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20.06 O CANGAÇO E O BANDITISMO SOCIAL

20.06 O CANGAÇO E O BANDITISMO SOCIAL

O coração do governo republicano sempre esteve no sudeste. O nordeste recebia pouca ou nenhuma atenção da União. Frequentemente haviam reações às ordenanças federais. No Ceará, o poderoso Padre Cícero associou-se a jagunços que desafiavam a ordem federal. A Igreja nunca reconheceu os supostos milagres de “padim Ciço”, mas seus sermões conduziram o fervor patriótico regional cearense. Com apoio de jagunços bem armados e poderosos, ninguém nunca enfrentou a autoridade do beato que chegou a ser um grande proprietário de terras no Ceará.

No interior de Alagoas e Sergipe não foi muito diferente. Sem cuidado da federação, o Cangaço se tornou um estilo de vida. A princípio, muito identificado com justiça social, frequentemente usou da violência sem limites como um meio de supostamente garantir a paz. Não houve um cangaceiro mais famoso que Virgulino Ferreira da Silva. Virgulino dizia que quando disparava sua espingarda, um faixo de luz, tal qual um lampião, aparecia. O apelido o precedeu e Lampião passou a ser uma autoridade no sertão nordestino. Seu bando praticava assassinatos, estupros, destruição, tudo em nome, acredite, da justiça social. Através do padre Cécero recebeu equipamento para atacar a Coluna Prestes, numa estratégia do governo de opor dois grupos que causavam problemas para a “ordem nacional”. Quando percebeu a estratégia, Lampião rejeitou combater Luís Carlos Prestes, mas manteve sua causa. Em 1938, numa emboscada, Lampião, sua esposa, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram mortos. Suas cabeças foram decepadas e seus corpos jogados num rio.

O banditismo pode muito bem ser usado como um exemplo de desmando do governo federal e também de falta de sabedoria em reagir ao governo por parte dos rebeldes.