federalista. Por fim, em 1895 a Segunda Revolta da Armada foi sufocada. O desafio de Floriano era então deslocar-se para o sul e derrotar os maragatos.

No Rio Grande do Sul, a disputa entre caudilhos levou Deodoro da Fonseca, ainda em 1891, mandar Gaspar Silveira Martins para o exílio. O Estado teve vários governantes até que em 1892, Júlio de Castilhos, centralizador e apoiador do governo federal, assumiu o comando gaúcho. De acordo com Eduardo Bueno, no livro Brasil: Uma História, Castilhos era tão manipulador e centralizador que arrumou inimigos em várias facções políticas, de monarquistas a republicanos e federalistas.

Silveira Martins, que já vivera a experiência do exílio, montou um grupo de resistência armada na região da Maragateria, no Uruguai com mercenários liderados por Gumercindo Saraiva. Fraudes e assassinatos políticos provocaram a guerra que começou em 2 de fevereiro de 1893. Os Maragatos, denominados assim por sua origem, eram também denominados de “federalistas”, pois desejavam maiores poderes para os Estados. Os “legalistas” eram os defensores da ordem republicana tal como denominava Floriano. Estes eram denominados de “pica-paus”, ao que tudo indica, por causa da cor vermelha de seus chapéus.

A Revolução Federalista empurrou as tropas legalistas para o norte e os maragatos chegaram ao sul do Paraná, onde enfrentaram a dura resistência das tropas governistas enquanto cercavam a cidade da Lapa. A cidade capitulou, mas resistiu tempo suficiente para que Floriano Peixoto reorganizasse uma resistência. Os maragatos foram derrotados no Paraná e posteriormente na ilha do Desterro que mudou de nome em homenagem ao presidente – Florianópolis. O Rio Grande do Sul permaneceria violento e insatisfeito com a política nacional até 1930.

A democracia realmente não era o forte de Floriano Peixoto. Ao perceber que o pleito democrático estava consolidado no Brasil e que perdera espaço político, tendo que deixar a presidência para o civil Prudente de Moraes, destruiu todo o gabinete presidencial. Assentos foram furados, a mesa destruída, papéis jogados para todos os lados. Restava ao novo presidente começar do zero!