HISTÓRIA DO BRASIL
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29.5 JOÃO FIGUEIREDO (1979-1985)

29.5 JOÃO FIGUEIREDO (1979-1985)

João Figueiredo veio das fileiras do SNI. Assumiu a presidência com a incumbência de conduzir o país para a democracia. Bem, esse era o discurso. Na prática, Figueiredo estava pressionado. Dentro do governo os militares estavam divididos. Os militares conservadores ainda detinham muito poder e não desejavam a introdução da democracia tão cedo. Os linha-dura pressionavam o governo a segurar a distensão política. Nas ruas, por sua vez, o povo organizava-se de maneira crescente, com o uso da pouca liberdade concedida à imprensa para demonstrar sua insatisfação com a Ditadura.

Inúmeros atentados, agora promovidos por correligionários da Ditadura, atacavam editoras, bancas de revistas ou qualquer meio de comunicação que vendesse ou divulgasse ideias contrárias ao regime militar. Em 30 de abril de 1981, durante festividades em torno do dia do trabalho no Riocentro, um grupo de militares resolveu explodir duas bombas no local e incriminar supostos “subversivos”. Duas bombas foram levadas para o local. A primeira foi depositada próxima à casa de energia do Riocentro e nunca explodiu. A segunda acabou explodindo no colo do Sargento do Exército, Guilherme do Rosário, que morreu na hora. Os militares tentaram de todas as maneiras construir uma versão na qual a operação era articulada pela resistência, mas ninguém era mais capaz de engolir as mentiras dos militares.

Em agosto de 1979 fora promulgada a Anistia, que permitia a volta para o Brasil de todos aqueles que haviam saído do país por circunstâncias de perseguição ou ameaça política. Com isso, a oposição foi se fortalecendo. A reforma partidária organizada pelo governo procurou diluir e enfraquecer a oposição que se reunia sob o manto do MDB. A Arena foi substituída pelo PDS – Partido Democrático Social – e surgiram outras legendas, especialmente de viés trabalhista, como o PTB (de herança varguista), PP, PMDB e PDT. A reforma partidária teria deixado de lado os partidos de viés marxista. Uma novidade, no entanto, foi o surgimento do PT, Partido dos Trabalhadores, que nasceu da militância sindical de operários no meio do ABC paulista.

Em 1983, foram fechados vários DOPS – Departamento de Ordem Política e Social. Estes organismos foram criados na década de 1920, mas tomaram grande força durante o Estado Novo e durante a Ditadura Militar. Eram responsáveis pela organização de informações pertinentes à perseguição de subversivos. Legalmente, os documentos do DOPS estão disponíveis desde 1992 ao público. Entretanto, muitos Estados mantem seus DOPS e a documentação disponível tem inúmeras lacunas.

As eleições indiretas estavam marcadas para novembro de 1984, mas os militares desejavam continuar no poder. Aos poucos, entretanto, foi-se construindo uma campanha por eleições diretas que acabaram envolvendo todo o país. O IBOPE teria apontado uma aprovação de 84% da população brasileira em torno da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional apresentada pelo deputado Dante de Oliveira que propunha eleições diretas para presidente, uma vez que a Legislação de 1967 impedia o pleito direto. José Sarney foi um dos principais articuladores da oposição e a emenda foi derrubada!

As eleições seriam mesmo indiretas. O candidato do PDS foi Paulo Salim Maluf, enquanto o candidato da oposição, do PMDB, era Tancredo Neves. A candidatura de Maluf foi polêmica e o PDS sofreu um racha com várias lideranças migrando seu apoio para Tancredo Neves, inclusive o próprio Sarney, formando a Aliança Democrática. Nessa conjuntura, Tancredo sairia candidato à presidente enquanto Sarney seria o vice.

O PDS estava enfraquecido e Tancredo Neves venceu facilmente a eleição dentro do Congresso. Entretanto, o mineiro morreu no dia 21 de abril de 1985 e ironicamente assumiu a presidência da República um político que votara contra as eleições diretas. Estranhamente a Ditadura fez seu candidato na transição para a democracia. José Sarney tornava-se o primeiro presidente civil após o Regime Militar.