HISTÓRIA DO BRASIL
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5. PERÍODO PRÉ-COLONIAL

5. PERÍODO PRÉ-COLONIAL

O Brasil era terra completamente avessa aos interesses portugueses. Não havia nenhuma riqueza mineral clara, especialmente se comparada aos territórios desbravados pelos espanhóis no Novo Mundo. Havia ainda o problema do nativo, pagão, cuja língua era ininteligível e esses eram os menores problemas se pensarmos que haviam tribos tão hostis que literalmente “comiam” seus inimigos. O clima era quente e úmido, os insetos eram uma presença irritante. A fauna proporcionava todo tipo de imaginação a respeito de monstros, animais desconhecidos do Velho Mundo.

Entre 1501 e 1502 expedições de reconhecimento apontaram a presença maciça de pau-brasil e terras férteis para o cultivo de cana-de-açúcar, como observou Martin Afonso de Sousa. Gaspar de Lemos teria sido, segundo muitos historiadores, o navegador responsável a explorar a costa do novo território. Foi nesse tempo que Américo Vespúcio sugeriu que o território estendia-se demasiadamente ao sul para ser a Índia, por isso, o território explorado era, provavelmente, um novo continente! Em 1507, Martin Waldseemüller seria o primeiro a desenhar um mapa com o nome América.

Francisco I, rei da França, muito indignado com a divisão do mundo entre portugueses e espanhóis – chegando a enunciar a frase “quero ver o tratado de Adão que divide o mundo entre portugueses e espanhóis” numa crítica clara ao fato de a Igreja haver concordado com o acordo – resolveu enviar expedições piratas ao Novo Mundo.

O declínio do comércio no Oriente e a possibilidade de perder território na América obrigou Portugal a dirigir seus esforços para garantir a ocupação de suas terras no Novo Mundo.

A princípio, a iniciativa óbvia seria a exploração do pau-brasil, já que nenhuma outra riqueza, especialmente de origem mineral se mostrava disponível. Foi o primeiro ciclo econômico do Brasil colonial. A princípio os índios colaboraram com mão-de-obra em troca de recursos como tecidos, espelhos, espadas, facas, etc. Há quem se refira a esses produtos como escambo. Vale ressaltar que os índios nunca fizeram trocas culturais com outros habitantes do mundo, o que pode ajudar a explicar sua suscetibilidade aos produtos oferecidos pelos portugueses. Tão logo passou a novidade, os índios, desacostumados ao trabalho sistemático, tiveram que ser escravizados para que os portugueses garantissem a extração da madeira.

Destaque-se que a finalidade do pau-brasil era virar pó para tingimento. Segundo estudiosos, o interior do pau-brasil oferecia o chamado vermelho 24!

A madeira extraída era armazenada em Feitorias, edificações protegidas que pretendiam garantir a segurança dos recursos até que estes pudessem ser embarcados para a Europa.

Mas o ciclo da madeira se esgotou rapidamente e a posse da terra passava a ser elemento fundamental, uma vez que os franceses não davam trégua na tentativa de criar assentamentos na América. A Coroa portuguesa sabia que desmatar, preparar a terra e garantir sua ocupação demandava recursos que estavam acima de suas expectativas e interesse. Assim, a ideia de Martin Afonso de Sousa de distribuir lotes na Terra de Santa Cruz começou a ser colocada em prática.