HISTÓRIA DO BRASIL
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24. GETÚLIO DE NOVO (1951-1954)

24. GETÚLIO DE NOVO (1951-1954)

Getúlio fora eleito democraticamente, mas a oposição não descolava dele a imagem do ditador de outrora. Vargas usou o nacionalismo como bandeira para se manter longe das críticas. Foi essa tendência, porém, que o conduziu a uma crise política.

O governo Dutra destruiu as reservas brasileiras e qualquer programa de desenvolvimento careceria de investimento estrangeiro. Os EUA eram o grande parceiro do Brasil e se comprometeram a investir US$ 400 milhões na economia brasileira.

Até 1953, a exploração de petróleo no Brasil era tímida. A riqueza natural só passou a ser massivamente explorada a partir do governo Vargas. A tendência, porém, foi a nacionalização da exploração do ouro negro, conhecida sob o mote “O Petróleo é Nosso”. Os americanos, investidores ativos do mercado brasileiro ficariam de fora do processo, o que trouxe desgastes na relação entre os dois países. Dos US$ 400 milhões acordados, os EUA acabaram enviando apenas US$ 180 milhões.

Sem apoio externo para investimentos, Vargas foi perdendo paulatinamente a já cambaleante popularidade. A imprensa também não dava folga e Carlos Lacerda, ferrenho opositor do presidente fazia campanha ousada pela queda de Getúlio.

Getúlio já aventava a hipótese do suicídio. A crise alcançou o limite com o atentado da rua Toneleros. Um carro que levava Lacerda foi alvejado e o motorista – oficial Rubens Vaz, da Aeronáutica – foi morto. Lacerda sofreu um ferimento na perna e o passageiro que vinha no banco de trás conseguiu fugir e chamar socorro. As investigações apontaram o envolvimento do chefe de segurança de Getúlio no atentado. O presidente não resistiu à pressão e em 24 de agosto de 1954, entrou no seu quarto, vestiu o pijama e disparou contra seu peito.

O suicídio de Vargas foi o último ato do populista. A carta testamento criou a lenda de um presidente que, se estava impopular, foi alçado ao nível de semideus. O discurso nacionalista, responsável por unir o povo, os benefícios sociais, o controle sobre os sindicatos, o jogo de imagem, deixou sua marca para sempre na política brasileira. Pior, criou escola.

Nos dezesseis meses que se seguiram até a posse de JK, o Brasil foi governado por Café Filho – que por motivos de saúde retirou-se do cargo – Carlos Luz, que sofreu Impeachment três dias depois de assumir (11 de novembro) a presidência devido a suspeitas de que não queria permitir a posse de Juscelino Kubitschek, e, por fim, Nereu Ramos, que passou a faixa presidencial para o então presidente eleito.