HISTÓRIA DO BRASIL
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20.14 REBELIÕES TENENTISTAS - 1922 A 1924

20.14 REBELIÕES TENENTISTAS - 1922 A 1924

Em meio ao revezamento político de paulistas e mineiros na presidência e o acordo para a manutenção das oligarquias no poder dos Estados, surgiu um grupo capaz de dirigir uma resistência política à política do café-com-leite. Esse grupo era composto por militares de média e baixa patente, politizados e que reconheciam a trama política na qual o país estava afundado. Esse grupo é denominado de tenentistas.

Há historiadores que alegam que os tenentistas representavam as classes médias urbanas da sociedade brasileira. Outros, porém, sugerem que os tenentistas representavam a si próprios mas que sua causa era identificada em grupos esquecidos politicamente, no caso, as classes médias.

O revezamento entre paulistas e mineiros era bem conhecido dos tenentes que estavam dispostos à mobilização. Em 1919, já estava articulado entre São Paulo e Minas Gerais - com o aval de Epitácio Pessoa, então presidente da República - que o governador de Minas, Artur Bernardes, seria lançado candidato à presidência em 1922. Borges de Medeiros, governador do Rio Grande do Sul, lançou então a chamada “Reação Republicana” contra a aliança entre paulistas e mineiros. O propósito era lançar a candidatura de Nilo Peçanha. Borges de Medeiros apoiou Epitácio Pessoa em sua campanha presidencial, mas se sentiu traído quando Pessoa não posicionou os nomes acordados para os devidos ministérios.

Em 1921, duas cartas supostamente assinadas por Artur Bernardes criticavam abertamente o Exército e o marechal Hermes da Fonseca. A finalidade dessas cartas era levar o exército a uma reação golpista contra Bernardes e impedir sua candidatura e eventual vitória. Seriam eleições bastante apertadas. De um lado Artur Bernardes, do outro Nilo Peçanha. Levou a melhor o candidato da aliança café-com-leite. Apesar das ameaças, nada ocorreu para impedir a posse de Bernardes, mas seu governo não teria trégua dos militares.

Em 5 julho de 1922, 301 militares que estavam aquartelados no Forte de Copacabana resolveram amotinar-se contra o governo. Insatisfeitos com o resultado das eleições, julgando que Artur Bernardes fraudara o resultado, resolveram impedir a posse do eleito. O plano era que todos os Fortes do Rio de Janeiro abrigassem o movimento. A uma hora da manhã, o canhão daria um tiro seco de pólvora e os demais fortes dariam o mesmo sinal em aprovação e união à Revolta. O tiro ecoou sozinho e Siqueira Campos, o líder da Revolta assumiu que estariam sozinhos. Foi permitido então que os amotinados abandonassem a revolta, mas quem quisesse ficar, daria continuidade ao enfrentamento. Sobraram 28 homens dentro do forte!

Na manhã seguinte, os 28 rebeldes tenentistas restantes dividiram uma bandeira do Brasil em 28 partes. Armaram-se e saíram do Forte para enfrentar o cerco com 4 mil militares. Conforme deslocavam-se pela Avenida Atlântica, onze rebeldes abandonaram o enfrentamento. Um turista gaúcho, Otávio Correia aderiu ao movimento. A primeira saraivada de tiros matou 10 tenentes. Na segunda, sobraram apenas Siqueira Campos e o tenente Eduardo Gomes. Chegava ao fim a Revolta dos 18 do Forte.

Os tenentes, porém, não se deram por vencidos. Em São Paulo, uma resistência foi articulada contra o governo em 1924. No segundo aniversário da Revolta de 1922, tenentes tomaram a cidade de São Paulo e pediam a queda do presidente Artur Bernardes. A cidade foi sitiada e bombardeada durante as três semanas em que esta ficou nas mãos dos revoltosos. Saques e destruição tomaram conta da cidade. Todas as vezes que os tenentes tentaram negociar com o governo federal receberam negativas como resposta. Acabaram fugindo de trem da cidade em direção a Foz do Iguaçu, encontrando-se com uma coluna gaúcha que também se dirigira para a cidade paranaense em função do fracasso de uma revolta ocorrida ao longo de dez meses no Estado. Esse episódio ficou conhecido como Revolução Paulista de 1924 e ainda desdobrou-se no Paraná até meados de 1925. Em Foz do Iguaçu as lideranças gaúchas e paulistas criaram uma frente de combate revolucionária conhecida como Coluna Miguel Costa-Prestes ou simplesmente Coluna Prestes.

A Coluna Prestes andou cerca de 25 mil quilômetros por todo o Brasil, tentando alertar camponeses sobre o controle exercido no país pelas oligarquias. Prestes enfrentou batalhas em vários estados, sofria perdas por mortes e deserções e também recebia novas adesões. Entretanto, a tal criação de uma consciência social capaz de se mover contra os “coronéis” foi superestimada por Prestes que acabou refugiando-se na Bolívia, onde acabou conhecendo o marxismo e converteu-se num socialista.