HISTÓRIA DO BRASIL
ESCOLHA UM TÍTULO

21. A REVOLUÇÃO DE 1930

21. A REVOLUÇÃO DE 1930

O revezamento entre paulistas e mineiros no que chamamos de República do Café-com-Leite sofreu um golpe abrupto quando o presidente Washington Luís, do PRP, anunciou seu nome para a candidatura ao cargo de presidente a partir de 1930. Como membro do PRP, Washington Luís deveria indicar candidato de Minas Gerais, Antonio Carlos. Entretanto, numa reviravolta, o presidente indicou Júlio Prestes – sem parentesco com Luís Carlos Prestes. Vale lembrar que a pressão sobre a República Oligárquica crescia, o que empurrou o presidente a implantar, em 1927, a chamada Lei Celerada, ou seja, censura à imprensa e outros órgãos de informação. Mesmo reuniões de agremiações eram proibidas, o que deixava clara a intenção de Washington Luís de atacar tenentistas e comunistas. Assim, a calmaria entre os anos de 1926 a 1930 foi enganosa.

Em 1929 a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou. O café brasileiro foi imensamente desvalorizado colocando o capital e poder das oligarquias paulistas em risco. Assim, para tentar salvar o café, Washington Luís indicara um paulista para a sucessão. Antonio Carlos, o preterido do presidente, resolveu articular uma oposição nas eleições. Surgiu então a Aliança Liberal, composta por Getúlio Vargas, candidato à presidência, seguido de João Pessoa como vice e Antonio Carlos como articulador político.

Para atrair atenção e votos, a Aliança Liberal se apresentou como uma alternativa reformista, propondo voto secreto, anistia política e leis trabalhistas. Apesar disso, a máquina paulista mostrou seu poder e Júlio Prestes venceu as eleições. Apesar de setores conservadores de oposição tenderem a aceitar o resultado, tenentistas e políticos de Estados periféricos se negaram a aceitar o resultado, manifestando sua opinião. Havia certa instabilidade no ar.

Uma tragédia, entretanto, veio a acionar o estopim de uma revolta antigovernista. João Pessoa, aparentemente mantinha um pequeno romance com uma mulher casada. O marido traído, sentindo-se no direito de justiçar sua honra, procurou João Pessoa e o matou numa cafeteria.

João Pessoa governava a Paraíba e era criticado pelos defensores do café-com-leite. Sua morte, apesar de distante de motivos políticos, acabou reunindo a oposição necessária para uma ação mais consistente contra os paulistas, que controlavam a presidência. Na Paraíba, João Pessoa tornou-se um símbolo. Sua suposta reação ao tomar conhecimento do resultado das eleições que deram a vitória a Júlio Prestes ficou estampada numa bandeira feia, mas cheia de simbolismo. Nego “o resultado da eleição”, acabou estampado na bandeira bem como o vermelho de seu sangue e o negro do luto pela morte do político.

A ação combinada de tenentes e civis, teve lugar às 17:30 de 03/10/1930 – os oficiais governistas foram presos em casa. 20 pessoas morreram em Porto Alegre. A articulação foi tão bem tramada e executada que não restou a Washington Luís outra alternativa a não ser aceitar a deposição. Júlio Prestes nunca chegou a assumir o cargo de presidente.

Uma junta governou o Brasil entre outubro e novembro quando se decidiu por um governo provisório, liderado pelo próprio Vargas. Afinal, se as eleições haviam sido realmente fraudadas, era razoável entregar o governo do país, ao menos temporariamente ao gaúcho. Começava assim, despretensiosamente, a Era Vargas.