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20.05 GUERRA DE CANUDOS

20.05 GUERRA DE CANUDOS

No fim do século XIX, era comum que padres andassem pelo empobrecido sertão nordestino dando assistência à população carente. Muitas vezes eram construídas casas de caridade que prestavam auxílio pedagógico, alimentar e até teológico. Foi assim que Antonio Vicente Mendes Maciel chegou um dia a uma casa de caridade coordenada pelo padre José Maria Ibiapina.

Antonio Mendes recebeu instrução religiosa e passou, ele mesmo, a caminhar como beato pelo sertão baiano dando assistência para os mais pobres. Ao se deparar com a intensa exploração a que eram subjugados os funcionários dos latifundiários, Antonio Mendes, já então Antonio Conselheiro, criou uma comunidade próxima ao Rio Vaza Barris, uma região ignorada, onde pretendia criar uma comunidade peculiar, modelo, agradável, que deveria vir a ser chamada de Belo Monte.

Não tardou, porém, para que o arraial, e especialmente o Conselheiro, desenvolvessem inimigos. A Igreja, oficialmente, passou a criticar o arraial, tendo em vista as ideias messiânicas do beato. Antonio Conselheiro era pregador do sebastianismo, religião mítica que sugeria a ressurreição de D. Sebastião, rei português morto em 1578.

Além da Igreja, os sertanejos angariaram a insatisfação dos latifundiários que foram perdendo mão-de-obra na lavoura. Canudos chegou a ter entre 20 mil e 25 mil habitantes, um número alto se considerarmos que Salvador tinha 200 mil habitantes e Juazeiro, no norte do Estado tinha 3 mil.

Além da Igreja e dos latifundiários, a comunidade de Belo Monte acabou também atraindo a preocupação e o descontentamento do governo. Desde 1893 os impostos estavam aumentando e Antonio Conselheiro declarou-se monarquista, além de rasgar os impostos e não cumprir seus deveres com a União. Era preciso então uma medida corretiva, afinal, você sabe, se a moda pegasse, seria o início da anarquia no país. O mais importante a pensar é que em todo esse tempo, o governo não procurou entender o que estava acontecendo e nem desenvolveu uma política séria voltada para os desvalidos.

O estopim do conflito ocorreu quando os sertanejos compraram madeira para a construção da Igreja na cidade de Juazeiro, pagaram, mas não receberam a mercadoria. Antonio Conselheiro ameaçou invadir a cidade e, para evitar a balbúrdia, o juiz da cidade solicitou ajuda do governador. No fim de 1896 a primeira tropa do exército se aproximou de Belo Monte, mas foram expulsos pelos sertanejos, apesar de estes haverem perdido mais homens. Desmoralizados, os militares organizaram rapidamente uma resposta. Antes do fim de novembro de 1896, 543 soldados foram enviados à região, mas, igualmente derrotados.

A essa altura, Canudos era um risco para o Estado. Todo o ideal positivista de progresso sem violência estava ameaçado. Além disso, tornava-se uma questão de honra para o exército derrotar os sertanejos. Em fevereiro, 1300 soldados liderados pelo violento Moreira César, chegaram até as cercanias de Canudos. Em março, encontraram sucessivas derrotas até que o próprio comandante foi morto.

Em abril de 1897, duas frentes foram abertas para derrotar os sertanejos, uma liderada pelo general Savaget e outra pelo general Arthur Oscar. Apesar de um início de combate promissor para os rebeldes, finalmente o exército se impôs e arrasou o arraial. No dia 22 de setembro morreu Antonio Conselheiro de causas até hoje desconhecidas. No dia 5 de outubro Canudos capitulou.