HISTÓRIA DO BRASIL
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20.08 REFORMA URBANA E REVOLTA DA VACINA

20.08 REFORMA URBANA E REVOLTA DA VACINA

Em 1903, Pereira Passos assumiu a prefeitura do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro era a capital do país mas era carente de infraestrutura elementar. As ruas estreitas eram antro de bêbados, bandidos, além de exalarem profundo odor de urina e fezes. A higiene era horrível e, considerando que o Brasil recebia comissões estrangeiras frequentemente, era mesmo uma vergonha apresentar essa cidade como a capital do país.

O prefeito, já com 66 anos, engenheiro experiente, sabia que uma reforma urbana seria extremamente difícil. Eugene Haussmann, o responsável pela reforma urbanística na cidade de Paris entre 1853 e 1870 pagou um preço alto pelas reformas da cidade. Era preciso embelezar, mas também garantir que não houvesse espaço hábil para motins na cidade luz. Em 1870 manifestações populares acarretaram sua queda. Pereira Passos sabia dos riscos políticos que correria e não poderia enfrentar resistências para cumprir a meta de reformar o Rio de Janeiro.

De acordo com Luiz Felipe d`Ávila: “[Pereira Passos] Lembrou-se das lutas e desafios de Haussmann e disse ao presidente da República que só aceitaria o cargo de prefeito se tivesse plenos poderes para governar o Rio de Janeiro. Exigiu que Rodrigues Alves aprovasse um pacote de leis no Congresso que lhe garantissem poderes jurídicos e administrativos de um verdadeiro autocrata. O presidente teve de usar todo seu prestígio e força política para contornar a pressão da oposição e a relutância de alguns parlamentares da bancada governista para aprovar o polêmico pacote de medidas.

Munido de plenos poderes, Pereira Passos assumiu a prefeitura no dia 3 de janeiro de 1903. Precisava agir rápido para silenciar a onda de protestos que tomou conta da cidade por causa das leis que entraram em vigor na véspera de sua posse. A suspensão dos trabalhos na Câmara Municipal por seis meses foi a primeira medida controversa aprovada pelo Congresso. Pereira Passos acreditava que o projeto de urbanização não poderia ser submetido à apreciação da Câmara Municipal, sob pena de se tornar objeto de barganha política e discussões partidárias que retardariam sua implantação e desfigurariam o objetivo da proposta.” D`Avila, Luiz Felipe. OS VIRTUOSOS. Edit. A Girafa. Pág. 148.

Apesar de trabalhar para nunca estourar o orçamento, a situação iria piorar muito para Passos quando as pessoas foram desalojadas de suas casas e as mesmas foram destruídas. Revoltas levaram a confronto com policiais e pessoas morreram na resistência ao progresso da capital. Casebres, cortiços, tudo fora derrubado. As obras melhoraram a paisagem urbanística. O porto do Rio de Janeiro, um dos grandes problemas da economia nacional também foi melhorado para ampliar a capacidade de navios e mercadorias desembarcadas na capital.

Porém Pereira Passos teria outro desafio enorme adiante. Uma vez que a cidade fora melhorada, era a população que agora precisava de tratamento contra a varíola, febre e até a peste bubônica. Toda sorte de doenças tomava conta da capital.

Rodrigues Alves, que perdera um filho para a febre amarela, resolveu trazer sanitaristas da França, mas um cientista brasileiro, discípulo da escola francesa, tido como gênio, Oswaldo Cruz, acabou sendo a alternativa. As classes média e baixa viam a vacinação com desconfiança, uma vez que nunca fora implantada no Brasil. Uma lei de 1904 tornava a vacina contra varíola obrigatória, mas a população não se vacinou, o que obrigou o governo da cidade a criar as brigadas sanitaristas, que invadiam as casas e vacinavam à força. A opinião pública tendia a ver a ação como invasiva e o desalojamento das pessoas de suas casas na reforma urbanística, somada à crise financeira foi enchendo o barril de pólvora. Num comício que criticava a vacinação, o orador foi preso no palanque e a Revolta foi desencadeada.

Alguns militares, insatisfeitos com o poder concentrado nas mãos dos cafeicultores deram suporte à revolta que passou a ter o objetivo de depor Rodrigues Alves. Militares legalistas defenderam o presidente e a revolta tomou ares de guerrilha. Os líderes da Revolta foram mortos ou presos e enviados para o Acre, recentemente incorporado ao Brasil pelo Tratado de Petrópolis.

Em poucos meses os surtos de pestes e doenças diminuíram drasticamente e a varíola foi vencida.