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26. JÂNIO QUADROS (1961)

26. JÂNIO QUADROS (1961)

Jânio Quadros é um fenômeno diferente na política brasileira. Foi lançado candidato à presidência pela UDN, partido conservador que sempre deixou clara sua posição de rejeição ao populismo varguista. Durante a campanha eleitoral para a presidência, Jânio foi para Cuba associar sua imagem com a de Fidel Castro, numa tentativa de transmitir a ideia de que era um líder que surgia das massas para as massas.

É importante contextualizar a ação de Quadros. 1960 era um momento nevrálgico da Guerra Fria e Cuba havia acabado de realizar uma revolução popular que tendeu ao socialismo. Além disso, o discurso de Quadros era essencialmente populista, ou seja, sem propostas sólidas, vago, concentrando-se em sua própria figura. O símbolo de sua campanha política era uma vassoura pois dizia que viria para limpar a corrupção deixada por seu antecessor.

Jânio venceu, mas aparentemente não convenceu. As dívidas deixadas por seu antecessor eram altas e Quadros sugeriu um aumento significativo dos impostos para sanar as dívidas além de congelamento de salários e diminuição dos investimentos federais.

A popularidade de Jânio já era bem ruim quando resolveu condecorar “Che” Guevara com a ordem do Cruzeiro do Sul, a maior condecoração nacional. Guevara era o maior símbolo da juventude socialista e da recente Revolução Cubana. A ação foi muito mal vista pela imprensa e pelo principal parceiro continental brasileiro, os EUA. A política de impostos sobre produtos importados também era um ataque aos americanos.

Carlos Lacerda, grande crítico do populismo, acusou o presidente de implantação de um regime socialista no país. As Forças Armadas já não se entendiam com o presidente que resolveu assinar sua renúncia em 25 de agosto, oito meses após assumir o governo. Jânio alegou que “forças ocultas” o impediam de governar. Além de nunca esclarecer quais eram as tais forças ocultas, o linguajar era similar ao adotado por Getúlio em sua carta testamento.

Há entre os especialistas no tema, uma crença de que Jânio teria intenção de levar o povo às ruas com sua renúncia, uma vez que fora eleito com uma grande margem de votos. Não houve qualquer manifestação popular a sua renúncia.

A crise econômica brasileira estava se estendendo à política uma vez que o vice-presidente estava em viagem à China comunista. Avizinhava-se o golpe militar.