HISTÓRIA DO BRASIL
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30. JOSÉ SARNEY (1985-1990)

30. JOSÉ SARNEY (1985-1990)

Foi no governo Sarney que os brasileiros pagaram o preço dos anos de desgaste econômico da Ditadura Militar. Com uma política incipiente para combater a inflação, muitos pesquisadores denominam a década de 1980 como a “década perdida”. A inflação alcançou, em 1983, 200% e a dívida externa chegava a 95 bilhões de dólares.

A mudança de moeda, do cruzado para o cruzeiro e o congelamento dos preços tiveram impacto imediato. Durante um mês houve deflação. Mas o congelamento dos preços levou a uma corrida aos mercados e a uma sensação de ganho que acarretou o fracasso do Plano Cruzado. O consumo era tanto que as empresas não conseguiam sequer exportar, o que derrubou o superávit. Sem geração de riquezas, ficava impossível pagar as dívidas com os organismos internacionais. A inflação acabou saindo do controle depois das eleições de 1986, quando o governo resolveu ajustar preços de alguns produtos. A política de salários foi flexibilizada e a inflação voltou a crescer. Como consequência, Dílson Funaro, Ministro da Fazenda demitiu-se em 26 de abril de 1986. Funaro foi substituído por Luís Carlos Bresser Pereira.

O chamado Plano Bresser não diferiu dos seus corolários Planos fracassados anteriores. A tentativa de congelamento de preços e aumento de impostos só cravou a manutenção da recessão, apesar da retomada de negociações com os credores internacionais.

Maílson da Nóbrega, sucessor de Bresser, procurou implantar uma política econômica de privatização de empresas públicas, abertura do mercado brasileiro para o mercado internacional, o que demonstrou boa vontade para recuperar a economia do país para os credores. Mas a inflação continuava a crescer. Mesmo o Plano Verão, com o corte de três zeros na moeda, o Cruzado Novo fracassou, fechando o ano de 1989 com uma inflação acumulada de quase 1800% e uma impagável dívida interna, ou seja, um déficit primário.

No campo específico da política, era imprescindível que o Congresso Nacional votasse uma nova Carta Magna para o país, afinal, a Constituição em vigor ainda era a da Ditadura Militar de 1967. A Nova Carta Constitucional foi promulgada em 1988 com o compromisso de haver um plebiscito que garantisse o modelo de governo a ser adotado no país, se presidencialismo ou parlamentarismo, a ser definido até 1995.

Nas eleições municipais de 1988, depois de profundos desgastes com a economia, o PT desfrutou de grande sucesso ao levantar a bandeira do social. Na grande São Paulo o PT conseguiu várias prefeituras. O caminho para as eleições presidenciais de 1989 parecia estar aberto para o PT. Sarney acabou saindo da presidência melancolicamente, muito impopular. As eleições reservariam grandes surpresas.