HISTÓRIA DO BRASIL
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8. ÍNDIOS E NEGROS – CULTURA E ESCRAVIDÃO

8. ÍNDIOS E NEGROS – CULTURA E ESCRAVIDÃO

Os índios americanos estiveram alienados do contato com povos e culturas da Europa, África e Ásia até o século XVI. Esse fato os privou de muitos recursos materiais e mesmo metafísicos. Quando os europeus chegaram na América, não seria grande novidade perceber que os indígenas sorveram com grande volúpia todos os recursos e ideias trazidos de fora!

Uma vez passada a novidade do famoso escambo, os europeus precisavam de mão de obra contínua para a extração de pau-brasil, o que culminou na escravização de indígenas. Apesar da oposição frequente entre bandeirantes e jesuítas, estes últimos ardorosos opositores da escravidão indígena, os índios permaneceram sendo escravizados, mesmo a despeito das ordens da Coroa Portuguesa. Na segunda metade do século XVI a Coroa Portuguesa passou a impor a escravidão de negros, já experimentada com sucesso em Cabo Verde. Por cada negro que fosse retirado da África, a Coroa recebia percentual em impostos.

Ainda sobre a figura dos índios, o historiador Boris Fausto afirma: “Há também uma falta de dados que não decorre, nem da incompreensão nem do preconceito, mas da dificuldade de sua obtenção. Não se sabe, por exemplo, quantos índios existiam no território abrangido pelo que hoje é o Brasil e o Paraguai, quando os portugueses chegaram no Novo Mundo.” FAUSTO, Boris. História do Brasil. Edusp, 2013.

Índios não costumavam fazer escravos em suas batalhas. Após as lutas, tomavam guerreiros que eram alimentados, às vezes até ao ponto de receberem esposas. Posteriormente eram comidos pela tribo que o prendera. Era uma questão de vingança ou puro ódio, mas nada tinha a ver com o fato de incorporar o “espírito do guerreiro” tão apregoado em sala de aula. Hans Staden, ao escrever “Duas Viagens ao Brasil”, descreve que o ritual de canibalismo envolvia vingar os membros da tribo mortos em batalha.

A mão de obra escrava no Brasil está profundamente relacionada com os processos de produção. Os povoadores que quisessem escravizar índios, a princípio tinham a obrigação moral de cristianizá-los, mas logo os próprios jesuítas perceberam que a catequese era uma mera formalidade para a manutenção do comércio de escravos na colônia.

Os jesuítas, por sua vez, criavam reduções onde juntavam indígenas e lhes catequizavam, além de ensinar a ler e escrever, em muitos casos. Mas também é verdade que muitos índios fugiam das reduções para se aventurar nos alambiques dos senhores de engenho.

Se os engenhos precisavam de braços e os jesuítas defendiam os interesses dos índios, o escravo africano veio a calhar com os interesses de ambos. Os negros chegaram aos milhares no Brasil, contribuindo significativamente com a produção e a construção da cultura da colônia. Vale ressaltar que desde o estabelecimento das Capitanias Hereditárias fora determinado o Pacto Colonial, no qual a colônia poderia fazer comércio unicamente com a metrópole. Sendo assim, o fornecimento de escravos e a venda dos produtos, produzidos por escravos, fazia do sistema colonial português um sistema profundamente amarrado ao sistema escravocrata.