HISTÓRIA DO BRASIL
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22.6 ESTADO NOVO

22.6 ESTADO NOVO

A fase que compreende os anos de 1937 a 1945 é chamada de Estado Novo. Teve todos os ingredientes característicos de uma Ditadura. Repressão policial a opositores do regime, controle da imprensa, culto ao líder e medidas populares para o controle das massas.

Um dos instrumentos mais importantes dessa fase foi o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda. Associado ao Ministério da Educação, o DIP garantiu a constituição de propaganda que ia das cartilhas de alfabetização até os sindicatos. O aparato propagandístico fazia lembrar a estrutura nazista montada por Joseph Goebbels.

O DIP também exercia o poder de censura e essa era extensiva ao menor sinal de oposição ou crítica ao governo varguista. Em 1940 o jornal O Estado de São Paulo teve sua direção destituída e substituída por censores do governo que controlaram o periódico até 1945.

Mas um elemento muito importante para a consolidação da Ditadura foi o surgimento de um elemento externo. Em 1939 estourou na Europa a Segunda Guerra Mundial. Pouco antes do ataque japonês a Pearl Harbor, os Estados Unidos haviam emprestado dinheiro para a construção da Usina de Volta Redonda. Isso aproximou os dois países. Durante longo tempo o Brasil esteve barganhando seu apoio a alemães e aliados. Há quem sugira que esse impasse se devia ao fato de os militares brasileiros desejarem tirar o máximo proveito das desconfianças de ambos os lados. Havia mesmo entre o alto escalão do exército brasileiro quem não escondesse suas tendências germanófilas, como Eurico Gaspar Dutra. O Exército estava se beneficiando das condições oferecidas por alemães e americanos até que Oswaldo Aranha denunciou a intenção brasileira para os americanos. Com a perda de confiança dos EUA, o Brasil passou a ser tratado sem a preferência do gigante do norte.

O desejo brasileiro de participar da guerra era latente pois isso posicionaria o Brasil em boas condições no cenário internacional segundo os cálculos de Vargas. Os EUA, por sua vez, não poderiam tolerar o surgimento de uma potência bélica dentro de sua zona de influência e tentaram dissuadir os brasileiros de todas as formas possíveis.

A situação começou a virar quando Hitler descobriu a aproximação definitiva do Brasil com os Aliados e passou a determinar o torpedeamento dos navios brasileiros que levavam suprimentos para a Europa. Os navios afundados em 1942 conduziram a opinião pública a defender o ataque aos alemães. Mas o Brasil não tinha recursos para tanto. Mais uma vez o destino sorriria para Vargas. Os Estados Unidos precisariam de uma base aérea que possibilitasse o deslocamento de aviões de lá para a África com fins de combater as tropas alemãs no norte africano. Natal parecia a escolha viável. Vargas barganhou e acabou conseguindo a autorização para enviar 100 mil homens para a guerra, totalmente armados pelos americanos.

Com os processos de triagem dos soldados, o Brasil acabou enviando cerca de 25 mil homens para o combate na Europa. O Brasil participou de um teatro secundário na Segunda Guerra Mundial – a Itália. E apesar das ações heroicas de algumas operações, não dá para dizer que os brasileiros foram vitais para a derrota nazi-fascista. Apesar disso, a adaptação dos pracinhas no continente europeu foi rápida e até mesmo a imprensa brasileira surpreendeu-se com o desempenho tupiniquim.

Com a vitória dos aliados, os soldados brasileiros começariam a voltar para casa. Havia aí, um enorme problema para as pretensões varguistas. Como sustentar um regime ditatorial após o combate contra o totalitarismo na Europa? Até em mesmo os EUA, que outrora defenderam a ditadura, sugeriram a retirada do presidente gaúcho.

A pressão social tendia a aumentar e Getúlio anunciou eleições para dezembro de 1945. Surgiu aí o movimento queremista. O movimento “queremista” recebeu esse nome em virtude do seu lema – “Queremos Getúlio”. O movimento, porém, não era ideologicamente homogêneo. Enquanto haviam os que desejavam a permanência do “pai dos pobres” por seus feitos populistas, também haviam os que temiam que um novo presidente assumisse o executivo sob a legislação de 1934, exercendo assim, constitucionalmente, um poder centralizador mais uma vez. Por isso, sugeriam uma reforma constitucional antes da saída de Getúlio.

Uma vez que Getúlio não se manifestava a respeito do movimento Queremista, a oposição temia alguma manobra do presidente para permanecer ainda por mais tempo no poder. Para tentar controlar as tensões, Getúlio permitiu a criação de partidos políticos (PTB e PSD criados pelo próprio presidente, UDN e outros) além da volta à legalidade do PCB e a libertação de Luís Carlos Prestes. Além disso, encerrou a censura à imprensa, mas não resistiria às próprias reformas. Em outubro Getúlio acaba deposto pelos próprios militares e é substituído por José Linhares, que deveria governar até a posse do presidente eleito pelo pleito de dezembro.

As eleições ocorreram sem maiores problemas e o general Eurico Gaspar Dutra – articulador da queda de Vargas e, no entanto, apoiado pelo ex-presidente – venceu as eleições mais amplas que o Brasil já havia vivido.

Apesar de cercado por militares, Getúlio preferiu abandonar o Catete. Saiu conciliador e sem perder os direitos políticos. Deixava a presidência um ditador responsável pela criação da Justiça do Trabalho, dos concursos públicos, da contratação de mão-de-obra especializada para o funcionalismo público, da CLT, do salário mínimo.