HISTÓRIA DO BRASIL
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27. JOÃO GOULART (1961-1964)

27. JOÃO GOULART (1961-1964)

Quando Jânio Quadros renunciou à presidência, João Goulart estava na China. Sua ausência foi vista com desconfiança por setores conservadores, especialmente os militares que não viam com bons olhos um chefe de Estado brasileiro visitar a China comunista. Para minimizar possíveis danos numa provável sucessão do poder para “Jango”, articulou-se uma estrutura de poder que minimizasse ao máximo a autoridade do novo presidente. Provisoriamente, os ministros das três armas assumiram o comando do país, além de controlarem sindicatos e imprensa.

A tensão provocou desavenças dentro da caserna, onde alguns militares, especialmente gaúchos, defendiam a legalidade constitucional. A situação beirava uma refrega civil, mas João Goulart acabou aceitando as condições impostas de diminuição de suas atribuições na presidência para evitar um conflito.

Plínio Salgado, aquele mesmo do integralismo, propôs o Parlamentarismo como regime político e a emenda constitucional foi aprovada pelo Congresso que, segundo Juscelino Kubitschek, o fez sob pressão de militares.

Em 7 de setembro de 1961, João Goulart fez o juramento e foi empossado presidente da República. O plebiscito que definiria a manutenção do Parlamentarismo ou a volta ao Presidencialismo estava marcado para 1965, mas Jango conseguiu apoio político para antecipar o mesmo por conta da falta de apoio que o regime parlamentarista tinha.

Houve polarização política nas ruas. De um lado foi organizado o CGT – Comando Geral dos Trabalhadores – que demandava ações concretas na legislação trabalhista e de outro organizou-se a Frente Patriótica Civil e Militar, que temia uma inclinação do país ao comunismo mas tinha como foco principal o desejo de acabar com o populismo.

O poder de Jango estava cada vez mais ameaçado, mesmo com a vitória do presidencialismo nas urnas em 1963. João Goulart tentou implantar um programa para sanar a economia que sofria com uma inflação que já superava a casa dos 50%. O projeto, desenvolvido por Celso Furtado, Ministro do Planejamento, envolvia reduzir a inflação para 10% e fazer a economia crescer a 7% ao ano. Para tanto, seria necessária a austeridade fiscal, com aumento dos impostos e redução dos gastos públicos.

Em 13 de março de 1964, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, o presidente lançou as Reformas de Base num discurso inflamado. As reformas envolviam Reforma Agrária, Administrativa, Bancária, dentre outras. O poder de Goulart estava se esfarelando. No dia 19 de março, populares foram às ruas na chamada Marcha da Família com Deus Pela Liberdade para se opor a qualquer possibilidade de inclinação brasileira ao comunismo.

Para agravar ainda mais a situação, o silêncio exigido dentro da caserna foi quebrado por um grupo de marinheiros que criticou as instalações da corporação. Os onze militares envolvidos foram punidos, mas 1200 marinheiros fizeram um motim no Sindicato dos Metalúrgicos em protesto contra a ação do Ministério da Marinha.

João Goulart se posicionou em favor dos manifestantes e, por isso, foi duramente criticado pelos Ministérios da Marinha, Exército e Aeronáutica. No dia 30 de março, João Goulart discursava para mais de 2000 sargentos no Clube do Automóvel no Rio de Janeiro e confrontou os militares. Era a gota d`água.