HISTÓRIA DO BRASIL
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4. A CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL

4. A CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL

Há poucos historiadores que ainda defendem que a chegada dos portugueses ao Brasil foi casual. A maioria prefere ser bastante cética com relação à chegada de Cabral em terras tupiniquins. Basta pensar que depois da chegada de Colombo à América, em 1492, Portugal e Espanha começaram uma disputa judicial para definir os limites de exploração de cada país no globo. Vale ressaltar que desde a saída para o mar dos portugueses, tratados foram confeccionados para definir limites de exploração com os espanhóis. Em 1493 foi assinado o Tratado da Bula Intercoetera, que determinava como zona de exploração portuguesa até 100 léguas a partir do arquipélago de Cabo Verde. Outro detalhe importante é que esses tratados excluíam todas as terras já povoados por um Estado autônomo e independente. Mas, D. João II ainda estava insatisfeito com o tratado de 1493 e continuou pressionando a Igreja até que em 1494 foi costurado o Tratado de Tordesilhas, que dava a Portugal o direito de explorar o espaço de até 370 léguas a partir do arquipélago de Cabo Verde.

Apesar da disputa por espaço, os portugueses continuaram firmes em seu objetivo de chegar as Índias pela África. Em 1488 já haviam atravessado o Cabo da Boa Esperança e em 1498 chegaram a Calicute, nas Índias.

Vale ressaltar que Pedro Álvares Cabral viajou muito pela África e inclusive combateu indianos que haviam prendido portugueses em expedições anteriores. Assim, quando o navegador português aportou em terras brasílicas em 1500, já não dava mais pra engolir a história do acidente!

Segue trecho da carta de Pero Vaz de Caminha sobre o primeiro contato com os índios:

Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!”

(...) “E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro.”

(...) “Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.” (...)